O Atlético de Madrid vinha de participações marcantes na Supercopa Europeia. Em 2010, desbancou a Internazionale com autoridade. Dois anos depois, goleou o Chelsea com show de Radamel Falcao García. E a memória mais saborosa dos colchoneros no torneio certamente se consumou nesta quarta-feira, na Estônia. O Atleti, mais uma vez, se encontrava com o Real Madrid em uma final europeia. Não em uma ocasião tão importante como as duas anteriores, mas ainda assim a chance de derrotar os rivais na luta por uma taça. Por um momento, quando viraram o placar, os merengues até esboçaram manter a hegemonia no clássico. Contudo, a equipe de Diego Simeone fez por merecer a vitória. Em uma atuação faminta, sobretudo pela a efetividade de Diego Costa (que merecerá outro texto logo mais), os rojiblancos buscaram o empate no fim do tempo normal e retomaram a dianteira na prorrogação. Vitória por 4 a 2 que reforça as expectativas sobre a temporada dos campeões. Foi a primeira final internacional perdida pelos madridistas desde 2000.

O Atlético de Madrid entrou com força máxima na partida, em seu tradicional 4-4-2. Por opção, alguns jogadores de destaque ficaram no banco, como Filipe Luís e José María Giménez. Mas nada que diminuísse a qualidade da escalação. Rodri e Thomas Lemar estrearam oficialmente no meio. Já o ataque contou com Diego Costa e Antoine Griezmann. Desfalque mesmo, apenas Diego Simeone, que não pôde ficar à beira do campo por conta de uma suspensão. Julen Lopetegui, por sua vez, escalou o Real Madrid com praticamente com a mesma base tricampeã continental. Com Thibaut Courtois nas tribunas, Keylor Navas assumiu a meta. No meio, Luka Modric foi a ausência, permanecendo no banco. Assim, Casemiro e Toni Kroos formaram uma dupla de volantes. Na trinca de meias, Isco atuou por dentro, com Marco Asensio e Gareth Bale nas pontas. Karim Benzema serviu de referência no ataque.

O Atlético de Madrid começou a partida em alta voltagem. Tanto é que o primeiro gol saiu antes do primeiro minuto de jogo. Diego Godín lançou do campo de defesa, em direção a Diego Costa. O centroavante se antecipou a Sergio Ramos e deu um “chapéu” sobre o zagueiro. Depois, passou também por Raphaël Varane. E mesmo sem ângulo, soltou a bomba para vencer Keylor Navas. Era um excelente início dos colchoneros, que atuavam com muita intensidade, marcando forte os rivais e tentando encontrar as brechas no ataque. A postura agressiva era fundamental à superioridade do time de Diego Simeone.

Com o passar dos minutos, o Real Madrid passou a se soltar. Contava principalmente com as ações pelos lados do campo, com Isco ajudando no apoio tanto na esquerda quanto na direita. Asensio deu o aviso, com um calcanhar que exigiu grande defesa de Oblak. E foi pelos flancos que nasceu o empate aos 26 minutos. Bale fez grande jogada, avançando em velocidade. Cruzou com precisão e encontrou Karim Benzema livre dentro da área. O centroavante cabeceou cruzado, tirando do alcance de Jan Oblak. O tento aumentava a confiança dos merengues, que poderiam ter virado pouco depois, em chute de Asensio que saiu com bastante perigo. Já o Atlético ficava um pouco mais limitado às ligações diretas, sem conseguir criar chances tão claras.

O segundo tempo começou em rotação mais baixa, com o Atlético de Madrid dominando a posse de bola, mas encontrando dificuldades para criar. O gol acabaria saindo do outro lado, graças a uma infelicidade de Juanfran. Após cruzamento da esquerda, o lateral subiu com Benzema para tentar o corte e a bola bateu em seu braço. Pênalti que Sergio Ramos cobrou com toda a tranquilidade, apenas deslocando Oblak. Os dois times se estranhavam, principalmente nas disputas entre Diego Costa e Sergio Ramos. E o Atleti passou a buscar mais o ataque, com as entradas de Vitolo e Ángel Correa – este, no lugar de Antoine Griezmann, que mal participou da pré-temporada por conta da campanha até a final da Copa do Mundo e não esteve em suas melhores condições. Do outro lado, Modric e Dani Ceballos ganhavam espaço.

