Em um domingo à noite, estádio vazio, decorado com plantações de café e ecoando gritos de jogadores e comissões técnicas, a seleção brasileira sub-23 jogou apenas o mínimo necessário para vencer o Peru, por 1 a 0, na estreia do Pré-Olímpico Sul-Americano, gol de Paulinho, após uma ótima assistência de Bruno Guimarães, espasmo de bom futebol em uma partida sonolenta.

O Brasil tem o melhor time do torneio que vale duas vagas para a Olimpíada de Tóquio e parece saber disso a ponto de não ter se sentido forçado a matar o jogo, mesmo quando o Peru começou a levar algum perigo. O Peru também sabia, tanto que recuou muito as linhas no primeiro tempo, fechou a grande área e deixou o adversário tocar a bola na intermediária.

Robson Bambu apareceu algumas vezes na intermediária para ajudar na construção. Entre os 15 e os 19 minutos, o Brasil criou duas oportunidades. Paulinho recebeu pela esquerda, foi à linha de fundo e cruzou rasteiro. Yuri Alberto pegou de primeira e mandou para fora. Depois, Antony rolou para Bruno Guimarães que, dentro da área, girou batendo e exigiu boa defesa do goleiro Solís.

Guimarães era quem comandava a troca de passes do Brasil, movimentando a bola às vezes com calma demais em busca de uma abertura. O meia do Athletico Paranaense arriscou de fora da área, aos 24, mas pegou embaixo demais na bola.

Antony, atuando pela ponta direita, conseguiu um bom chute colocado de média distância que fez Solís espalmar para o lado. Paulinho tentou pegar o rebote, mas o goleiro peruano se recuperou e ficou com o escanteio.

Aos 39 minutos, Pedrinho achou Paulinho por trás da defesa e o toque na saída do goleiro saiu por pouco. O lance foi posteriormente anulado por impedimento, embora o jogador do Bayer Leverkusen estivesse em posição legal.

A primeira vez que o goleiro Ivan precisou dar uma corridinha foi aos 41 minutos, quando Marcos López cobrou uma falta com a perna esquerda e muita curva que passou perto da trave esquerda do brasileiro.

Aos 43 minutos, enfim, uma abertura. E Bruno Guimarães foi esperto para identificá-la e dar o passe rasteiro na direção de Paulinho. Foi um pouco forte, mas, mesmo sem ângulo e com a pressão de Solís, Paulinho conseguiu colocar a bola na rede.

Duas coisas aconteceram ao mesmo tempo no segundo tempo: atrás no placar, o Peru não tinha motivo para continuar apenas se defendendo; à frente no placar, o Brasil diminuiu o ritmo, criou pouco e passou a sofrer ameaças dos adversários.

Aos dois minutos, Celi levou pelo meio e bateu de esquerda de fora da área, para boa defesa de Ivan. Olivares apareceu livre na entrada da pequena área para cabecear o cruzamento da esquerda, mas não conseguiu direcionar a bola ao gol.

Aos 20 minutos, Matheus Henrique errou no meio-campo, e Olivares recolheu. Avançou e tocou na direita para Rivera. Caio Henrique apareceu na hora certa para bloquear, impedindo que passe chegasse ao meio da área onde provavelmente se tornaria gol.

Na metade da etapa, André Jardine tentou dar uma sacudida na equipe brasileira com duas substituições: Reinier no lugar de Pedrinho, e Igor Gomes na vaga de Matheus Henrique. A tentativa não foi bem sucedida.

Fernando Pacheco, novo reforço do Fluminense, partiu do meio-campo, foi carregando, carregando, carregando e, da entrada da área, chutou mal demais. Foi um pouco melhor, aos 44, fazendo grande jogada pela esquerda e cruzando rasteiro. Olivares antecipou-se a Bambu e quase anotou o gol de empate do Peru.

Que seria um castigo merecido pelo pouco que o Brasil jogou em sua estreia no Pré-Olímpico.