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Team Wellington, o consórcio de clubes amadores que chegou ao Mundial de Clubes

O Auckland City construiu, desde a última década, uma das maiores hegemonias da história das competições continentais. A mudança da Austrália para a confederação asiática abriu caminho aos neozelandeses na Liga dos Campeões da Oceania e nenhum outro clube do país soube dominar a competição como os Navy Blues. Podiam nem sempre faturar a liga nacional, mas ergueram a taça da Champions nove vezes, sendo sete de maneira ininterrupta a partir de 2011. A equipe treinada pelo espanhol Ramon Tribulietx virou figurinha carimbada no Mundial de Clubes e chegou até a disputar as semifinais, em 2014, quando quase complicou o San Lorenzo. Porém, em algum momento a dinastia acabaria. E aconteceu neste ano, com o Team Wellington tomando o trono.

O potencial do Team Wellington já ficava evidente no Campeonato Neozelandês. Da criação do torneio semiprofissional (em 2004/05) até a temporada 2014/15, apenas Auckland City e Waitakere United haviam erguido a taça nacional. Os aurinegros nunca conquistaram a temporada regular, mas apresentaram sua veia copeira com o bicampeonato nos mata-matas em 2016 e 2017. Apenas uma prévia do que viria na competição continental. Depois de três vices consecutivos na Champions, de 2015 a 2017, finalmente o clube da capital rompeu sua sina. Nesta Liga dos Campeões, o TW superou os Navy Blues nas semifinais, antes de atropelarem os fijianos do Lautoka na decisão.

O Team Wellington possui uma história curiosa. A formação do clube veio na esteira da criação do Campeonato Neozelandês, em 2004. Vários times amadores da capital se uniram e formaram um consórcio para impulsionar os aurinegros. O problema é que, apesar da relevância local, o TW nunca foi necessariamente a principal equipe de futebol da cidade. Três anos depois, em 2007, o Wellington Phoenix surgiu como uma franquia local na A-League, o Campeonato Australiano. Assim, as atenções maiores recaíram sobre o recém-fundado time profissional. O Team Wellington se tornou uma espécie de filial do Phoenix, compartilhando até mesmo treinadores. Isso até que o segundo quadro do Phoenix passou a disputar o Campeonato Neozelandês, a partir de 2014.

Neste momento, o Team Wellington já aparecia como o principal perseguidor ao Auckland City na liga, tomando o posto que historicamente foi do Waitakere United. O passo à frente aconteceu em 2016, quando os aurinegros finalmente romperam a hegemonia do Auckland City no Campeonato Neozelandês. Na chamada Grand Final, o TW bateu os Navy Blues por 4 a 2 na prorrogação e ficou com a taça inédita. Já para a temporada seguinte, outra mudança crucial aconteceu no comando técnico, após a inesperada saída de Matt Calcott – que estava à frente do elenco desde 2011. A equipe da capital contratou José Manuel Figueira, jovem treinador que segue na agremiação.

Inglês descendente de espanhóis, Figueira mudou-se à Nova Zelândia quando tinha 21 anos, para aprimorar sua formação como treinador. A partir de então, chegou a trabalhar na base de diversas equipes, incluindo o próprio Auckland City e a seleção neozelandesa sub-17. Já o grande salto aconteceu quando o TW resolveu apostar no promissor comandante, então com 34 anos. Deu certo, especialmente pelos novos métodos de trabalho e pela intensidade imposta no cotidiano de treinamentos. Durante a sua primeira temporada, o novato faturou o bicampeonato do Campeonato Neozelandês, mais uma vez superando o Auckland City na decisão. E a grande façanha aconteceu em maio, com o título da Liga dos Campeões da Oceania.

O Team Wellington segue com a sua estrutura singular. O clube é constituído por oito equipes amadoras de Wellington, além de receber o apoio de outros 14 times de “várzea” da capita neozelandesa. Possui sua própria estrutura e também suas categorias de base, embora o impulso institucional venha dessas pequenas agremiações. O semiprofissionalismo permanece no TW, que conta com alguns poucos jogadores com histórico profissional – destaque ao capitão Justin Gulley (ex-Phoenix) e ao meia Henry Cameron (ex-Blackpool). Outro achado dos aurinegros é Mario Barcia, meio argentino que jogou na base de Newell’s e Independiente, até se aventurar do outro lado do mundo em 2014.

Há uma expectativa de que o sucesso do Team Wellington aumente a competitividade no Campeonato Neozelandês e, assim, impulsione a liga de maneira mais ampla. E a própria Liga dos Campeões da Oceania desfruta da ampliação de seus horizontes, com novas perspectivas aos demais participantes. De qualquer maneira, os aurinegros também ambicionam sua própria dinastia. Os resultados recentes indicam uma equipe em ascensão, que agora poderá aumentar seu investimento com as premiações possíveis pela aparição no Mundial de Clubes. Que uma transformação do incipiente futebol neozelandês ainda dependa de muito mais, o TW está com a história em suas mãos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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