Ásia/Oceania

Japoneses atravessam período de adaptação ao futebol europeu

Verdade seja dita: a seleção japonesa não é mais aquele time inocente que entrou em campo na Copa do Mundo 1998, sendo derrotado por Argentina (1 a 0), Croácia (1 a 0) e até Jamaica (2 a 1), em sua primeira participação. Naquela época, todos os jogadores convocados atuavam no ainda obscuro e incipiente futebol japonês.

Passados 15 anos, a realidade nipônica é totalmente distinta – para melhor. No elenco que disputará a Copa das Confederações, Alberto Zaccheroni chamou apenas nove atletas que defendem clubes locais, profunda reformulação na seleção nacional. Os talentos da terra do sol nascente começaram a ocupar espaços nos grandes campeonatos da Europa, mas será que, individualmente, os japoneses estão indo bem? É isso que você vai saber a partir de agora…

Willkommen!

De acordo com o transfermarkt, 148 jogadores do Japão estão espalhados pelas mais variadas ligas do mundo, incluídas divisões inferiores. Cingapura, com a filial do Albirex Niigata em sua liga, tem 35 atletas, o maior número. Nos torneios importantes, os asiáticos de olho puxados estão sendo mais recebidos com willkommen, ou bem-vindo, em alemão.

11 jogadores, totalizando 27,7 milhões de libras (valores de mercado), atuam na Bundesliga, dos quais apenas dois (Takashi Usami, do Hoffenheim, e Genki Omae, do Fortuna Düsseldorf) não vestem a camisa da seleção japonesa. Veja um resumo do que eles aprontaram…

Destaque: Atsuto Uchida, 25 anos, (Schalke 04)

Num time que conseguiu vaga na Liga dos Campeões, mas passou certos apuros na temporada, inclusive com mudança de técnico, foi importante para Uchida ter sido titular na campanha. O atleta jogou 24 partidas na Bundesliga, começando todas entre os 11, com um gol anotado e 2.035 minutos em campo (oitavo com mais tempo do elenco). Somentre em três oportunidades Atsuto Uchida não completou os 90 minutos da partida, num ano não muito diferente de quando foi contratado pelo Schalke, em 2010-11.

Foi bem: Gotoku Sakai, 22 anos (Stuttgart)

Ele nasceu em Nova York, tem dupla cidadania nipônica/alemã e vem em ascensão na carreira. Cria do Albirex Niigata, o jovem Sakai esteve emprestado ao Stuttgart nas duas últimas temporadas, mas agradou tanto na lateral-esquerda que foi contratado em definitivo pelo clube, com contrato até 2016. Nos 27 jogos em que disputou pela Bundesliga, o atleta foi titular, com 2.404 minutos em campo, o quinto jogador do elenco com mais tempo de jogo.

Pode evoluir: Takashi Inui, 25 anos (Eintracht Frankfurt)

O atleta aproveitou a boa fase de seu time, classificado para a Liga Europa, para ganhar espaço. Takashi Inui atua na Alemanha desde 2011-12, quando foi para o Bochum, e está no atual clube desde então. Dos 34 jogos pela Bundesliga, o jovem atleta participou de 33, todos como titular, marcando seis gols, o japonês que mais balançou as redes. No entanto, Inui quase sempre foi substituído no segundo tempo, ficando em campo por 2.648 minutos.

Decepção: Shinji Okazaki, 27 anos (Stuttgart)

Desde que chegou ao clube, em 2010-11, o atacante vem buscando seu espaço, sem se firmar. Em sua terceira temporada, Okazaki marcou apenas um gol em 25 partidas, 14 começando do banco de reservas. Foram apenas 1.009 minutos na Bundesliga, a comprovação de que o atleta foi preterido na equipe principal.  Importante no time japonês, Okazaki ficou devendo no vice-campeão da Copa da Alemanha.

Vale citar: Hiroshi Kiyotake, 23 anos (Nürnberg)

O jovem meia está na segunda temporada na Europa e apareceu na equipe titular em 30 das 31 partidas em que participou, com três gols. Kiyotake ficou 2.562 minutos em campo, atrás apenas de Takashi Inui, entre os japoneses. No entanto, a principal função do atleta foram os passes decisivos: ele deu dez assistências, quatro a menos que Frank Ribéry, líder no quesito.

Welcome!
Shinji Kagawa tem condições de evoluir ainda mais no Manchester United
Shinji Kagawa tem condições de evoluir ainda mais no Manchester United

Apenas três japoneses atuaram na temporada inglesa 2012-13, mas quase nem dá para contar com Ryo Miyaichi, do Wigan, que entrou em campo por meros 49 minutos (quatro jogos). Com menos concorrência pela vaga entre os 11 titulares, o zagueiro Maya Yoshida, do Southampton, foi quem mais partidas disputou.

Dos 38 jogos da equipe, Yoshida esteve presente em 32, apenas um vindo do banco de reservas. O atleta não foi substituído em nenhuma ocasião, o que reflete nos minutos em campo (2.852), o quarto maior do elenco. Mas é inegável que o meia habilidoso Shinji Kagawa, do Manchester United, foi o japonês mais importante na temporada inglesa.

O jovem atleta jogou bem menos que seu compatriota (20 partidas), três vindo do banco de reservas. Kagawa teve bons momentos, como os três gols diante do Norwich City (seis no total), mas ainda não se adaptou totalmente ao futebol inglês, ficando os 90 minutos apenas cinco vezes. O próprio jogador sabe que pode melhorar e espera continuar evoluindo. Tem tempo e qualidade para tal – os dois citados estarão na Copa das Confederações.

Benvenuto!

Yuto Nagatomo também sofreu com lesões, numa temporada a ser esquecida no lado negro e azul de MilãoO único atleta japonês a jogar no Campeonato Italiano foi o lateral-direito Yuto Nagatomo. Como muitos do elenco da Internazionale, ele sofreu com lesões, que atrapalharam seu rendimento na temporada. Foram 25 jogos disputados na liga (de 38), sendo 22 como titular, com bons lances, como o diante do Cagliari.

Por outro lado, contra o Milan ele foi expulso e ficou pouco tempo em campo na temporada (1.964 minutos), o décimo entre os companheiros. Em 2011-12, por exemplo, Nagatomo jogou 35 vezes, com 2.988 minutos dentro das quatro linhas. Mas como o ano foi maluco para os nerazzurri, seu contrato, válido até 2016, está preservado.

Curtas

– Espanha e França ainda não se renderam ao talento nipônico e nenhum clube da primeira divisão decidiu contar com jogadores japoneses em 2012-13. Diferente dos holandeses, com cinco nomes, dentre eles Mike Havenaar, atacante do Vitesse, dono de 11 gols na temporada, em 32 partidas (18 como titular) – ele estará na Copa das Confederações.

– Outro destaque de fora das ligas principais é o habilidoso meia Keisuke Honda, do CSKA Moscou (Rússia). Dos 23 jogos dos quais participou, o atleta foi titular em 21, com sete gols anotados, mesmo número de Hulk, por exemplo. Honda ficou 1.836 minutos em campo (o oitavo do time no quesito), mas foi muito substituído nos jogos.

– Uma curiosidade: há seis japoneses na Letônia, outros cinco em Hong Kong, dois jovens atletas no time B do Kalju Nömme (Estônia), ambos com 18 anos, e até na Moldávia. No total, os nipônicos estão espalhados por 56 ligas, inferiores ou não, exceto na África – na segunda divisão do Uruguai, o zagueiro Kiyotaka Miyoshi veste as cores do Atlético Boston River.

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