O Atlético Paranaense conseguiu uma enorme classificação diante do São Paulo no Morumbi, pela Copa do Brasil. Depois de vencer o jogo de ida por 2 a 1, na volta passou por altos e baixos, mas fez um bom jogo, especialmente no segundo tempo, e saiu de um 2 a 0 contra e empatou o jogo em 2 a 2. Superior ao adversário, sufocou o jogo do São Paulo para merecer a classificação, que poderia ter vindo até com mais tranquilidade.

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Depois da boa estreia no Campeonato Brasileiro goleando a Chapecoense, o Atlético Paranaense chegou ao Morumbi cercado de expectativa. O time do técnico Fernando Diniz embalou dois jogos consecutivos jogando muito bem, contra o Newell’s Old Boys na quinta-feira passada pela Sul-Americana e na estreia do Brasileirão. Contra o São Paulo, tinha a vantagem e tentava contar o ímpeto de esperança que tomava o time da casa.

O Furacão manteve a sua formação habitual, o 3-4-3, e o seu plano de jogo, de muitas trocas de passes. Trouxe quatro novidades em relação ao jogo do fim de semana: saíram os zagueiros Bruno Guimarães e José Ivaldo para jogarem os titulares Paulo André e Thiago Heleno; Lucho González jogou no meio-campo no lugar do ala Jonathan, com Matheus Rossetto jogado para essa função. Guilherme também entrou no ataque no lugar de Ribamar.

Diego Aguirre, técnico do São Paulo, espelhou o rival e entrou em campo com uma formação no 3-4-3, com o usualmente lateral Éder Militão formando um trio de zaga, mais pelo lado esquerdo. Na direita, Régis recebeu passe livre para avançar. Na esquerda, o time ficava praticamente sem um jogador de fundo. A ideia era marcar Matheus Rossetto, que jogava como ala pela direita no Atlético Paranaense, normalmente fechando pelo meio. Como o Atlético Paranaense manteve a escalação habitual, a ideia do time são-paulino pareceu funcionar.

O primeiro tempo foi do São Paulo. Pressionando a saída de bola, deixou o Atlético Paranaense em dificuldade e por vezes fez o time visitante ter que jogar a bola para fora. A ideia de sair jogando em passes, que Diniz tanto fez no Campeonato Paulista pelo Audax, foi repetida. E como já aconteceu antes, sofreu para conseguir jogar. Alguns erros de passes e o sufoco que o São Paulo deu com uma marcação muito alta e de muita intensidade complicou o jogo do Furacão.

O bom jogo do São Paulo acabou por se traduzir em gol aos 25 minutos do primeiro tempo. Régis tentou o cruzamento para a área, Paulo André cortou, Petros tocou de cabeça para dentro da área, Nenê tocou de calcanhar para Valdívia, que dominou, girou em cima de Thiago Heleno e chutou no ângulo: 1 a 0.

Bem no jogo, o São Paulo acabou aproveitando o embalo e marcou mais um gol aos 34. Depois de boa jogada de Liziero pelo meio, ele sofreu a falta, mas a bola sobrou para Nenê, que puxou para o meio e finalizou de pé direito. A bola desviou em Thiago Heleno e matou o goleiro Silva: 2 a 0 para o time da casa. Com esse placar, o time se classificava.

Só que o primeiro tempo não tinha acabado ainda. Seis minutos depois, em uma descida pela direita de Camacho, ele fez uma bonita finta e tentou o cruzamento. Liziero tocou com a mão na bola e o árbitro considerou pênalti. Guilherme cobrou com categoria e diminuiu o placar para 2 a 1, igualando no placar agregado. O Atlético Paranaense voltava ao jogo.

O intervalo serviu para que o Atlético Paranaense corrigisse o rumo. O time do Paraná voltou muito melhor para a etapa final. Foram cinco minutos avassaladores, colocando muita pressão na saída de bola do São Paulo, deixando o time da casa sufocado e sem conseguir jogar. O time do Morumbi não conseguia sair jogando, enquanto o Atlético Paranaense se aproximava da área.

E aos cinco minutos, o gol, em um lindo lance coletivo. Pablo tomou a bola no campo de ataque, tabelou com Guilherme e, na linha de fundo, cruzou rasteiro na segunda trave onde Matheus Rossetto chegou para completar e empatar o jogo: 2 a 2, com o Atlético Paranaense em vantagem no placar agregado.

