A Supercopa da Espanha é um título não mais do que simbólico. Poucos torcedores sabem realmente quantas taças o seu time conquistou e mesmo os técnicos não costumam tratá-la com o patamar de uma grande competição. De qualquer forma, o triunfo do Atlético de Madrid também é simbólico. Sobretudo, diante da forma o time de Diego Simeone se impôs contra o Real Madrid, após uma janela de transferências em que os colchoneros perderam nomes importantes e os merengues se fortaleceram ainda mais. A vitória por 1 a 0 do Atleti indica que ainda é possível esperar muito dos atuais campeões espanhóis.

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Afinal, o Atlético se destacou ao longo do último ano mais pelo conjunto do que pelas individualidades. E foi assim que conseguiu superar o galáctico Real Madrid dentro do Vicente Calderón. Por mais que algumas peças essenciais tenham saído, o estilo dos rojiblancos se mantém fiel ao que Simeone vinha praticando desde que chegou ao clube. Com novos astros, é verdade, que foram fundamentais para decidir a partida.

O gol do Atleti saiu logo aos 90 segundos de partida. Em uma bola longa do goleiro Moyá, Mandzukic ajeitou de cabeça, Griezmann deu o passe também cabeceando e deixou livre para o centroavante vencer Iker Casillas. Uma desatenção da desguarnecida defesa do Real que acabou custando caro demais. Porque os blancos pressionaram muito mais durante o primeiro tempo. Moyá precisou operar um milagre, com James Rodríguez e Gareth Bale em chamas. No entanto, os colchoneros seguiam demonstrando aquela que é uma de suas maiores virtudes: a solidez defensiva.

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No segundo tempo, parecia que a situação se complicaria para o Atlético. Carlo Ancelotti deixou sua equipe bem mais ofensiva, substituindo Toni Kroos por Cristiano Ronaldo. Não deu nada certo. O Real Madrid tinha um pouco mais de dificuldade para trabalhar a posse de bola, desorganizado, e se expunha aos contra-ataques do Atleti. Os anfitriões só não marcaram o segundo gol por detalhes, com Raúl García carimbando o travessão e Griezmann infernizando. Aos merengues, não havia nem mesmo a alternativa de Ángel Di María, tão brilhante na última temporada, que sequer foi deixado no banco por estar negociando sua transferência. Sem serem tão ameaçados, os rojiblancos asseguraram o triunfo, suficiente depois do empate por 1 a 1 no Santiago Bernabéu.

O Atlético de Madrid merece todo o respeito pelos feitos da última temporada. E apresenta as credenciais para continuar apontado como um dos favoritos ao título de La Liga e a uma grande campanha na Liga dos Campeões. Já o Real Madrid jogou abaixo do que se espera, mas também está claro que Ancelotti terá certo trabalho para encaixar tantos craques no mesmo time sem prejudicar a defesa – como fez, de maneira tão brilhante, na última temporada. Porque o futebol é um esporte coletivo. E, diante de tantas individualidades, foi o conjunto de Simeone que realmente fez a diferença.