Ásia/Oceania

O início do fim melancólico da carreira de Kewell

Nascido em Sydney (1978), o jovem Harry, com 14 anos, viajou pela Europa com o time do Marconi Stallions (Austrália) para série de amistosos. Ele agradou na Inglaterra e passou por testes de quatro semanas no Leeds United, então na Premier League. Kewell só foi contratado graças a seu pai, que era inglês e tornou possível a emissão do passaporte. Em 30 de março de 1996, aos 17 anos, o atleta fazia sua estreia no time principal, em casa, na derrota de 1 a 0 para o Middlesbrough – atuou duas vezes, menos do que nas seleções de base da Austrália.

Mais espaço

A história do jovem Kewell passou a mudar a partir de 1997/98, quando ele assumiu a camisa 19 do Leeds United, jogando 26 vezes desde o início na Premier League, com cinco gols e 2.359 minutos em campo. Coincidência ou não, a equipe conquistou a quinta posição, indo para a Copa da Uefa. Em 1998/99, o atacante jogou todas as partidas no Campeonato Inglês (38, duas como reserva), quando o Leeds foi quarto colocado, atrás dos Red Devils, Arsenal e Chelsea.

O clube vivia bom momento nas quatro linhas, tanto que começou a frequentar os principais torneios europeus. Na Copa da Uefa 1999/00, o time inglês caiu nas semifinais, eliminado pelo Galatasaray de Taffarel, com Kewell sendo expulso aos 44 minutos do primeiro tempo do jogo da volta (2 a 2). Na Premier League, a equipe alcançou a terceira posição, algo que nunca havia acontecido desde a criação da nova liga inglesa.

Claro, os principais clubes europeus começaram a se interessar, mas o Leeds United rejeitou proposta de £ 25 milhões da Internazionale pelo atleta de 20 anos. O Leeds ainda alcançaria a semifinal da Liga dos Campeões 2000/01, mas nem a jovem estrela foi capaz de impedir a eliminação para o Valencia, da então promessa Pablo Aimar.

A transferência

A partir de 2002/03, o clube começou a enfrentar graves problemas financeiros e não podia mais segurar Harry Kewell e outras estrelas. Na temporada, deixaram o time Rio Ferdinand, Robbie Keane, Robbie Fowler, entre outros, total de £ 52 milhões recebidos, contra gastos de apenas £ 2,7 milhões.

Ao final do ano, o australiano, pretendido por vários clubes (Manchester United, Barcelona, Arsenal, Milan, Chelsea e Liverpool), foi negociado com os Reds por £ 5 milhões – o Leeds só recebeu 3 milhões,  já que o restante foi para o bolso do empresário. Enquanto o Leeds era rebaixado, o australiano passou a ser colega de Gerrard, Heskey e Michael Owen, mantendo a titularidade (foram 36 partidas na Premier League, com sete gols e 3.129 minutos em campo).

Passou a disputar grandes partidas, como a fatídica final da Liga dos Campeões 2004/05, no empate heroico do Liverpool sobre o Milan em 3 a 3 no segundo tempo, após estar perdendo a três gols no intervalo. Kewell, porém, deixou o campo aos 23 minutos do primeiro tempo, vaiado pelos torcedores, certos de que o australiano fingia contusão para deixar o campo – descobriu-se depois que ele jogara machucado. Na temporada, Harry Kewell foi muito mal tecnicamente, tendo marcado apenas um gol em 31 partidas no ano, sendo oito como reserva.

A decadência

Com o passar dos anos, o atleta começou a sofrer muitas contusões e já não conseguia manter a titularidade. Quando melhorava a forma física, o australiano era convocado para a seleção e voltava contundido. O espaço de Kewell no Liverpool foi diminuindo e ele chegou até a jogar no time de reservas a fim de entrar em forma.

Nas duas últimas temporadas com a camisa vermelha (2006/07 e 2007/08), o jogador entrou em campo apenas 18 vezes. Aos 29 anos, sua despedida do time ocorreu em 16 de fevereiro de 2008, na surpreendente eliminação do Liverpool pelo Barnsley, na Copa da Inglaterra, quando ele entrou no segundo tempo. Um triste fim para um clube que apostou alto num atleta talentoso, que em cinco temporadas atuou 139 vezes, com 16 gols marcados, custo de US$ 331 mil por jogo – somados valor de compra e salários. A título de comparação, nos oitos anos de Leeds, Kewell atuou 236 vezes, com 60 gols anotados.

Sem clube, ele decidiu aceitar a proposta do Galatasaray, que consistia em dois anos de vínculo. Num futebol de nível inferior, Kewell se sobressaiu, marcando mais gols – foram 12 em 35 jogos (2008/09) e dez em 20 partidas na temporada seguinte. Ele também ajudou nos torneios europeus, mas o Galatasaray não tinha força para ir muito longe.

Ao final dos dois anos de contrato, o Gold Coast United (Austrália) quis Harry Kewell, mas o atleta de 31 anos preferiu continuar na Europa e renovou por mais um ano com os turcos. Após apenas sete gols em 26 partidas e o oitavo lugar na liga, Kewell percebeu que chegara a hora de voltar à terra natal… Em várias semanas de especulação em times da A League, o atleta fechou com o Melbourne Victory em 20 de agosto/2011, por três anos.

Foi uma festa ter uma estrela internacional de volta à terra natal, mas Kewell não correspondeu à altura (foram oito gols em 25 jogos), tanto que ao final de 2011/12 deixou o Melbourne, especulado no Newcastle Jets (Austrália). Após um ano sem atuar (de 24 de março/2012 até 6 de abril/2013), lá estava o veterano no Al Gharafa (Catar), mas não como atração… Por causa da contusão de Mark Bresciano, Kewell foi contratado para ocupar sua vaga até o final da temporada 2012/13. Após três jogos e um gol, o australiano voltou para a terra natal, em apenas 12 dias no Catar – o contrato era de seis semanas.

Aos 34 anos, Harry Kewell insiste em adiar o fim da carreira e agora vai vestir as cores do Melbourne Heart, nono colocado de dez times na A League 2012/13. Com 484 jogos e 114 gols como profissional, espera-se um 2013/14 deprimente para aquele que já alegrou torcedores de Leeds e Liverpool… Porque não parar de uma vez?

Curtas

– Kewell será treinado por um antigo companheiro de seleção. Aos 37 anos, John Aloisi jogou seis vezes com ele, sendo três partidas da Copa de 2006, uma delas contra o Brasil. Kewell ainda atuou no Mundial 2010 e nas eliminatórias 2014, sendo seu último jogo com a camisa da Austrália em 2 de junho/2012, na derrota para a Dinamarca (2 a 0) – foram 57 convocações, com 17 gols, desde 1996. Apesar de poder ser chamado, Holger Osieck, técnico dos Socceroos, não deve levá-lo para o Mundial 2014.

– O atleta já enfrentou o Melbourne Heart, seu novo clube, em três oportunidades, com a camisa do rival Melbourne Victory. Não venceu nenhuma partida (dois empates), ficando 241 minutos em campo e como titular, sem marcar gols.

– Se estiver em condições físicas de estrear pelo Melbourne Heart na primeira rodada do Campeonato Australiano (12 de outubro/2013), Kewell encerrará período de quase seis meses de inatividade. Justamente no clássico com o Victory.

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