Após a frustração dos Jogos de Barcelona, o Brasil montou a melhor equipe de futebol para a disputa de umas Olimpíadas. Com uma geração prolífica em talentos, Zagallo pôde juntar jovens como Ronaldo, Roberto Carlos, Dida, Juninho Paulista, Flávio Conceição, Zé Elias e Sávio a “veteranos” foram Bebeto, Aldair e Rivaldo.

O favoritismo brasileiro era evidente. Durante a preparação, um vice-campeonato da Copa Ouro (perdendo do México na final), o título do Pré-Olímpico – disputado na Argentina – e uma vitória sobre uma seleção mundial em um amistoso realizado nos Estados Unidos uma semana antes dos Jogos de Atlanta. Apenas a Argentina parecia ter forças para encarar a seleção brasileira. Os platinos estavam com alguns jogadores que formam parte da base atual, com Cavallero, Crespo, Ortega, Zanetti, Almeyda, Chamot, Simeone, Ayala e Gallardo.

Mas toda expectativa sobre a seleção brasileira ruiu na estréia. Com uma falta de desenvoltura absurda, o time não conseguiu levar perigo ao gol do Japão e, em um contra-ataque, Aldari e Dida trombaram e deixaram a bola livre para Ito dar a vitória aos orientais. Na segunda partida, nova trombada entre Aldair e Dida e o Brasil saiu perdendo da Hungria, de volta ao futebol olímpico depois da prata de 1972. Mas Ronaldo, Juninho Paulista e Bebeto garantiram a virada. A classificação veio com uma vitória magra e sofrida diante da Nigéria, 1×0, gol de Ronaldo. Com isso, Nigéria, Brasil e Japão empataram na liderança, com 6 pontos cada seleção. Sul-americanos e africanos passaram pelo saldo de gols.

A Argentina também passou com certo aperto. Após vencer os Estados Unidos e empatar com Portugal, a seleção platina garantiu a classificação com novo empate, contra a Tunísia. Ao lado dos platinos ficaram os portugueses. Estados Unidos ficaram logo atrás, mas estavam fora.

Dos grandes, o único que não superou as zebras foi a Itália. Mesmo com talentos como Pagliuca, Cannavaro, Nesta, Delvacchio e Tommasi, a azzurra ficou em último lugar no Grupo C, com uma vitória sobre a Coréia do Sul e derrotas para México e Gana. Os aztecas surpreenderam e ficaram em primeiro, seguido dos africanos. Só não houve resultados inesperados no Grupo B, em que França e Espanha foram muito superiores a Austrália e Arábia Saudita.

Nas quartas-de-final, o Brasil jogou sua única partida realmente convincente, ao bater Gana de virada (4×2). A Nigéria passou pelo México por 2×0, Portugal precisou da prorrogação para eliminar a França de Pires, Makelele e Wiltord (2×1) e a Argentina arrasou a Espanha de Raúl (4×0), tomando o favoritismo do instável Brasil.

Nas semifinais, o Brasil voltou a enfrentar a Nigéria. Havia um otimismo em torno da seleção verde-amerela após a vitória sobre a própria Nigéria e a boa seleção ganesa. E isso ficou mais acentuado após o gol de fdlávio Conceição no primeiro minuto de jogo. A Nigéria empatou em um gol contra de Roberto Carlos, mas, ainda no primeiro tempo, o Brasil fez 3×1 com Flávio Conceição e Bebeto.

A vaga na final chegava com certa tranqüilidade até que, aos 33 do segundo tempo, Ikpeba diminui a diferença. Os nigerianos começaram a pressionar em busca do empate e, já nos descontos, conseguiram levar a partida para a prorrogação com um gol de Kanu após confusão na área e falha de Dida. Na morte súbita, Kanu marcou novamente e o Brasil estava fora da final.

A outra vaga ficou com a Argentina, que bateu Portugal por 2×0. Com isso, brasileiros e lusitanos disptuaram a medalha de bronze. Em um jogo em que os portugueses pareceram extremamente desconcentrados, o Brasil fez 5×0 sem muita dificuldade. Decepcionada com o terceiro lugar, a seleção nem esperou a final, no dia seguinte, para compor o pódio e receber as medalhas. Recebeu após aquela partida e voltou ao Brasil.

Na decisão, os argentinos estiveram duas vezes em vantagem (1×0 e 2×1), mas cederam o empate para os nigerianos nas duas vezes. Vale dizer que o primeiro gol dos africanos foi duramente contestado pelos platinos por suposto impedimento de Babayaro. Quando o jogo aprecia destinado à prorrogação, Amunike virou para os nigerianos, que conquistaram o ouro.

FICHA TÉCNICA
Nigéria 3×2 Argentina
Local: estádio Sanford (Athens-EUA)
Público: 86.100
Árbitro: Pierluigi Collina (Itália)
Nigéria: Dosu; Obaraku (Oruma), West, Okechukwu e Babayaro; Oliseh, Ikpeba (Amunike), Okocha (Lawal) e Amokachi; Babangida e Kanu
Argentina: Cavallero; Zanetti, Ayala, Sensini e Chamot; Bassedas, Almeyda, Ortega e Morales (Simeone); Claudio López e Crespo
Gols: Cláudio López (3/1º), Babayaro (28/1º), Crespo (5/2º), Amokachi (29/2º) e Amunike (47/2º)

Classificação final: 1º Nigéria, 2º Argentina, 3º Brasil, 4º Portugal, 5º Fraca, 6º Espanha, 7º México, 8º Gana, 9º Japão, 10º Estados Unidos, 11º Coréia do Sul, 12º Itália, 13º Austrália, 14º Tunísia, 15º Arábia Saudita, 16º Hungria.

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