Ataque aéreo do West Brom derrubou o Arsenal e seus 77% de posse de bola

WBA, com seu estilo bem à Tony Pulis, venceu merecidamente: mais finalizações, mais objetividade e com Arsenal incompetente com a bola

Tony Pulis é um técnico que ganhou fama na Premier League por fazer campanhas salvadoras para as suas equipes, que lutam contra o rebaixamento. Seus times não são lá os mais atraentes para se ver jogar, é verdade, mas conseguem ser letais se tiverem a chance. Neste sábado, o West Bromwich deu a bola para o Arsenal mesmo jogando em casa. Viu o time de Arsène Wenger ser incompetente e tratou de aproveitar suas chances, com um ataque aéreo que acabou com a defesa do Arsenal. Resultado: 3 a 1 para o WBA.

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Não foi uma vitória que veio por acaso. O West Brom foi totalmente merecedor do resultado. O Arsenal teve 77% de posse de bola durante o jogo, mas foi de uma ineficiência gigantesca. Para começar, o West Brom foi quem mais chutou a gol: 12 a 10. Se contarmos só os chutes que acertaram o gol, aí vira goleada: 8 a 2 para os Baggies. Dos 10 chutes do Arsenal, cinco foram bloqueados, o que dá um indicativo da boa marcação do time da casa. Foram 737 passes do Arsenal contra 213 do West Brom. Só Granit Xhaka passou a bola 127 vezes. Uma posse de bola inútil para o time de Londres.

Logo a 12 minutos de partida, escanteio de Nacer Chadli, cabeçada de Craig Dawson. Só que a vantagem durou pouco, é verdade: Alexis Sánchez empatou três minutos depois. Um lindo lançamento de Granit Shaka para o chileno dominar, limpar e chutar forte. Foi o placar do primeiro tempo. O panorama do jogo, porém, era claro: o time de Londres time a bola, mas pouco conseguia fazer com ela. O time mandante era perigoso em todos os cruzamentos para a área, bem ao estilo do seu técnico, e em contra-ataques sempre em velocidade.

Mais perigoso, o West Brom chegou ao segundo gol logo a 10 minutos da etapa final. Em um cruzamento de James McClean para a área, o goleiro David Ospina foi mal, a defesa foi pior ainda, a bola sobrou para Hal Robson-Kanu, que finalizou para o gol. Os jogadores do Arsenal reclamara de um impedimento, mas o jogador que estava em posição de completo impedimento não participou da jogada.

Hal Robson Kanu, do West Brom (Photo by Alex Morton/Getty Images)
Hal Robson Kanu, do West Brom (Photo by Alex Morton/Getty Images)

O Arsenal seguia com a bola, mas Sánchez, que sentiu uma lesão ainda no primeiro tempo, pouco conseguia fazer. Não dava para ter a mesma movimentação, mas Wenger o manteve em campo. O time sentia dificuldades para criar jogadas e ficava com a posse de bola de forma inócua. Wenger colocou Olivier Giroud no lugar de Theo Walcott, mas pouco adiantou. O problema continuava.

Tanto que o West Brom que teve uma chance claríssima para ampliar o placar. Robson-Kanu foi lançamento em velocidade, deixou o zagueiro Mustafi para trás na corrida e tentou o toque por cima de Ospina, que fez a defesa. A bola ainda ficou no rebote com o WBA, que não conseguiu mandar para o gol.

O Arsenal escapou desta vez, mas não teve como fugir aos 30 minutos do segundo tempo. Mais um cruzamento de escanteio, desta vez de James McClean, e toque de cabeça de Craig Dawson. Mais um gol de cabeça do zagueiro, que subiu livre. Ramsey, que já tinha falhado na marcação do primeiro gol de Dawson, mais uma vez apareceu marcando absolutamente ninguém. Se com a bola era o melhor jogador do Arsenal, na marcação foi muito mal.

A derrota é pesada para o Arsenal. O time chega a 27 jogos na Premier League e 50 pontos, em quinto lugar. O Liverpool, primeiro time dentro da zona de classificação à Champions League, tem 55 pontos, embora com 28 jogos. Tottenham (2º) e Manchester City (3º) têm 56 pontos. O Chelsea, inalcançável para quase todos os times, tem 66 pontos. O West Brom, por sua vez, chega a 28 jogos e 40 pontos, em oitavo lugar na tabela. Para um time que pensa em lutar contra o rebaixamento, a campanha é ótima.

Com tanta pressão e as más atuações em campo, fica cada vez mais difícil imaginar que Arsène Wenger continuará à frente do Arsenal na próxima temporada. A tendência é, cada vez mais, que o técnico deixe o cargo que ocupa há 20 anos, desde o segundo semestre de 1996. Desde que assumiu, Wenger nunca ficou fora da Champions League. Desta vez, a possibilidade disso acontecer parece cada vez maior.

Arséne Wenger, do Arsenal (Photo by Alex Morton/Getty Images)
Arséne Wenger, do Arsenal (Photo by Alex Morton/Getty Images)