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Índia terá estrelas, mas popularização do futebol no país ainda é incerta

Não há nenhuma dúvida de que a Índia vai ser um dos centros das atenções no futebol mundial nos próximos anos. E isso não é nenhum exagero.  Será palco da Copa do Mundo sub-17, um grande teste para a infraestrutura nacional, e ainda vai brigar com o Japão para receber o Mundial de Clubes de 2015/16. A Fifa pretende aumentar a popularidade do esporte bretão no país com mais de 1,2 bilhão de habitantes, e a chegada de várias estrelas certamente vai ajudar nesse sentido.

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A ideia de revolucionar o futebol indiano começou a ser construída em 2010, quando a federação local fechou contrato de 15 anos com a Reliance Industries, conglomerado de comunicação da Índia, além do Internacional Management Group (IMG), com sede em Nova York.  Assim nasceu a IMG Reliance, companhia que passou a deter todos os direitos inerentes ao futebol nacional, como patrocínio, propaganda, televisionamento e propriedade intelectual, numa concentração de poder perigosa. O principal objetivo da empresa é criar condições para que a Índia esteja em campo na Copa do Mundo 2022, por enquanto no Catar.

Eis a proposta a IMG Reliance, que foi aprovada: um novo Campeonato Indiano, chamado de Indian Super League (ISL), com oito equipes de todo o país, mas sem rebaixamento nem promoção – a I League, principal torneio do país, continuará existindo nos moldes atuais, com cerca de dez times, a depender da aprovação das licenças dos clubes, com rebaixamento e promoção. Ou seja, a ISL nada mais é do que um campeonato de exibição, onde cada equipe poderá contratar um jogador famoso.

E a lista realmente contém nomes importantes, embora a maioria deles esteja aposentada ou em final de carreira. Veja alguns dos ex-craques que irão desfilar nos gramados indianos a partir de outubro.

Luis García, 36 anos: o atacante espanhol fez sucesso com a camisa do Atlético de Madrid e estava aposentado desde 2013, quando saiu do Pumas UNAM (México). Ele vai defender o Atlético de Kolkata, franquia que tem participação do Atlético de Madrid, que investe na Índia, logicamente de olho nas futuras jovens promessas indianas.

Joan Capdevila, 36 anos: o lateral esquerdo espanhol fez bastante sucesso com a camisa do Deportivo La Coruña entre 2000/07, mas também teve seus momentos na seleção espanhola, que defendeu entre 2002/11, estando no Mundial da África do Sul. O jogador atuou apenas dez vezes pelo Espanyol na temporada passada, sete como titular. Jogará no North East United.

David Trezeguet, 36 anos: o grande atacante francês brilhou mais de dez anos na Juventus (1999/10), mas sua carreira teve continuidade no futebol argentino, onde começou em 1994. O atleta vestiu as cores do Newell’s Old Boys em 2014, disputando 30 partidas, mas apenas dez como titular, com nove gols. Vai defender o Pune FC, que fez parceria com a Fiorentina.

David James, 43 anos: o atrapalhado goleiro inglês defendeu o Liverpool na década de 1990, mas sua passagem de quatro temporadas pelo Portsmouth é mais lembrada pelos mais novos. Em 2013, o goleiro inglês na Copa do Mundo 2010 jogou pelo modesto ÍBV, da Islândia, onde foi titular absoluto em razão da fragilidade da liga local. David James também foi auxiliar-técnico no ÍBV e na Índia vai jogar no Kerala Blasters, mas não será o jogador-bilheteria do time.

Robert Pirès, 40 anos: o habilidoso meia francês fez história com a camisa do Arsenal durante seis temporadas (2000/06), disputando quase 200 jogos pela equipe londrina. Ele encerrou a carreira em 2011 no Aston Vila, mas aceitou jogar na Índia por três meses. O time ainda não foi definido.

Fredrik Ljungberg, 37 anos: outro atacante que vestiu a camisa do Arsenal, o sueco ficou bem mais tempo (1998/07). Depois, Ljunberg defendeu West Ham United e jogou nos Estados Unidos, encerrando a carreira em 2012, no Shimizu S-Pulse (Japão). Ele ainda não tem time.

Percebe-se claramente que os jogadores considerados famosos são na verdade ex-aposentados de volta à ativa por três meses. Ou seja, não estão em sua melhor condição física, embora tenham tempo para se preparar. Parece muito pouco para alavancar o futebol na Índia, pois a torcida também quer ver bom futebol, não um desfile de celebridades, embora chame a atenção. Pelo menos, cada franquia na Indian Super League é obrigada a contratar 14 jogadores indianos, sendo que quatro deles precisam ser da cidade do time. Cada equipe ainda poderá contar com no máximo sete estrangeiros, além do jogador famoso. O contrato do novo torneio é de três anos e resta saber se haverá tempo hábil para fazer o indiano curtir futebol tanto quanto críquete.

Curtas

– Veja os times que vão participar da ISL: Atlético de Kolkata (Calcutá), Bangalore Titans (Bangalore), Delhi Dynamos (Nova Déli), Kerala Blasters (Cochim), Mumbai City (Mumbai), North East United (Guwahati), FC Pune City (Pune) e um time de Goa, região em que se fala o português, ainda sem nome.

– Após a conclusão da ISL, as equipes profissionais indianas vão se preparar para a I League 2014/15, que começa em dezembro de 2014. Serão dez times e de brasileiro por enquanto apenas o atacante Uilliams, ex-Camaçari e Arapongas, vai jogar com a camisa do Shillong Lajong.

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