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Kazu reinará pela primeira vez na Copa

Kazu Miura é uma das maiores lendas do início do profissionalismo no futebol japonês. Folclore no Brasil durante a década de 1980, quando chegou ao país com 15 anos e defendeu clubes como Santos e Palmeiras, o atacante voltou ao Japão para se tornar campeão e melhor jogador na primeira edição da J-League, em 1993. Entre 1990 e 2000, a experiência também valeu um lugar cativo na seleção japonesa, da qual é o segundo maior artilheiro da história, com 55 gols em 89 jogos.

Apesar da trajetória duradoura com os Samurais Azuis, “Rei Kazu” nunca tinha disputado uma Copa do Mundo. Até 2012. Aos 45 anos, enfim, terá a chance de participar de seu primeiro Mundial. Não nos campos, onde se consagrou, mas nas quadras. O atacante foi convocado para a Copa do Mundo de Futsal, que se realizará a partir de novembro, na Tailândia. O veterano  poderá até mesmo reencontrar com o Brasil, um dos adversários no Grupo C, ao lado de Portugal e Líbia.

“Disputar a Copa do Mundo é o ápice para o jogador de salão. Estou muito orgulhoso por ter recebido esta chance, que me deixou bastante motivado. Embora seja uma categoria diferente, não se trata de uma ser melhor do que a outra. Disputar uma Copa do Mundo é o meu sonho e o meu objetivo”, apontou, em entrevista à Fifa.

Nos gramados, foram duas tentativas frustradas. Em 1994, o goleador marcou 13 gols nas eliminatórias, mas o Japão ficou a um ponto da vaga nos Estados Unidos. Quatro anos depois, Kazu seguiu implacável e, com 14 tentos, ajudou os nipônicos a carimbarem o passaporte rumo à França. Porém, o ídolo acabou cortado às vésperas do Mundial, em decisão bastante contestada do técnico Takeshi Okada.

A idade avançada não deverá ser atrapalhar Kazu. O veterano continua ativo na J-League 2, com o Yokohama FC. Nesta temporada, disputou 14 jogos (cinco deles como titular) e marcou um gol, ajudando sua equipe a seguir na briga por uma vaga na elite. Sua condição é tão boa que, após cortar dois atletas para a lista final do Mundial, o técnico da seleção de futsal afirmou que a capacidade física foi um dos principais quesitos considerados.

“Eu fiquei surpreso quando fui convidado a jogar pela seleção de futebol. Continuo feliz por reconhecerem as conquistas de minha carreira. Não quero ser um líder, mas mostrar as minhas habilidades em quadra. Quero fazer algo que possa chamar a atenção das pessoas e mudar a história do futebol no Japão”, disse, à época de sua primeira convocação.

O primeiro objetivo de Kazu já foi cumprido. Sua popularidade no Japão continua em alta e deve atrair novos praticantes ao futsal no país. E, apesar do grupo complicada, ainda é possível sonhar com uma inédita classificação dos Samurais para as oitavas de final do Mundial. Com os quatro melhores terceiros colocados avançando no torneio, é bom não duvidar dos novos tronos que o rei possa conquistar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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