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New Radiant, o time que dá esperança às Ilhas Maldivas

O ranking da Fifa deixa claro: 159ª posição, atrás de Lesoto, Bangladesh e Mianmar. A seleção de Ilhas Maldivas está longe de frequentar os estádios mais luxuosos do mundo. Apenas uma posição acima de São Tomé & Príncipe, os maldivos começaram a disputar eliminatórias na França 1998, numa estreia avassaladora, com 17 gols… A favor do Irã.

Ilhas Maldivas ainda levaria duas goleadas de 12 a 0 para a Síria, terminando os seis jogos com derrotas, nenhum gol marcado e incríveis 59 contra – o Quirguistão completou a chave. A primeira vitória veio no qualificatório para a Coreia do Sul/Japão, 6 a 0 sobre Camboja, mas 10 a 1 a favor da China.

A primeira goleada dos maldivos veio em 2006, 12 a 0 contra a Mongólia, na fase preliminar. Pelo Grupo 7, lanterna com quatro pontos, mas sem grandes placares adversos. No total, a equipe tem 24 jogos em eliminatórias, com cinco vitórias, dois empates e 17 derrotas, 28 gols a favor e 95 contra, incluindo os reveses contra o Irã, no qualificatório para o Brasil 2014. Porém, nem tudo é ruim no futebol das Ilhas Maldivas, como bem mostra o New Radiant na AFC Cup 2013…

Sucesso

Um dos times que mais cede jogadores à seleção nacional, o New Radiant lidera a lista, com oito nomes, seguido pelo Maziya, com sete. Entretanto, o principal clube na Dhivehi League é o Valencia, que divide espaço com o VB Sports Club na coleção de troféus, com cinco, contra três do adversário.

Desde 2006, data da primeira edição do atual campeonato, o New Radiant tem apenas duas taças, mas desfila como o atual melhor clube do país no exterior. Principalmente na AFC Cup, espécie de segunda divisão dos torneios na Ásia, como a Liga Europa para a Uefa ou a Copa Sul-Americana para a Conmebol. Na estreia do país, Valencia e Island foram lanternas em suas chaves, longe da classificação à etapa seguinte.

O oposto do que alcançou o New Radiant em 2005. No Grupo E, a equipe ficou em segundo lugar, atrás do Home United (Indonésia), superando Pahang (Malásia) e Happy Valley (Hong Kong). Nas quartas de final, o Al Hussein (Jordânia) não foi exitoso em marcar gols nos maldivos, que alcançaram as semifinais do torneio continental, caindo diante de outro jordaniano, o Al Faisaly, por 5 a 2 (duas partidas).

Até hoje, a campanha de 2005 é a melhor de um time de Ilhas Maldivas em competições asiáticas. Nem o próprio New Radiant chegou perto de repetir o feito, ficando na lanterna em 2007. Os adversários nacionais sequer ameaçaram – o melhor resultado desde então é de 2010, quando o VB Sports foi terceiro no Grupo G, a dois pontos do Muangthong United (Tailândia).

Futuro em pauta

Na AFC Cup 2013, New Radiant e Maziya representaram Ilhas Maldivas, mas apenas o primeiro se deu bem. Na chave F, a equipe faturou a liderança, somando 15 pontos, à frente de Yangon United (Mianmar), Sunray Cave (Hong Kong) e Persibo Bojonegoro (Indonésia), com 20 gols anotados e apenas quatro sofridos – houve até goleadas de 7 a 0 sobre os indonésios, fora de casa, e 6 a 1, em seus domínios.

Nas oitavas de final, em partida única, 8 mil torcedores acompanharam direto do estádio Nacional Galolhu (11.850 lugares), em Male, capital do país, a vitória do New Radiant sobre o Selangor (Malásia), com dois gols no tempo extra – o adversário das quartas de final será conhecido em sorteio em 20 de junho. Mas é fato que o New Radiant está perto de igualar a campanha de 2005 nos próximos dias 17 e 24 de setembro, data dos jogos de ida e volta.

Os gols que colocaram o New Radiant nas quartas de final

Para alcançar tamanho feito, o New Radiant conta com uma geração abençoada. Os 31 jogadores inscritos na equipe, sendo um nigeriano e outro malinês, têm média de idade de 23,3 anos, numa mescla entre experientes e novatos. A maior estrela do time é o atacante maldivo Ali Ashfaq, conhecido como Homem de Ferro do sul-asiático e principal artilheiro da seleção, com 26 gols – é o maior atleta do país de todos os tempos. Mas ele não está sozinho…

O zagueiro nigeriano Kingsley Chukwudi foi eleito o melhor jogador da liga nacional, tendo apenas 23 anos. O goleiro Imran Mohamed é considerado o dono da posição na seleção, sendo inclusive capitão do time. Vários jogadores com menos de 20 anos aparecem no elenco principal, alguns com convocações para a seleção sub-21 – o mais novo é o meia Mohamed Mazin, de apenas 16 anos. Quem sabe um bom resultado na AFC Cup 2013 não ajudará o futebol de Ilhas Maldivas?

Curtas

– Na liga nacional 2013, o New Radiant dominou a primeira fase, com sete vitórias em sete jogos, 31 gols marcados e apenas três contra, nove pontos a mais que o Maziya. O VB Sports ficou apenas em sexto (antepenúltimo), com oito. Na segunda fase, que ainda não começou, os oito times jogam em turno único novamente, com os dois últimos sendo rebaixados. Os seis primeiros disputam o troféu, também em jogos de ida.

– O Kuwait tem o maior número de times nas quartas de final da AFC Cup 2013, com Al Kuwait e Al Qadsia, que não poderão se enfrentar nesta fase, por força do regulamento. Al Faisaly (Jordânia), Al Shorta (Síria), Kitchee (Hong Kong), East Bengal (Índia) e Semen Padang (Indonésia) completam os oito times aptos a alcançar a taça. Destes, Al Faisaly e Al Kuwait já foram campeões, ambos em duas oportunidades. A Jordânia é o pais com mais títulos (três), contra dois de Kuwait e Síria. Completam a lista Bahrein e Uzbequistão, ambos com um.

– O atacante espanhol Jordi Tarrés, 32 anos, é cria do Espanyol. Ele defende o Kitchee desde 2010 e tem 11 gols na competição, o topo da artilharia. Al Ashfaq tem oito, na quinta posição.

– Dois brasileiros já foram artilheiros da AFC Cup. Em 2008, Rico, ex-São Paulo, marcou 19 vezes pelo Al Muharraq (Bahrein), o recorde do torneio, criado em 2004. Foram dez a mais que o vice-artilheiro. Em 2010, o controverso Afonso Alves, queridinho de Dunga, fez nove pelo Al Rayyan (Catar).

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