As goleiras durante anos foram tidas como o ponto fraco do futebol feminino, a ponto de surgirem propostas de diminuir o tamanho do gol para evitar falhas e erros. A Copa do Mundo da França, no entanto, contrariou essa tese com uma série de jogadoras fechando o gol, inclusive a holandesa Sari van Veenendaal na decisão contra os Estados Unidos, neste domingo.

O principal ponto de destaque é que não foi um caso isolado. Ao longo do torneio, diversas goleiras brilharam, como a argentina Vanina Correa, a chilena Christiane Endler, a chinesa Peng Shimeng, a jovem jamaicana Sydney Schneider, a japonesa Ayaka Yamashita e a sueca Hedvig Lindahl.

Aos 29 anos, Van Veenendaal, do Arsenal, é capitã da seleção holandesa, que defende desde 2011, e foi eleita a melhor goleira do Mundial. Precisou realizar sete defesas para limitar o bombardeio americano, que nunca demorou tanto para fazer o primeiro gol nesta Copa do Mundo. Nas partidas anteriores, o placar havia sido sempre aberto pelas americanas antes dos 15 minutos.

Contra a Holanda, o primeiro gol saiu apenas aos 16 minutos do segundo tempo, com um pênalti cobrado por Megan Rapione, craque e artilheira da Copa do Mundo. Antes, Van Veenendaal foi a principal responsável pela breve seca americana com uma série de grandes intervenções.

Esperta, Van Veenendaal interceptou o cruzamento rasteiro de Rose Lavelle e parou o potente chute de Julie Ertz, em rebote de uma cobrança de descanteio. Em um intervalo pequeno de tempo, fez uma grande defesa em cabeçada à queima-roupa de Samantha Mewis e, na sequência, agarrou o desvio de Morgan, em duas jogadas de Rapinoe pela esquerda. Antes do intervalo, voou no canto esquerdo para barrar a bomba de fora da área de Alex Morgan.

Não teve o que fazer no pênalti de Rapinoe – e nem tentou, ficando parada no meio do gol – ou no chute cruzado de Lavelle que decidiu a decisão da Copa do Mundo. Antes do jogo acabar, ainda fez uma grande defesa cara a cara com Crystal Dunn, que entrou livre na área e ainda driblou a marcação antes de finalizar.

A atuação de Van Veenendaal não foi suficiente para que a Holanda conquistasse seu primeiro título. Mas foi mais do que o bastante para solidificar a evolução das goleiras exposta nesta Copa da França, afugentando os preconceitos.