Ásia/Oceania

Rivais querem sabotar o Al Hilal após príncipe bancar 65 mil ingressos à final da LC da Ásia

A torcida do Al Hilal vai sendo um dos grandes destaques da Liga dos Campeões da Ásia nesta temporada. Os sauditas lotam o Estádio Rei Fahd com mais de 60 mil pessoas e, não contentes, dão show com mosaicos fantásticos. Para coroar o apoio da massa alviazul, o tradicional clube está próximo do título da competição. Neste sábado, a equipe recebe em Riad o Western Sidney Wanderers, tentando reverter a derrota por 1 a 0 na Austrália. Uma final que vem causando polêmica justamente para saber quem ocupará as arquibancadas.

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Clube mais popular da Arábia Saudita, o Al Hilal é tão odiado pelos adversários quanto é amado por seus seguidores. Entretanto, o time até conseguiu atrair a simpatia de alguns rivais diante das atitudes de seu presidente. Além de pedir orações pela conquista, o príncipe Abdulrahman bin Musa’ad orientou os torcedores de seus clube a fazerem caridade aos pobres. Tanto que, em Sidney, os alviazuis ganharam apoio de outras torcidas do país.

O imbróglio começou a partir de uma benfeitoria do 26º mais rico do mundo. Torcedor fanático do Al Hilal, o príncipe Al-Waleed Bin Talal resolveu premiar a fiel torcida e comprou os 65 mil ingressos da final. Distribuiria entre os membros da família real e também aos fanáticos do clube. O problema é que torcedores de outras equipes sauditas resolveram também ir à sede dos alviazuis para conseguir as entradas, causando a insatisfação daqueles que lotaram o estádio em todas as rodadas.

Diante do entrave, o vice-presidente do Al Hilal se meteu em uma enrascada tremenda ao dar declarações polêmicas sobre a questão (confira o vídeo abaixo). Mohamad Al Hmaidani afirmou que “quem não torcesse para seu clube no domingo seria uma maldição para os próprios pais”. Uma ofensa enorme na cultura árabe, na contramão da simpatia que os alviazuis tinham conquistado até aquele momento. Então, os torcedores rivais prometeram boicotar o altruísmo de Bin Talal, engrossando o coro na torcida para o Western Sidney Wanderers.

Para os australianos, o apoio é excelente. Em Sidney, o clube já tinha recebido em suas arquibancadas faixas e bandeiras do Al Ittihad, arquirrivais do Al Hilal. Agora, deverão contar também com os fãs do Al Nasser e do Al Shabab vestindo suas cores. Da torcida do Western Sidney, mesmo, são esperadas pouco mais de 10 pessoas, diante das dificuldades para conseguir o visto que permite a entrada na Arábia Saudita.

A maior questão, agora, é sobre o comportamento das arquibancadas na final. Para tentar concertar seu erro, o vice-presidente prometeu ingressos VIP, ao lado da família real, para os torcedores mais fiéis que não conseguiram as entradas normais. Sua demissão, entretanto, é considerada questão de tempo. E os mosaicos que empurraram o Al Hilal durante toda a campanha poderão se desfazer justamente quando o clube mais precisará deles.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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