Ganhar em Curitiba não é algo corriqueiro para o Flamengo e Jorge Jesus sentiu isso no seu primeiro jogo no comando do clube. Na Arena da Baixada, dirigiu o time em um empate por 1 a 1 com o Athletico Paranaense na Copa do Brasil, competição que o Furacão terminaria por vencer após eliminar a equipe carioca. Neste domingo, pelo Campeonato Brasileiro, o time comandado pelo português venceu por 2 a 0, conseguiu manter o ritmo forte na liderança e ainda quebrou um tabu de 45 anos sem vitória contra o Athletico em Curitiba, em jogos válidos pelo Campeonato Brasileiro.

O Flamengo não contava com Gabriel Barbosa, o Gabigol, e Rodrigo Caio, ambos na seleção brasileira para jogos amistosos. O lateral Filipe Luís, machucado, não foi relacionado. O Athletico também tinha desfalques. O goleiro titular, Santos, também estava com a seleção brasileira, enquanto Bruno Guimarães estava na seleção olímpica. Jonathan, Robson Bambu, Pedro Henrique e Lucas Halter, machucados, também ficaram fora.

A estratégia do Flamengo foi pressionar o Athletico no seu campo, com marcação alta e intensidade enorme. Isso deixou o time da casa desconfortável e o visitante forçava o erro do adversário. Os cariocas ameaçaram com Arão e Vitinho, em chutes que levaram perigo.

Uma das novidades do Flamengo, o garoto Lucas Silva, teve uma grande chance. Recebeu dentro da área, fintou o zagueiro Léo Pereira e pareceu ter sido derrubado. O árbitro apontou pênalti. Só que ele foi chamado pelo VAR, revisou o lance e voltou atrás: não deu pênalti para o Flamengo.

Depois disso, a pressão seguiu e o Flamengo abriu o placar por causa dela. Com quatro jogadores marcando a saída de bola na área do Athletico, o time forçou o erro. O goleiro Léo recebeu, tocou em Wellington que, pressionado, devolveu ao goleiro. Ele tentou devolver a Weelington e Bruno Henrique interceptou, ajeitou e finalizou: 1 a 0.

O goleiro Diego Alves teve um papel importante na partida. Foram cinco defesas do camisa 1, impedindo que o Athletico marcasse o seu gol. Rony, sempre perigoso, dava muito trabalho aos rubro-negros cariocas. Thonny Anderson, que foi titular, também conseguiu alguns lances de perigo.

Com a pressão do Athletico, Jorge Jesus precisou mexer. Já tinha trocado Rafinha por João Lucas no intervalo por lesão. O lateral precisou ser levado ao médico por um choque na cabeça e suspeita de afundamento do crânio. No início do segundo tempo, o técnico trocou Rhodolfo por Thuler, dando mais velocidade à última linha defensiva. Por fim, já aos 19 minutos, tirou Lucas Silva, um jogador ofensivo, e colocou Piris da Motta, um volante. As mudanças melhoraram o Flamengo defensivamente, que passou a conseguir conter melhor os avanços do Athletico.

Já no final do jogo, Éverton Ribeiro, já muito desgastado em campo, fez uma jogada aparentemente para ganhar tempo, de costas, com a bola virada à linha de fundo e marcado. Só que Renê se apresentou, o meia o encontrou no passe e o lateral foi à linha de fundo. Em cruzamento rasteiro, Bruno Henrique desviou sutilmente e colocou a bola na rede: 2 a 0.

Bruno Henrique, do Flamengo, comemora, observado por Éverton Ribeiro (Alexandre Vidal/CRF)

Foi a quebra de um tabu grande. A última vez que o Flamengo venceu o Athletico Paranaense pelo Campeonato Brasileiro foi no dia 21 de abril de 1974. Naquela edição do Campeonato Brasileiro, o Flamengo venceu em Curitiba por 2 a 1, com gols de Zico e Paulinho. Sicupira marcou para o Furacão.

Se contarmos todas as competições, a última vez que o Flamengo venceu o Athletico em Curitiba foi no dia 24 de agosto de 2011, pela Sul-Americana. Os cariocas venceram por 1 a 0, gol de Ronaldinho. Do elenco atual do Furacão, apenas o goleiro Santos – titular naquela partida – segue no clube. Nenhum jogador do Flamengo daquela época continua no clube.

O Santos empatou com o Internacional em Porto Alegre por 0 a 0 e, assim, fica em terceiro lugar. O Flamengo abriu oito pontos de vantagem na liderança, com 58 pontos em 25 jogos. Mais do que a vantagem numérica, que é grande, mas ainda com muitos jogos pela frente, o que foi importante para o Flamengo foi a sua postura e a forma como enfrentou uma partida difícil como essa.

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