Quando o árbitro Roberto Tobar apitou o final da prorrogação, era visível o frio na espinha dos jogadores do Júnior. O time colombiano cultivava a expressiva marca de ter errado oito dos últimos nove pênaltis que cobrou em competições internacionais, fora das disputas decisivas. Uma estatística que dava esperança para a torcida do Atlético Paranaense, que ressuscitara no tempo extra, quando Barrera isolou a chance de garantir o título. Após o empate por 1 a 1, repetindo o placar de Barranquilla, o Furacão fez 4 a 3 a partir da marca do cal e conquistou o primeiro título internacional da sua história.

Na soma dos 210 minutos, talvez o Júnior tenha sido o melhor time. Nem em casa o Atlético Paranaense conseguiu colocar em campo o grande futebol que apresentou na segunda metade do Campeonato Brasileiro e, depois de um bom início, viu o adversário ficar mais perto da vitória no tempo normal. Mas, quando seu adversário erra quatro pênaltis em uma final – literalmente, porque dois foram na trave e dois foram para fora -,   o esforço para não ser campeão tem que ser hercúleo. E, ao contrário, o Furacão lutou bastante para levantar o troféu da Copa Sul-Americana e o fez com merecimento.

 

Os donos da casa se impuseram no primeiro tempo e, logo aos cinco minutos, Pablo quase abriu o placar ao desviar uma cobrança de falta de Nikão. Renan Lodi era uma chegada muito forte pela esquerda, fosse chegando para bater, como quando exigiu uma boa defesa de Viera, ou cruzando, em um lance que Cirino arrumou para Raphael Veiga, que não alcançou.

O gol saiu, aos 25 minutos. Léo Pereira saiu jogando errado, mas se recuperou imediatamente e lançou para Pablo, que tabelou com Raphael Veiga antes de mandar no canto do goleiro. Com o placar aberto, o resto da primeira etapa ficou mais morna. Bem diferente da temperatura do começo do segundo tempo.

 

Pablo quase ampliou, bem no comecinho, mas Viera fez uma grande defesa com a ponta dos dedos. E, então, o Júnior empatou. Díaz cobrou o escanteio, Gómez desviou e Téo Gutiérrez mandou para as redes. Logo em seguida, Gutiérrez deixou Díaz na cara do gol. A bola raspou a trave. Santos defendeu em dois tempos a tentativa de Díaz, e Gutíerrez buscou o cantinho da entrada da área com muito perigo.

 

O Júnior, porém, não conseguiu fazer o gol do título no tempo normal, e Nikão teve duas boas ações, pouco antes do apito final, uma cabeçada e uma finalização da entrada da área, mas também não conseguiu balançar as redes. No tempo extra, Díaz errou o tempo da bola, em um cruzamento, e tentou consertar com uma bicicleta, para fora. Piedrahita soltou um chute de primeira, com muito perigo.

No começo do segundo tempo da prorrogação, Yony González foi lançado dentro da área. Santos saiu para abafar, errou o tempo da bola e derrubou o jogador do Júnior. O árbitro apitou pênalti. O segundo do Júnior no duelo. O primeiro, em Barranquilla, havia sido desperdiçado por Pérez, que soltou a bomba no travessão. Desta vez, quem cobrou foi Barrera e parece ser uma tendência colombiana pegar embaixo demais na bola. Porque ele isolou.

 

Bergson teve uma boa oportunidade logo em seguida, com um chute cruzado de fora da área, muito perigosa. Mas não saíram gols na prorrogação. Narváez quebrou a sequência fazendo 1 a 0 para o Júnior. Jonathan empatou. Fuentes recolocou o universo nos eixos e acertou a trave esquerda de Santos. Raphael Veiga colocou o Furacão à frente. Rafael Pérez e Bergson anotaram suas cobranças. E Téo Gutiérrez acertou o lustre.

Renan Lodi poderia ter selado o título do Atlético Paranaense, mas mandou para fora. Seria apropriado que a final terminasse com mais um pênalti perdido do Júnior. Quem cobrou foi Viera, e, de fato, ele quase errou. Thiago Heleno teve a bola do troféu aos seus pés. Como bom zagueiro, fechou os olhos, encheu o pé e garantiu uma noite de muita festa para os torcedores do Furacão.


Os comentários estão desativados.