Ásia/Oceania

Guia da LC da Ásia

Começou nesta terça-feira a fase de grupos da Liga dos Campeões da Ásia. O nome do torneio, o número de equipes e a fórmula da disputa não escondem que a inspiração vem do homônimo europeu. Porém, os 32 participantes sonham com o título continental para repetir o feito de um clube mais modesto, e que vem da África: o TP Mazembe, da República Democrática do Congo, primeiro clube não europeu ou sul-americano a decidir um título no Mundial de Clubes da Fifa.

A fórmula de disputa já é consagrada há algumas temporadas: 32 clubes divididos em oito chaves com quatro componentes. Porém, não é fácil montar um torneio em um continente tão grande e com tanta diversidade cultural, econômica, política e religiosa. Assim, a AFC (Confederação Asiática de Futebol) procura, na primeira fase, separar as equipes geograficamente.

Quatro grupos são formados exclusivamente por clubes dos países da parte ocidental do continente – conhecidos popularmente por aqui como “mundo árabe”, embora saibamos que essa generalização não é exatamente correta. Os outros quatro grupos são formados por clubes da parte oriental, mais os representantes australianos. Este ano, se juntam a eles o Al-Ain, dos Emirados Árabes, que ganhou, na fase preliminar, a vaga do Sriwijaya, da Indonésia.

As equipes jogam entre si dentro dos grupos em ida e volta, classificando-se os dois melhores de cada grupo para as oitavas de final, que, a exemplo do que aconteceu na edição passada, serão disputadas em jogo único, na casa dos vencedores de cada um dos grupos.

Nas últimas cinco temporadas, o título ficou restrito a clubes do Japão e da Coreia do Sul: Urawa Red Diamonds, em 2007; e Gamba Osaka, em 2008, levaram o título para terras nipônicas. Jeonbuk Hyundai Motors, em 2006; Pohang Steelers e Seongnam Ilhwa Chunma, nas duas últimas edições, foram os campeões vindos da Coreia do Sul.

Segue agora um pequeno guia da competição, para que você possa se familiarizar com cada um dos grupos, e saber das suas possibilidades na Liga dos Campeões.

 

Grupo A

Al-Hilal (Arábia Saudita), Al-Gharafa (Catar), Al-Jazira (Emirados Árabes), Sepahan (Irã)

Da parte ocidental desta primeira fase, este é o grupo que se apresenta mais equilibrado. Apenas o Al-Jazira, time dirigido por Abel Braga, não foi campeão nacional na última temporada (perdeu o título para o Al-Wahda).

Nas suas ligas nacionais, o Al-Hilal segue mantendo a hegemonia na atual temporada, liderando com folgas o campeonato saudita (44 pontos em 18 jogos, oito pontos à frente do Al-Ittihad). Os destaques do time são o sueco Cristian Wilhelmsson, em sua segunda temporada no clube; o experiente sul-coreano Lee Young-Pyo e o atacante Yasser Al-Qahtani, que tem 10 gols na liga saudita.

O Al-Jazira também lidera na sua liga nacional. O time está invicto com 11 vitórias e 13 jogos, 35 pontos ganhos e sete à frente do Bani Yas, supreendente vice-líder. Já o Al-Gharafa está na terceira colocação na liga do Catar, com 31 pontos, quatro atrás do líder Lekhwiya, e ainda sonha com o tetracampeonato nacional. O Sepahan também está em terceiro na liga iraniana, a cinco pontos (e um jogo a menos) de distância do Zob Ahan.

Pelo retrospecto nas competições continentais anteriores, Al-Hilal e Al-Jazira são meus favoritos a passarem para as oitavas.

 

Grupo B

Esteghlal (Irã), Al-Nassr (Arábia Saudita), Pakhtakor (Uzbequistão) e Al-Sadd (Catar)

O futebol iraniano vem ganhando muito destaque no cenário local – o Zob Ahan foi vice-campeão da Liga dos Campeões no ano passado. O Esteghlal vem se mostrando uma das principais equipes do país na atualidade. Foi terceira colocada no último campeonato e está na vice-liderança nesta temporada.

