Colômbia e Chile se enfrentam nas quartas de final da Copa América pela reafirmação. Seleções tradicionais do continente, veem o torneio como uma chancela ao seu momento. Enfrentaram-se 14 vezes pela competição, em histórico que pende à Roja: são oito vitórias e apenas duas derrotas, além da classificação nas ocasiões mais importantes. Os chilenos avançaram nas semifinais de 1987 e 2016, bem como nas quartas de final de 1999. Após a ótima campanha na fase de grupos, os Cafeteros tentam quebrar este amargo retrospecto. Terão a oportunidade de interromper o ciclo vitorioso dos atuais bicampeões sul-americanos.

Os duelos entre Colômbia e Chile, porém, possuem outros momentos gloriosos além da Copa América. E o jogo desta sexta-feira oferece uma deixa para se resgatar um período simultaneamente importante a ambas as equipes: as Eliminatórias da Copa do Mundo de 1998. Aquela competição marcou o fim da geração dourada dos Cafeteros, antes de sua entressafra posterior. Além disso, deu a maior chance de consagração ao forte ataque da Roja, que recolocou o país no Mundial após 16 anos. Cada encontro no qualificatório guardou uma goleada histórica.

A primeira partida aconteceu em setembro de 1996, pela quarta rodada das Eliminatórias. A Colômbia despontava na liderança, ainda invicta, enquanto o Chile tentava sua recuperação. A torcida cafetera encheu as arquibancadas do Estádio Metropolitano Roberto Meléndez, em Barranquilla. Viu sua equipe manter os 100% de aproveitamento em casa com uma vitória inapelável: 4 a 1, com show de Faustino Asprilla. O centroavante, que se transferira ao Newcastle meses antes, balançou as redes três vezes. Na época, o jornal El Tiempo classificou aquela como a melhor atuação do artilheiro pela seleção. Era um time fortíssimo treinado por Hernán Darío Gómez, que também contava com Faryd Mondragón, Carlos Valderrama e Victor Aristizábal. Já a presença de Marcelo Salas e Iván Zamorano pouco adiantou aos chilenos.

Um cochilo da defesa do Chile permitiu que a Colômbia abrisse o placar logo aos três minutos. Valderrama recebeu livre na esquerda e cruzou com todo açúcar a Asprilla, que vinha em disparada ao meio da área. Cabeçada fulminante do artilheiro, sem chances de defesa a Nelson Tapia. O segundo gol viria aos 31, em mais um cruzamento para Asprilla cumprimentar de cabeça. E pouco antes do intervalo, Jorge Bermúdez já anotava o terceiro, aproveitando uma sobra na pequena área após cobrança de falta de Valderrama. Se os chilenos ainda planejavam uma reação, Asprilla a frustrou na volta ao segundo tempo, com o tento mais bonito da tarde. Aplicou um drible da vaca no marcador, antes de encher o pé. A Roja descontou aos 11, em pênalti convertido por Zamorano, que rendeu a expulsão de Alexis Mendoza. Mas pararia por aí.

 

O reencontro aconteceu em julho de 1997. A Colômbia emendou sete jogos de invencibilidade nas Eliminatórias, mas vinha de quatro partidas em jejum, com três derrotas. Já o Chile não fez um primeiro turno tão bom e precisava de uma resposta no confronto direto com os Cafeteros. Pois, dentro do Estádio Nacional de Santiago, a Roja experimentou a sua doce vingança. Reverteu o placar e também goleou por 4 a 1. Desta vez, com seus craques chamando a responsabilidade para si: Salas guardou uma tripleta, com a cortesia de Zamorano.

O primeiro gol do Chile saiu aos 16 minutos. Falta levantada na área, pane geral da defesa da Colômbia e meta aberta para Salas concluir de cabeça. O segundo veio 11 minutos depois. Francisco Vega deu uma ótima enfiada de bola, Zamorano ganhou na velocidade e tocou cruzado, para conectar com Salas na frente do gol. O matador chegou antes de Mondragón e não teve trabalho para vencer o goleiro. E a tripleta já estava completa aos 41. Em contra-ataque, Zamorano fez um cruzamento preciso e Salas entrou livre para emendar o peixinho. Os Cafeteros até descontaram com Hamilton Ricard no início do segundo tempo, mas Zamorano fecharia a conta cobrando pênalti aos 45. Seria um dos resultados mais emblemáticos do time de Nelson Acosta em sua caminhada rumo à França.

Chile e Colômbia viveriam campanhas distintas na Copa de 1998, com a sobrevivência apenas da Roja às oitavas de final. Mesmo assim, os craques daquela época seguem povoando o imaginário de ambas as seleções. Certamente inspirações à sexta-feira de futebol na Copa América.