O São Paulo voltou a precisar de um gol para levar a partida ao menos para os pênaltis. O técnico Diego Aguirre tirou Santiago Tréllez de campo e colocou Diego Souza, que entrou melhor do que o colombiano. Participou do jogo, embora errando seus primeiros lances. Foi mais perigoso, mas o São Paulo encontrava dificuldades. Mesmo com um placar que lhe favorecia, o Atlético continuava ameaçando e quase marcou o terceiro gol em um lance da direita que Rossatto cruzou para Thiago Carleto finalizar na trave.

A necessidade de marcar o gol tornou o São Paulo muito mais previsível. O time teve suas chances, mas quase sempre a defesa do Atlético tinha a situação controlada. Em qualquer lugar do campo, o time do Paraná parecia ter os espaços preenchidos e os jogadores do São Paulo jamais tinham tranquilidade para jogar, ou mesmo encontrar uma opção de passe.

Com o resultado que precisava, o Atlético Paranaense tornou a vida do São Paulo mais difícil. Sem precisar se afundar na defesa, o time tirava espaços e a cada retomada de bola, fazia o São Paulo correr atrás da bola. Com bons passes, o Atlético gastava o tempo de maneira inteligente. O São Paulo, desesperado, tentava trocar passes, mas era dificultado pelo bom posicionamento do adversário. Não quer dizer que o time paulista não teve chances. Só que as chances não eram claras, os chutes nunca eram dados com liberdade. Sempre havia pressão na bola.

Aguirre colocou em campo Cueva no lugar de Valdívia e, no final, Lucas Fernandes no lugar de Petros, que fez um jogo apagado, como tem sido habitual. Aquela pressão sufocante que o São Paulo exerceu sobre a defesa do Atlético arrefeceu, assim como a condição física dos mandantes. Jogadores importantes para o time, como Liziero e Valdívia, sentiam o cansaço. Nene pouco conseguia fazer para marcara a saída de bola.

E, no fim, o São Paulo não tinha espaço para armar suas jogadas. Dependia de alguma jogada individual para uma quebra de marcação. Liziero até tentou uma ou outra vez, mas quando conseguiu, na sua melhor chance, teve que fazer tudo sozinho. Isso porque os outros jogadores são-paulinos, como Diego Souza, até acompanharam, mas a marcação não deixou espaço a eles. Liziero chutou, quase sem forças, e mandou para fora.

Sabendo o que fazer em campo, o Atlético só recuou de vez depois dos 35 minutos, quando o São Paulo já parecia tomado por desespero. Precisando de um gol, o time paulista chegou a levar Sidão para a área em uma cobrança de falta lateral. Só mais um sinal do desespero de um time já sem ideia do que fazer e sofrendo fisicamente contra um time que era melhor em todos os aspectos: tática, técnica e fisicamente.

Quando o árbitro apitou o fim do jogo, já quase aos 50 minutos, o Atlético Paranaense ainda parecia ter forças para comemorar e correr. O São Paulo estava esgotado. Isso pode ter a ver com os poucos jogos que o time principal do Atlético Paranaense fez no ano – não jogou o estadual, afinal. Mas tem a ver especialmente com a ideia de jogar futebol e colocar o adversário em dificuldades, tirando espaços.

O São Paulo conseguiu complicar a vida do Furacão enquanto teve fôlego para fazer uma marcação muito alta. O ritmo forte não poderia se manter o tempo todo. O Atlético manteve o toque de bola, mesmo eventualmente tendo que se livrar da bola por falta de opções. À medida que o tempo passou, só um dos dois times conseguia colocar um plano de jogo em ação. O São Paulo precisava correr desesperadamente pelo gol. O Atlético jogava com os espaços. Ocupava e, por vezes, vimos o time consciente do que fazia. Poderia ter tomado um gol em algum lance eventual, claro, mas seria preciso exatamente o excepcional, algo que o São Paulo não apresentou.

Em campo, o Atlético Paranaense jogou melhor e se classificou jogando mais futebol que o adversário. E esse é o ponto mais importante de um time que se propõe a jogar. Fez o seu jogo, bem executado mesmo sob pressão, mesmo tendo saído atrás no placar por 2 a 0, na casa do rival. Teve equilíbrio e bola para igualar o jogo e o placar e sair de campo classificado. O Atlético Paranaense vai se colocando como um candidato a fazer mais bons jogos e, quem sabe ir avançando ainda mais na Copa do Brasil. E, claro, tentar somar muitos pontos no Campeonato Brasileiro para brigar na parte de cima. Até aqui, tem mostrado potencial para isso.


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