O Al-Nassr estreia na Liga dos Campeões, mas ainda está em segundo plano em relação à Al-Hilal e Al-Ittihad, os dois clubes mais tradicionais da Arábia Saudita. O Pakhtakor é a segunda força do futebol uzbeque e o Al-Sadd chegou à fase de grupos depois de passar, na fase preliminar, pelo Dempo, da Índia.

Esteghlal e Al-Sadd devem passar de fase, apesar do fiasco do time do Catar na última edição da Liga dos Campeões, quando era apontado como um dos favoritos ao título e não passou sequer da primeira fase.

 

Grupo C

Al-Wahda (Emirados Árabes), Persepolis (Irã), Al-Ittihad (Arábia Saudita) e Bunyodkor (Uzbequistão)

Este grupo reúne duas das equipes de maior tradição e com maior torcida do continente: Al-Ittihad e Persepolis. O time saudita foi o último campeão da Liga dos Campeões antes de estabelecido o atual predomínio de japoneses e sul-coreanos no torneio. Em 2005, o time enfrentou o Al-Ain em dois jogos (1 a 1 nos Emirados Árabes e 4 a 2 em Jeddah) e ficou com o bicampeonato, já que, no ano anterior, havia vencido o Seongnam Ilhwa Chunma. Na temporada 2008/09, o time ficou com o vice-campeonato continental.

O Persepolis não disputou a Liga dos Campeões na temporada passada. Este ano, o time comandado por Ali Daei, considerado o maior jogador iraniano em todos os tempos, tenta fazer uma boa campanha, tendo como principal arma o estádio Azadi, com capacidade para 100 mil torcedores.

Contra as duas equipes, que são os meus favoritos para passar de fase, o Al-Wahda (do brasileiro Fernando Baiano), que disputou o Mundial de Clubes em 2010 representando o país-sede, e o Bunyodkor, que tenta se restabelecer depois de uma grave crise econômica, são os azarões.

 

Grupo D

Al-Rayyan (Catar), Emirates (Emirados Árabes), Zob Ahan (Irã) e Al-Shabab (Arábia Saudita)

Vice-campeão e sensação da Liga dos Campeões em 2010, o Zob Ahan é o favorito absoluto do grupo. O time continua em boa fase, lidera o campeonato de seu país e manteve a base da temporada passada. O Al-Shabab conta com os gols do atacante Nasser Al-Shamrani, artilheiro do campeonato saudita, onde o clube faz campanha irregular (quarto colocado, 32 pontos). Na temporada passada, o clube foi semifinalista, perdendo a vaga na decisão pelo saldo qualificado diante do Seongnam Ilhwa Chunma.

Ainda com Paulo Autuori no comando, o Al-Rayyan está na quinta colocação na Qatari Stars League, mesma posição em que terminou a temporada passada. O time dos brasileiros Moisés, Itamar e Rodrigo Tabata está na Liga dos Campeões por conta do título da Copa do Emir no ano passado.

O Emirates estreia na Liga dos Campeões depois de vencer a Copa do Presidente, na temporada passada. O time, aliás, foi rebaixado na liga dos Emirados Árabes e é o único dos 32 participantes da ACL que não está na primeira divisão em seu país, o que significa dizer que o clube é forte candidato a saco de pancadas do torneio.

O Zob Ahan é o favorito a ser o primeiro do grupo, com Al-Shabab e Al-Rayyan disputando a segunda vaga.

 

Grupo E

Jeju United (Coreia do Sul), Melbourne Victory (Austrália), Gamba Osaka (Japão) e Tianjin Teda (China)

A curiosidade deste grupo é que ele reúne apenas vice-campeões nacionais. Ao contrário do que acontece no lado ocidental do continente, as ligas de Japão, China e Coreia do Sul são disputadas em uma só temporada e, em nenhum destes países, o campeonato nacional de 2011 teve início.