Correa deu mais velocidade ao ataque do Atlético e, depois de algumas boas jogadas, o novo empate saiu aos 33 minutos. Foi um lance de persistência, típico da equipe colchonera. Juanfran disputou a bola na lateral com Marcelo e o brasileiro bobeou ao evitar a saída. O espanhol avançou e encontrou Correa na área. Arrancando rumo à linha de fundo, o jovem passou para Diego Costa fuzilar. O poder de decisão do artilheiro continuava preponderando. Nos minutos finais do tempo regulamentar, o clássico permaneceu muito brigado, com as duas equipes entrando firme nas divididas. E a melhor chance antes do apito final esteve do lado merengue. Marcelo recebeu cruzamento livre dentro da área, mas quis inventar um voleio e furou. Permitiu a prorrogação.

O Real Madrid tentou sair um pouco mais no início do primeiro tempo extra, mas aos sete minutos o Atleti começou a encaminhar a conquista, com seu terceiro gol. Thomas Partey, que saíra do banco no lugar de Lemar, mostrou seu apetite. Brigou pela bola na entrada da área e roubou de Varane. Depois de tabelar com Diego Costa, o meio-campista cruzou e encontrou Saúl Ñíguez sozinho na entrada da área. Então, o camisa 8 acertou uma chicotada maravilhosa na bola. Golaço, mais um dele contra os rivais. O tento abriu o caminho aos colchoneros e mais uma transição com muita intensidade resultou no quarto gol aos 13 minutos. Diego Costa avançou na marra, ganhou de Dani Carvajal no corpo e passou a Vitolo. O espanhol deu um tapa e encontrou Koke em ótimas condições para escorar.

Ainda depois do terceiro gol, Julen Lopetegui tentou sua última cartada com a entrada de Borja Mayoral no lugar de Toni Kroos. Entretanto, o Real Madrid se mostrava um time pouco organizado para quebrar a forte marcação do Atlético de Madrid, limitado a cruzamentos neutralizados pela defesa. Os colchoneros pareciam ainda mais próximos de balançar as redes de novo, agredindo nos contra-ataques e se aproveitando da péssima noite de Varane. Vitolo, sobretudo, entrou muito bem e comandava a linha de frente. Já nos minutos finais, Diego Costa saiu para a entrada de Giménez. Foi o protagonista de uma noite que terminou com festa rojiblanca e até mesmo gritos de olé para os campeões.

O Real Madrid, como era de se esperar, sentiu falta de Cristiano Ronaldo. O centroavante não era preponderante em todos os jogos, mas amedrontava qualquer defesa e servia como bola de segurança. A realidade será diferente aos merengues. Outro que também teve sua ausência sentida foi Zinedine Zidane. Julen Lopetegui mudou certos detalhes em relação ao seu antecessor e não foi bem nas substituições. Será um desafio manter o nível de competitividade em relação aos últimos anos.

Por outro lado, o Atlético de Madrid sai com o moral bastante elevado. Não manteve o ritmo durante todo o tempo, mas foi superior em boa parte do jogo e possui um estilo consolidado com Diego Simeone. Depois das dificuldades encontradas na temporada passada, muito por conta das limitações no mercado de transferências, os colchoneros pegaram embalo no primeiro semestre de 2018 e ganharam força, não apenas pelos jogadores que continuam, mas também pelos reforços que trouxeram. Em momento de dúvidas sobre Real Madrid e Barcelona, as certezas permitem os rojiblancos sonharem. A Supercopa já se tornou real.

Ficha técnica

Atlético de Madrid 4×2 Real Madrid

Local: A Le Coq Arena, em Tallinn (EST)
Árbitro: Szymon Marciniak (POL)
Gols: Diego Costa, 1’/1T; Benzema, 27’/1T; Ramos, 18’/2T; Diego Costa, 33’/2T; Saúl, 7’/1ET; 13’/2ET
Cartões amarelos: Diego Costa, Vitolo, Correa (Atlético); Sergio Ramos, Marcelo, Modric, Ceballos (Real Madrid)
Cartões vermelhos: Nenhum

Atlético de Madrid
Jan Oblak, Juanfran, Stefan Savic, Diego Godín, Lucas Hernández; Thomas Lemar (Thomas Partey), Saúl Ñíguez, Rodri (Vitolo), Koke; Diego Costa (José María Giménez), Antoine Griezmann (Ángel Correa). Técnico: Germán Burgos.

Real Madrid
Keylor Navas, Dani Carvajal, Raphaël Varane, Sergio Ramos, Marcelo; Casemiro (Dani Ceballos), Toni Kroos (Borja Mayoral); Gareth Bale, Isco (Lucas Vázquez), Marco Asensio (Luka Modric); Karim Benzema. Técnico: Julen Lopetegui.