Ásia/Oceania

Índia precisa de jogadores famosos mais jovens para a nova liga dar certo

Durante pouco mais de dois meses (outubro a dezembro), atletas famosos voltaram da aposentadoria ou adiaram o fim de suas carreiras para vestir as camisas de oito times indianos, criados especialmente para a nova liga nacional, que não substitui a existente I League nem dá vaga nos torneios asiáticos. Craques da estirpe de Alessandro Del Piero e Alessandro Nesta e bons jogadores como David Trezeguet e Robert Pirès. Mas para sua nova liga dar certo de verdade, precisa conseguir atrair destaques mais jovens e em forma técnica.

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Foram 61 partidas, algumas bastante movimentadas, com a conhecida emoção das fases de mata-mata após uma etapa de classificação. O Atlético de Kolkata, filial do Atlético de Madrid na Índia – os espanhóis estão de olho nas promessas do país –, acabou levantando a taça na primeira edição, ao superar o Kerala Blasters por 1 a 0, em jogo único. Findada a temporada de estreia da Indian Super League, há pontos positivos e negativos, mas o entendimento de que a competição poderá ter novas edições no futuro, com o mesmo apelo de agora. Porém, para os indianos continuarem tendo seus 15 minutos de fama no futebol internacional, os jogadores famosos precisam entrar em campo e protagonizar lances de habilidade.

No primeiro ano, os indianos gostaram da novidade de ver os craques em campo, mesmo que não por muito tempo. O Pune City foi o time de pior público (7.859 torcedores por jogo), resultado muito acima das partidas do Campeonato Brasileiro. O Kerala Blasters levou 49 mil pessoas a cada partida, enquanto o Atlético Kolkata atraiu 45 mil torcedores. Porém, para continuar sendo novidade, a Índia precisará que seus jogadores famosos estejam mais tempo em campo e interfiram positivamente nos jogos. Veja como foi o desempenho de cada um dos considerados marquee players.

Luis Garcia, 36 anos (Atlético Kolkata): o meia espanhol, que se destacou com as camisas de Liverpool e Atlético de Madrid no final dos anos 2000, estava aposentado depois de atuar no Pumas UNAM pela última vez em novembro de 2013. O Atlético de Kolkata teve 18 partidas no torneio, mas Luis Garcia participou de 13, sendo 11 como titular. Parece muito, mas a quantidade de minutos em campo esclarece: apenas 937 minutos, três vezes atuando toda a partida, com oito substituições no segundo tempo. Luis Garcia marcou duas vezes.

David James, 44 anos (Kerala Blasters): o goleiro inglês de três Copas do Mundo e boas performances pelo Manchester City virou treinador e jogador ao mesmo tempo na Índia. Foram 12 partidas disputadas, todas como titular, seis a menos que o time. David James ficou 1.010 minutos em campo, só não atuou os 90 minutos uma vez. Talvez seja porque ele é o técnico e não queria substituir si mesmo por outro companheiro. Sua última partida antes de rumar para a Ásia havia sido em setembro de 2013, pelo modesto ÍBV (Islândia).

Robert Pirès, 41 anos (FC Goa): o craque do time de Zico brilhou no Arsenal até meados dos anos 2000, se aposentando em 2010/11, pelo Aston Villa. Por esta razão, a performance do jogador francês, apesar da inegável habilidade com a bola nos pés, deixou a desejar. Pirès participou de oito partidas, todas como titular, enquanto o FC Goa jogou 16 vezes. Foram apenas 561 minutos em campo, uma vez ficando todo o jogo, sendo substituído por volta dos 20 minutos do segundo tempo.

Elano, 33 anos (Chennaiyin FC): certamente por ser muito mais jovem que os outros marquee players, Elano teve desempenho muito superior. Seu time teve 16 partidas na competição, mas o brasileiro entrou em campo 11 vezes, dez como titular. Nos 828 minutos jogando, Elano só foi substituído três vezes e marcou oito gols, sendo o artilheiro do torneio. Sem dúvida foi o melhor jogador entre os companheiros famosos.