Enquanto isso, o Melboune Victory teve encerrada sua participação na A-League 2010/11 na semana passada, na primeira rodada dos playoffs, quando perdeu por 1 a 0 para o Gold Coast United.

O Gamba Osaka é a equipe de mais tradição dentre os quatro do grupo. Além de já ter sido campeã da ACL, em 2008, o time chegou às oitavas nas duas últimas edições. O time é dirigido desde 2002 por Akira Nishino e deve ficar com o primeiro lugar no grupo.

A segunda vaga ficará entre Melbourne Victory e Jeju United, em que pese o time sul-coreano disputar, pela primeira vez, a competição continental. Nestes torneios, em que pese o crescimento – inclusive financeiro – da liga chinesa, os clubes do país ainda vêm acumulando fracassos nos confrontos contra adversários dos três países de melhor retrospecto internacional.

Só para ter uma base de comparação, na temporada passada, apenas o Beijing Guoan – que havia sido campeão chinês em 2009 – passou da fase de grupos na ACL. Somados, os outros três representantes (Changchun Yatai, Henan Construction e Shangdong Luneng, atual campeão chinês) conseguiram apenas três vitórias em 18 jogos.

 

Grupo F

Hanghzou Greentown (China), FC Seoul (Coreia do Sul), Al-Ain (Emirados Árabes) e Nagoya Grampus (Japão)

Dentro do formato estabelecido pela AFC, este é o grupo mais atípico do torneio. A participação do Al-Ain, por si só, causará grandes viagens a todos os envolvidos. Mas a confusão não foi causada, obviamente, pela simples vontade do clube dos Emirados Árabes.

Assim como na Liga dos Campeões da Europa e na Taça Libertadores da América, a ACL tem uma fase preliminar. Na Ásia, em condições normais, oito equipes disputam a fase preliminar, sendo quatro do lado ocidental e quatro, do oriental. Além de representantes de Cingapura, Tailândia e Vietnã (todos do lado oriental) e da India (do lado ocidental), os finalistas da AFC Cup e mais um representante da Indonésia e dos Emirados Árabes, países de melhor classificação no ranking da AFC fechariam os oito participantes da fase preliminar.

Sim, fechariam. Mas não foi isso que aconteceu. Primeiro, a federação de Cingapura desistiu de indicar um participante. O Vietnã foi desclassificado pela AFC, cedendo sua vaga, pela ordem, ao Catar. O Al-Qadisia, do Kuwait, vice-campeão da AFC Cup, não atingiu os critérios estabelecidos pela AFC e também perdeu a vaga. Sendo assim, ficaram apenas seis clubes para os playoffs, sendo quatro do lado ocidental – Dempo (Índia), Al-Sadd (Catar), Al-Ittihad (Síria) e Al-Ain – e dois, do oriental – Sriwijaya (Indonésia) e Muang Thong United (Tailândia).

Um sorteio apontou o Al-Ain para disputar a vaga do lado oriental, e com isso, acabou jogando o time dirigido por Alexandre Gallo para jogar a fase de grupos toda viajando, em média, 6 mil quilômetros por partida fora de casa.
Explicado isso, a lógica aponta para uma classificação sem sustos de Nagoya Grampus e FC Seoul. As duas equipes terminaram a temporada passada em alta, conquistando os títulos em suas respectivas ligas e isso, por si só, as indicam inclusive, como postulantes ao título do torneio.

O Hanghzou Greentown conseguiu o quarto lugar na liga chinesa – e a vaga para a Liga dos Campeões – na última rodada. O time tem como destaque o hondurenho Luiz “El Bombero” Ramirez, há quatro temporadas no clube e há cinco no futebol chinês. Já o Al-Ain, do atacante Elias (ex-Atlético Goianiense) está na zona de rebaixamento da liga dos Emirados Árabes.

