Até quando? Árbitra espanhola teve que pausar jogo depois de ouvir um “vai lavar a louça”

Marta Galego foi vítima de machismo em um jogo de torneio regional. Porém, não abaixou a cabeça diante do insulto

Marta Galego apitava a partida entre Valls e Cambrils Unió, válida pela segunda divisão do torneio regional da Catalunha, quando ouviu a ofensa que mulheres que estão envolvidas com futebol mais costumam escutar: “vai lavar a louça”. A expressão do machismo em seu mais corriqueiro formato vinha da arquibancada, de um torcedor que decidiu proferir o grito sexista ao se irritar com uma decisão da juíza. Seguindo a orientação que recebeu da federação catalã, Marta não deixou o ato de intolerância passar batido. Pausou imediatamente o jogo e só voltou a soprar o apito quando o torcedor já não estava mais dentro do estádio.

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Em janeiro deste ano, o Conselho de Administração da Federação Catalã de Futebol decidiu criar regras para erradicar comportamentos violentos e intolerantes que ocorrem no futebol catalão. Mas foi só em abril que o protocolo das novas normas começou a ser aplicado, a fim de evitar abusos. As regras começaram a ser executadas nas divisões inferiores e, em seguida, foram espalhadas por todas as categorias do esporte na região. Uma das partes do regulamento permite que árbitros façam o que Marta fez na última quarta-feira: interrompam a partida e recorram ao delegado nela presente, para que ele tome as providências cabíveis.

O espectador, que acabou sendo expulso do estádio, é membro da torcida organizada do Valls, time da província de Tarragona. Inconformado com a repreensão que sofreu depois de ter sido um babaca, o torcedor chegou se recusar a deixar do local. Porém, foi embora após três minutos. Quando o jogo recomeçou, o público que ocupava as arquibancadas ovacionou a juíza, aplaudindo-a de pé por ter sido valente e não ter abaixado a cabeça.

A espanhola não é a primeira, não é a segunda, nem vai ser a última mulher no mundo a ter que lidar com esse tipo de situação. Infelizmente. Cabe às autoridades responsáveis pelo futebol em cada canto do planeta terem o bom senso de criar políticas para evitar que esses casos venham à tona. Para que os responsáveis por esses acontecimentos sejam devidamente punidos. E não só em relação a árbitras, bandeirinhas, torcedoras, jornalistas, médicas e outras profissionais do esporte. A intolerância com insultos destinados a homossexuais, negros, imigrantes e etc deve ser zero. Quanto a isso, a federação da Catalunha tem sido um tanto exemplar.

Chamada Trivela FC 640X63