“Eu sai do mais difícil, que foi a morte. Eu a vi. Mas Deus não quis me levar porque tem muitas coisas planejadas para mim. Tenho que brigar pela partida mais difícil que Deus me deu, a de voltar a andar como fazia antes, para poder correr, jogar e lutar como sempre fiz”. Esse foi o uruguaio Alexis Viera, 36 anos,  em uma mensagem aos torcedores em sua conta no Facebook.

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Ele não consegue mais andar porque foi baleado duas vezes em agosto. Teve o pulmão e a vértebra torácica atingidas. O goleiro, sem a partícula “ex”, pois se recusa a permitir que aquele assalto em Cali encerre sua carreira, defendeu as metas do Peñarol, do Nacional, do América de Cali, do Depor, da segunda divisão colombiana, e agora trabalha para o Real Madrid.

Enquanto tenta recuperar o movimento das pernas, recebeu a visita de membros da prefeitura de Cali e da Fundação Real Madrid na clínica Valle del Lili, onde está internado. Foi contratado para trabalhar com cerca de mil jovens nas escolinhas de futebol que o clube espanhol mantém na cidade colombiana. Terá a função de auxiliar os outros treinadores e ser um exemplo para as crianças.

“Era isso que eu queria, ajudar a formar crianças, e isso está acontecendo. Essa benção me deixa muito feliz”, disse Viera, em um comunicado da prefeitura de Cali, de acordo com a agência Efe. “Trabalhar para a fundação do Real Madrid é um sonho que se faz realidade”.

Entre os exemplos que Viera pode passar às crianças, muitas delas carentes, já que as escolinhas do Real Madrid têm também uma função social, vão além da sua bem sucedida carreira de jogador de futebol. Estão também o de perseverar mesmo em momentos de dificuldade, como este que ele está vivendo, e o do perdão. “Muitos perguntam o que ‘Pupo’ Viera pensa do delinquente. Peço apenas que Deus o perdoe. Eu já o perdoei”, encerrou.