Visivelmente nervoso nas cobranças de pênalti que deram o título da Supercopa da Uefa ao Liverpool, Tammy Abraham, atacante do Chelsea de apenas 21 anos, teve que enfrentar situação ainda pior fora das quatro linhas. Sua penalidade desperdiçada desencadeou uma avalanche de ataques racistas ao jovem jogador no Twitter, ao ponto de a organização antirracismo Kick It Out decidir emitir um comunicado cobrando ação do site e de outras redes sociais em incidentes do tipo.

“Na noite passada, recebemos denúncias de abuso racial a Tammy Abraham nas redes sociais depois da partida do Chelsea na Supercopa da Uefa. Tal abuso está cada vez mais previsível, mas não menos nojento. Enviamos nosso apoio ao Tammy e reiteramos nosso pedido para que o Twitter e outras empresas de redes sociais reprimam abusos desse nível. Isso é um pedido de ação, queremos saber o que elas vão fazer para combater esse perigoso problema”, dizia parte do comunicado.

Pelo menos desde 2015, a Kick It Out tem alertado para o alto índice de abuso discriminatório aos jogadores nas redes sociais. À época, um estudo encomendado pela organização mostrou que os principais alvos dos ataques eram jogadores negros, com Balotelli, que defendia o Liverpool, sendo o atleta individual mais visado. O Chelsea, por sua vez, era o clube cujos jogadores mais recebiam publicações discriminatórias (20 mil posts), com quase o dobro do terceiro colocado, Arsenal (12 mil). Desses ataques em redes sociais, 88% eram feitos no Twitter. Os dados se referiam ao período da temporada 2014/15.

Desde então, não é possível afirmar que as redes sociais, e o Twitter em particular, fizeram o bastante para mitigar a questão. Em fevereiro deste ano, pesquisadores da Universidade de Iowa afirmaram que a rede social de Jack Dorsey não vinha fazendo o suficiente para combater o abuso em sua plataforma e cumprir a promessa de que os diálogos por lá seriam mais saudáveis.