Alessandro del Piero, 40 anos (Delhi Dynamos): após defender o Sydney FC por duas temporadas, pensou-se que Del Piero encerraria a carreira, mas ele decidiu adiá-la em dois meses para jogar na Índia. O craque da Juventus participou de dez das 14 partidas do Delhi Dynamos, cinco como titular, com um gol marcado. Foram 580 minutos em campo, duas vezes completando toda a partida, já sem a mesma importância dos tempos áureos da carreira.

David Trezeguet, 37 anos (Pune City): o atacante francês teve carreira abençoada no futebol europeu, mas quando voltou à Argentina já não tinha a mesma eficiência de outrora. Depois de atuar no Newell’s Old Boys pela última vez em maio de 2014, Trezeguet chegou à Índia com alguma esperança. Não deu muito certo. Das 14 partidas do Pune City, o atleta disputou nove, seis como titular, com dois gols marcados. Foram 521 minutos em campo, quatro jogos ficando o tempo todo, mas duas vezes entrando quando faltavam sete e um minuto para o jogo acabar. O saldo também é negativo.

Fredrik Ljungberg, 37 anos (Mumbai City): o marquee player de pior desempenho disparado. O meia sueco, que brilhou no Arsenal por quase dez anos, tinha encerrado a carreira em 2011, no Shimizu S-Pulse (Japão). E a volta ao futebol começou com contusão logo nas primeiras rodadas. Ljungberg jogou apenas quatro partidas, uma como titular, apenas 168 minutos em ação, ficando de fora quase um mês. Claro, o atleta não ficou nenhuma vez os 90 minutos.

Joan Capdevila, 36 anos (NothEast United): um dos primeiros reforços anunciados, o lateral-esquerdo da seleção espanhola não atuava desde janeiro de 2014 – jogou dois minutos em maio –, mas teve boa presença nos jogos do lanterna do torneio. Capdevila participou de 12 partidas, todas como titular, total de 1033 minutos em campo. Substituído apenas três vezes, sempre na segunda metade da etapa final, o espanhol ficou oito jogos durante todo o tempo.

Outros jogadores famosos

Os times indianos também tiveram outros atletas famosos, mas que não entram na categoria marquee players. E o que se observou acima também se repete…

Alessandro Nesta, 38 anos (Chennaiyin FC): o zagueiro de Milan e seleção italiana chegou no final da primeira fase e pôde atuar três vezes, sendo duas os 90 minutos. Aposentado desde outubro de 2013, quando defendeu o Montreal Impact, talvez Nesta pudesse ter ajudado mais a equipe, que caiu nas semifinais. Foram 237 minutos em campo.

Marco Materazzi, 41 anos (Chennaiyin FC): técnico e jogador ao mesmo tempo, o italiano famoso pela cabeçada em Zidane na final da Copa do Mundo 2006 escalou a si mesmo seis vezes, todas como titular. Foram 471 minutos em campo, duas atuando o tempo todo, com substituições até a metade do segundo tempo.

Mikäel Silvestre, 37 anos (Chennaiyin FC): zagueiro famoso no Manchester United e na seleção francesa, Silvestre parou em maio de 2013, no Portland Timbers (Estados Unidos). O desempenho, apesar da idade, é positivo: 14 partidas, todas como titular, e um gol marcado nos 1.245 minutos em campo. E com um adendo: Silvester só não atuou os 90 minutos duas vezes, chegando a jogar os 120 minutos do jogo de volta das semifinais.

Kostas Katsouranis, 35 anos (Pune City): capitão da Grécia na Copa do Mundo 2014 e dois jogos como titular, até ser expulso, Katsouranis estava ativo na carreira e isso contribuiu para boas performances. O atleta participou de todas as partidas do Pune City, como titular, e ainda marcou quatro vezes. Foram 1.229 minutos em campo e apenas uma substituição, aos 14 minutos do segundo tempo.

Nicolas Anelka, 35 anos (Mumbai City): o veterano atacante, que ainda teimava em jogar na Europa, deixou o West Bromwich Albion em janeiro de 2014. Na Índia, Anelka participou de sete jogos, todos como titular e atuando os 90 minuto. O atleta francês marcou dois gols e ficou 630 minutos em campo, mas já sem conseguir ajudar muito a equipe.

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