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Al Hilal e Urawa Red Diamonds farão uma final cheia de tradição na Liga dos Campeões da Ásia

A final da Liga dos Campeões da Ásia está definida. A última semifinal foi disputada nesta quarta-feira, com o Urawa Red Diamonds vencendo por 1 a 0 o Shanghai SIPG, do atacante Hulk. Os dois times empataram por 1 a 1 no jogo de ida. Com isso, os japoneses decidirão o título contra o Al Hilal, da Arábia Saudita, que eliminou o Persépolis, do Irã. Dois times que já conquistaram o título na final, que terá muito peso e duas torcidas muito presentes.

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O duelo entre um time da Arábia Saudita e do Irã, por razões geopolíticas, não pode ser jogado em nenhum dos dois países. No jogo de ida, o mando do Al Hilal foi em Abu Dabi, nos Emirados Árabes. A vitória por 4 a 0 deixou o time com a mão na vaga à final. A volta, nesta terça-feira, foi disputada em Mascate, em Omã. O empate por 2 a 2 levou os sauditas à final.

Dirigidos por Ramón Díaz, ex-jogador e ex-técnico do River Plate, o Al Hilal contou com dois gols de Omar Kharbin para arrancar o empate, depois de ficar duas vezes atrás no placar. O time tem o meio-campista brasileiro Carlos Eduardo, de 28 anos, que embora atue com a camisa 3, é meia ofensivo. Fez carreira em Portugal e ficou conhecido pela excelente temporada pelo Nice em 2014/15, sendo vendido ao Al Hilal depois.

Kharbin, aliás, igualou Hulk como artilheiro da Liga dos Campeões da Ásia com nove gols. O atacante é também da seleção da Síria, mas esteve suspenso no jogo decisivo da repescagem, contra a Austrália, em Sydney. Teve que assistir das arquibancas os companheiros lutarem até o final, mas serem derrotados por 2 a 1 na prorrogação. Tenta, agora, o sucesso em nível continental com o Al Hilal, um dos times com torcida mais apaixonada da Ásia, como já vimos há alguns anos.

Contra um time de Hulk, quem brilhou foi outro brasileiro

O jogo de ida já tinha mostrado que o Urawa Red Diamonds (conhecido apenas como Urawa Reds) tinha levado a melhor. Mesmo jogando na China, os japoneses ficaram com o empate e levaram a vantagem para casa. E no Japão, conseguiram segurar o ímpeto dos chineses e de Hulk, artilheiro do campeonato, para vencer por 1 a 0. O gol? Rafael Silva, outro brasileiro.

Aos 25 anos, Rafael Silva vive a sua primeira temporada atuando por um time grande. Jogou no Albirex Niigata, do Japão, entre 2014 e 2016, chamando a atenção do atual clube. Até aqui, a sua trajetória é excelente, com 17 gols marcados em 35 jogos, somando todas as competições. Contando só a Liga dos Campeões da Ásia, são sete gols em nove jogos.

Jogando em Saitama, o Urawa Reds conseguiu um gol rapidamente. Aos 11 minutos do primeiro tempo, Rafael Silva marcou de cabeça o que acabou sendo o único gol da partida, depois de uma cobrança de escanteio. Assim, leva o time à decisão.

Tradição dos dois lados

O Al Hilal já foi campeão asiático duas vezes. Em 1991, o time saudita venceu outro time iraniano na decisão, o Esteghlal. Depois de empate por 1 a 1 no tempo normal, em decisão de jogo único, os sauditas venceram nos pênaltis por 4 a 3.

O segundo título veio em 2000 em uma decisão contra um time japonês, como será em 2017. Naquela vez, o adversário foi o Júbilo Iwata. Em um  jogaço, o Al Hilal venceu por 3 a 2, na prorrogação. O astro da final foi um brasileiro: Sérgio Ricardo, pouco conhecido no Brasil. Ele fez os três gols, incluindo o que deu a taça à equipe, já no tempo extra.

Desde aquela final, em 2000, o Al Hilal não levanta a taça. O time, com a torcida apaixonada, espera repetir o feito daquela decisão e colocar 70 mil pessoas no estádio King Fahd International, em Riade.

O Urawa Reds conquistou o título há menos tempo. Em 2007, os japoneses decidiram o título contra os iranianos do Sepahan. No jogo de ida, empate por 1 a 1 no Irã, com gol do brasileiro Robson Ponte para os japoneses. Ele era o camisa 10. Na volta, vitória por 2 a 0 em Saitama e título.

O time tinha o brasileiro de origem japonesa Marcos Tulio Tanaka, que jogou pela seleção do Japão, e o atacante brasileiro Washington, chamado por aqui de Coração Valente, que jogou por Atlético Paranaense, Ponte Preta, Fluminense e São Paulo, entre outros. Ainda tinha o zagueiro Nenê, ex-Corinthians, no elenco.

Desta vez, o time só tem um brasileiro, Rafael Silva, além de um remanescente daquele título: o hoje capitão Yuki Abe, que deixou o clube em 2010, jogou pelo Leicester entre 2010 e 2012, até voltar ao Urawa Reds em 2012, onde está até hoje.

O jogo de ida da final será no dia 18 de novembro, em Riad, e no dia 25 de novembro, no Japão. Além do grande objetivo dos dois times, a maior glória da Ásia, o campeão ainda terá i direito de disputar o Mundial de Clubes 2017, nos Emirados Árabes, entre 6 e 16 de dezembro. Não deixa de ser um atrativo, ainda mais depois do Urawa Reds ter dado tanto trabalho ao Real Madrid na edição passada da competição.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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