O Atlético de Madrid chegou à última rodada ainda sem garantir a sua vaga nas oitavas de final da Champions League, mas a situação era tranquila. O time de Diego Simeone só dependia de uma vitória contra o Lokomotiv Moscou, em Madri, para estar entre os 16 classificados ao mata-mata da principal competição de clubes do mundo. Foi exatamente o que aconteceu, sem sofrimento, sem problemas. O placar de 2 a 0 foi até pouco pelo que o time fez em campo. Poderia ter saído de campo com uma goleada que, pelo número de chances, não seria nada surpreendente.

O primeiro tempo foi como esperado. Precisando do resultado para se garantir sem depender do outro jogo – já que o Leverkusen poderia se classificar se vencesse a Juventus e o Atleti tropeçasse -, os mandantes dominaram desde o primeiro minuto. Ficaram mais com a bola, tiveram mais chances, pressionaram e poderiam ter feito até mais gols.

Logo a dois minutos, pênalti para o Atlético de Madrid. Trippier, lateral direito, cobrou, bateu cruzado, forte, mas o goleiro fez uma boa defesa. Nada de gol. Mas era só o começo do jogo. O amplo domínio do Atleti não se limitaria aos minutos iniciais.

Aos 15 minutos, o Atlético reclamou de um pênalti por um toque de mão dentro da área. O árbitro não viu, mas foi alertado pelo VAR, revisou o lance e apontou a marca da cal. Desta vez, não foi Trippier, mas sim João Félix. O português cobrou bem e marcou: 1 a 0.

O Atlético alcançaria o segundo gol ainda no primeiro tempo, mas o tento seria anulado por impedimento. O atacante recebeu atrás da defesa e tocou no canto, tirando do goleiro. O VAR revisou o lance e marcou o impedimento do atacante. Nos três lances chave no primeiro tempo, o VAR interveio bem.

O primeiro tempo terminou com o Atlético com tal domínio da posse de bola que as porcentagens eram de 75% a 25%. Foram 12 chutes a gol e cinco deles certos. Dá para dizer que praticamente só o Atlético jogou a partida no primeiro tempo.

No começo do segundo tempo, o Atleti chegou ao segundo gol. O time cobrou escanteio curto e Koke cruzou com precisão, à meia altura, e o zagueiro Felipe finalizou bonito, com um chute de primeira: 2 a 0. O gol logo aos nove minutos da etapa final deu mais tranquilidade ao time Colchonero, que trabalhou a bola com paciência.

Só um time criava chances. Simeone aproveitou para colocar em campo Héctor Herrera, que entrou no lugar de Ángel Correa, e Thomas Lemar, no lugar de Koke. O jogo sempre pareceu calmo e controlado, então o ritmo foi caindo a partir da metade do segundo tempo.

Quem mais brilhou no jogo foi João Félix. Deu várias demonstrações de habilidade, fez lances bonitos e a bola passou muitas vezes pelos seus pés, sendo um dos jogadores mais acionados do time. Foi quem mais levou perigo, sempre criando jogadas, especialmente da esquerda para dentro.

A vitória levou o Atlético de Madrid a 10 pontos, terminando em segundo lugar no Grupo D, atrás da Juventus. O Leverkusen vai para a Liga Europa, com seis pontos. O Lokomotiv está eliminado, com três.

Simeone tem tentado dar mais repertório ofensivo ao Atlético de Madrid, por vezes tentando controlar mais o jogo com a posse de bola. Isso acontecia antes eventualmente, em jogos pequenas da liga espanhola. Agora, o técnico tem tentando fazer o time ser mais capaz de alternar dentro do próprio jogo. Nesta partida contra um eliminado Lokomotiv, precisou mostrar mais da sua faceta ofensiva, com controle de posse de bola e criando mais chances.

Se na liga espanhola o time é instável, desta vez conseguiu um jogo com imensa tranquilidade, sem sofrimento, e venceu bem. Tantas vezes vimos que o Atlético de Madrid sofria nos jogos – aquela coisa de “saber sofrer”, que é bem questionável -, mas o time finalmente pareceu conseguir fazer um bom jogo em outro estilo. Resta ver se conseguirá fazer mais vezes isso, tanto dentro das partidas quanto contra adversários mais fortes.

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