O Zamora é o atual dono de uma sequência incrível e, para os seus torcedores, bem constrangedora. Entrou no Mineirão para enfrentar o Atlético Mineiro, nesta quarta-feira, com 14 derrotas seguidas pela Libertadores. O histórico apenas reforça o vexame pelo qual o Galo estava passando, ao descer aos vestiários, no intervalo, perdendo por 2 a 0. Mas um segundo tempo muito melhor que o primeiro foi o bastante para virar o jogo, vencer por 3 a 2 e estender o retrospecto terrível dos venezuelanos na competição sul-americana.

A vitória era essencial para o Atlético Mineiro, depois de derrotas para Nacional e Cerro Porteño nas duas primeiras rodadas. Ganhar os duelos contra o pior time do grupo é o mínimo necessário para se manter com chances de passar às oitavas de final. O primeiro ficou para trás, embora o time de Levir Culpi tenha se mostrado, outra vez, desorganizado e mal treinado. Mas, contra um adversário tecnicamente muito inferior, deu para buscar a virada em 45 minutos.

Péssimo não consegue descrever com precisão o primeiro tempo do Atlético Mineiro. Com praticamente toda a posse de bola da etapa, foi um time pouco criativo. Tanto que a primeira grande chance do Galo foi criada pelo adversário. Ignacio González tentou recuar de peito para o goleiro. Esperto, Luan interceptou e cabeceou na trave.

Espaçada e lenta, a defesa do Atlético Mineiro era um oásis para o contra-ataque rápido e objetivo do Zamora. Geralmente pela direita, nas costas de Fábio Santos. A primeira estocada foi aliviada pelo lateral esquerdo. No outro lado, porém, Maza passou por Guga e cruzou para Gallardo abrir o placar para os venezuelanos.

Um gol que poderia ser apenas um acidente tornou-se sintoma do que acontecia em campo, à medida em que o Atlético Mineiro continuava infrutífero no ataque e uma colcha de retalhos na defesa. Gallardo saiu nas costas de Fábio Santos, levou para o meio e bateu de esquerda. Para a sorte dos brasileiros, chutou muito mal.

Cazares ajeitou para Ricardo Oliveira chutar por cima, na melhor portunidade criada pelo Galo. Antes do intervalo, o Zamora fez 2 a 0, em um lance um pouco constrangedor. Hernández recebeu o passe nas costas da defesa. Encontrou-se tão livre que parou achando que estava impedido. Em vez de pressionar, Fábio Santos levantou o braço pedindo a infração. Mas Hernández não estava impedido e avançou com campo livre até a entrada da grande área, onde apenas rolou para Paiva ampliar.

Tentando evitar o vexame, o Galo voltou muito melhor dos vestiários, e Maicon Bolt, completando o cruzamento de Luan, descontou ainda aos cinco minutos do segundo tempo. Cazares cruzou da esquerda, e Luan finalizou de primeira, para simples defesa de Graterol. Aos 14, Zé Welison soltou a bomba de fora da área e carimbou o travessão. 

O empate apareceu aos 26 minutos do segundo tempo, quando Luan encontrou Ricardo Oliveira dentro da área. O artilheiro conseguiu limpar a marcação e bateu de canhota. A bola desviou em Vinícius e entrou. A pressão na reta final da partida começou a ser esboçada, logo na sequência, quando Óscar Hernández foi expulso, ao receber o segundo cartão amarelo por falta em Vinícius.

Nem precisou de muito abafa. Cinco minutos depois, Ricardo Oliveira tentou o corte pela ponta esquerda. O zagueiro De La Hoz se jogou na bola, de carrinho, e a tocou com o braço umas três ou quatro vezes. O árbitro apontou à cal, e Fábio Santos marcou o gol da virada do Atlético Mineiro.

Não houve uma revolução de desempenho entre o primeiro e o segundo tempo, mas o Atlético Mineiro, pelo menos, mostrou-se um time mais intenso e concentrado no segundo tempo, e, empurrado pela sua torcida, alcançou uma grande virada, somando seus primeiros pontos na Libertadores. Tem três, contra seis do Nacional e nove do Cerro Porteño.