A falta de um desempenho relevante na Copa Libertadores não confere grande destaque, mas a Universidad Católica atravessa uma fase afirmativa no Campeonato Chileno. Três dos últimos cinco títulos nacionais ficaram nas mãos dos Cruzados. E depois de faturarem tanto o Apertura quanto o Clausura em 2016, o clube conquistou a liga nacional neste domingo. Como não acontecia desde 2001, o Campeonato Chileno voltou a contar com uma competição em turno e returno. Apesar do grande equilíbrio, La Franja dominou a primeira colocação durante quase toda a campanha e confirmou a taça na última rodada.

O grande mérito da Universidad Católica foi sua consistência defensiva. O time sofreu apenas 25 gols em 30 rodadas, com os melhores números no quesito. E mesmo que seu ataque não tenha rendido tanto assim, com 39 tentos, foi suficiente para buscar a taça. Afinal, os Cruzados sofreram apenas três derrotas ao longo da caminhada, embora o excesso de empates tenha brecado uma arrancada maior. A equipe somou 61 pontos, três a mais que a Universidad de Concepción, que chegou a tomar a liderança na primeira rodada do returno e representou a principal ameaça ao clube de Santiago. A Universidad de Chile terminou em terceiro, com 57 pontos, e o Colo-Colo esteve longe de buscar o bi, no quinto lugar, a 18 pontos dos campeões.

A arrancada da Universidad Católica no início do campeonato foi fundamental. O time conquistou nove vitórias nas primeiras dez rodadas, o que deu enorme segurança na ponta. Entre abril e agosto, houve um período de incertezas, com muitos empates, mas o fôlego foi recuperado no momento necessário. E apesar de alguns tropeços nesta reta final, com derrotas para Huachipato e Universidade de Chile nos últimos seis compromissos, o triunfo no confronto direto com a Universidad de Concepción ajudou demais. Precisando de apenas um empate na rodada final, La Franja fez além de sua parte, batendo o Deportes Temuco por 2 a 1. Desencadeou a festa.

Aposta da Católica, o principal mentor desta conquista é Beñat San José. O técnico espanhol de 39 anos possui uma carreira de andarilho, passando recentemente por Antofagasta e Bolívar. Desembarcou em Santiago há um ano e conseguiu deixar suas marcas na equipe, entre o pragmatismo e as muitas rotações. O goleiro Matías Dituro (homem de confiança de San José) e o zagueiro Germán Lanaro, ambos argentinos, lideraram a defesa. No meio, mais tarimba albiceleste com o combativo volante Luciano Aued e o maestro Diego Buonanotte – este, de volta ao clube, após ser um dos protagonistas no bi em 2017. O armador mais uma vez deu um brilho particular à jornada, por sua qualidade técnica e pelos sete gols que anotou, artilheiro da equipe. E a linha de frente ainda tinha à sua disposição Sebastián Sáez, reforço útil durante o segundo turno, e José Pedro Fuenzalida, outro medalhão que se destacou nesta ascensão recente de La Franja.

O feito, aliás, permitiu a despedida grandiosa a um dos maiores símbolos da Universidad Católica. Cristian Álvarez disputou apenas nove partidas da campanha, mas se manteve como principal liderança do elenco. Aos 38 anos, o defensor dedicou 15 temporadas de sua carreira profissional ao clube. Começou sua trajetória pelos Cruzados, teve um rápido retorno após passar pelo River Plate na década passada e voltou para a reta final de sua caminhada em 2011, portando a braçadeira de capitão. Não à toa, por seus mais de 400 jogos por La Franja, recebeu amplas homenagens. Esteve presente em cinco títulos da liga, além de faturar também uma Copa Chile e uma Supercopa.

A média de idade elevada, embora siga o padrão de outros times que triunfaram recentemente no futebol chileno, é uma preocupação pensando na Libertadores. Os Cruzados até possuem alguns nomes promissores, como o meio-campista Ignacio Saavedra e o lateral Raimundo Rebolledo, mas isso parece insuficiente a uma campanha mais consistente em frentes amplas. O desempenho recente dos representantes chilenos além das fronteiras, aliás, deixa a desejar. Para se marcar, La Franja precisará de mais do que se viu na Libertadores 2017, quando se enroscou no difícil grupo que também tinha San Lorenzo, Atlético Paranaense e Flamengo. A tarimba é só um passo se o time quiser fazer valer seu papel.

Independentemente da repercussão fora que se aguarda, a Universidad Católica consuma o seu poderio no Chile. Agora, são 13 títulos nacionais, a cinco da Universidad de Chile como segundo maior campeão do país. Um período de redenção a quem possui 21 vices nacionais, mas aproveita a entressafra dos rivais para reivindicar uma sequência de conquistas que é inédita em sua história. Por isso, tão importante aos Cruzados.