 

Grupo G

Cerezo Osaka (Japão), Shandong Luneng Taishan (China), Jeonbuk Hyundai Motors (Coreia do Sul) e Arema FC (Indonésia)

Apesar de ser um clube muito tradicional no Japão, o Cerezo Osaka faz sua estreia na Liga dos Campeões da Ásia nesta edição. O time dirigido por Levir Culpi desde 2007 subiu da J-League 2 em 2009 e foi terceiro colocado da J-League no ano passado, ficando à frente do então tricampeão Kashima Antlers.

Com os brasileiros Martinez e Rodrigo Pimpão, o Cerezo Osaka vai disputar as duas vagas contra o Jeonbuk Hyundai Motors – que chegou às quartas em 2010 – e contra um motivado Shandong Luneng Taishan, campeão chinês e reforçado pelas chegadas do zagueiro Renato Silva e do atacante Obina.

Campeão indonésio na temporada 2009/10, o Arema FC tem tudo para repetir (negativamente) a campanha do compatriota Persipura Jayapura na edição passada da ACL: uma vitória em seis jogos, com 4 gols marcados, 29 sofridos e três goleadas recebidas como visitante (9 a 0 para o Chanchung Yatai, 8 a 0 para o Jeonbuk Hyundai Motors e 5 a 0 diante do Kashima Antlers). Arema e Emirates terão uma disputa particular para saber quem será o pior time da fase de grupos.

 

Grupo H

Sydney FC (Austrália), Kashima Antlers (Japão), Shanghai Shenhua (China) e Suwon Samsung Bluewings (Coreia do Sul)

Este é o grupo aparentemente mais equilibrado do lado oriental do torneio. O Kashima Antlers trata a Liga dos Campeões da Ásia com uma obsessão que podemos comparar com a do Corinthians em relação à Copa Libertadores. O time de Oswaldo de Oliveira nunca foi campeão continental, em nenhum dos formatos. Considerando apenas a Liga dos Campeões, a situação piora: foram quatro participações e o máximo que o Kashima conseguiu foi chegar às quartas de final em 2008.

Maior campeão do futebol japonês desde a implantação da J-League, em 1993, o Kashima conseguiu salvar sua temporada de 2010 literalmente no último jogo, ao vencer a Copa do Imperador – que garantiu a vaga na ACL pela quarta temporada seguida. Na J-League, o time patinou e terminou na quarta posição e foi eliminado em casa pelo Pohang Steelers na Liga dos Campeões ainda nas oitavas. Mesmo assim, o time sempre entra na lista dos favoritos ao título asiático.

O Suwon Samsung Bluewings venceu a FA Cup da Coreia pelo segundo ano seguido e se garantiu na Liga dos Campeões, torneio que venceu em 2005. O time vem de duas temporadas ruins na K-League (10º em 2008, 7º em 2009) e parou nas quartas de final nas duas últimas edições da ACL. O clube conta com os atacantes brasileiros Wando e Bérgson

O Sydney FC foi campeão na temporada 2009/10 da A-League, mas teve péssima campanha no atual campeonato, terminando na antepenúltima posição a fase regular. Dirigido pelo tcheco Vít?zslav Lavi?ka, o time somou apenas 34 pontos, ficando à frente apenas de Perth Glory e North Queensland Fury.

Já o Shanghai Shenhua volta a participar da Liga dos Campeões depois de ter ficado fora no ano passado. É a sexta participação da equipe no torneio desde a implantação do formato atual, em 2002/03. Das cinco vezes anteriores, somente em 2006 o time passou da fase de grupos – e chegou às quartas de final. A esperança de repetir o feito de 2006 passa, obrigatoriamente, pelos pés do colombiano Duvier Riascos, de 24 anos. Revelado pelo América de Cali, o jogador foi o artilheiro da Chinese Super League em 2010 com 20 gols em 28 jogos e, por isso, teve seu empréstimo renovado por mais seis meses junto ao Estudiantes de Mérida, da Venezuela, dono de seus direitos federativos.

Neste grupo, Kashima Antlers e Suwon Samsung Bluewings são os favoritos para a classificação.

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