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Al Ahli e Guangzhou Evergrande: quem vai levar a Liga dos Campeões da Ásia?

Nas oitavas de final, os prognósticos apontavam os favoritismos de Al Ahli Dubai (Emirados Árabes Unidos) e Guangzhou Evergrande (China) para fazer a final da Liga dos Campeões da Ásia 2015. Claro que não era certeza de que os dois times chegariam à decisão, e houve momentos no mata-mata em que emiratenses e chineses estiveram a um fio de sucumbir.

Porém, a força de ambos dentro de campo e o investimento em jogadores de ótima qualidade (para os padrões do futebol asiático, claro) resultaram na melhor final que a competição poderia ter. As duas partidas decisivas serão disputadas nos próximos dias 7 e 21 de novembro, e o Guangzhou Evergrande tem leve favoritismo, quase imperceptível. Por outro lado, não terá sido nenhuma zebra se o Al Ahli Dubai levantar a taça. Lembrando que o vencedor da Liga dos Campeões da Ásia 2015 tem vaga no Mundial de Clubes da FIFA.

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Curiosidades do Al Ahli Dubai

Fundação – Em 1970, três times da cidade de Dubai juntaram-se para formar o Al Ahli, que significa “Nacional”, em tradução livre. Al Wehdah e Al Shabab uniram-se primeiro, recebendo o Al Najah quatro anos depois.

Títulos – São seis taças da liga nacional, o terceiro maior campeão, com metade das conquistas do Al Ain. Já na Copa nacional, o Al Ahli Dubai é o maior vencedor, com oito troféus, ao lado do Al Sharjah, enquanto na Copa da Liga a equipe tem duas conquistas em sete edições. Por último, são três taças da Supercopa, duas a menos que o Al Ain.

Técnico – O romeno Cosmin Olaroiu tem 48 anos e foi um zagueiro sem brilho – sequer defendeu a seleção. Aposentado em 2000 no JEF United (Japão), atualmente na segunda divisão nacional, ele passou sete anos comandando times romenos, com destaque para o Steaua Bucharesti.

O Al Hilal (Arábia Saudita), time que o Al Ahli Dubai eliminou nas semifinais da Liga dos Campeões da Ásia, foi o primeiro de Cosmin Olaroiu no exterior, quando ele passou a trabalhar no mundo árabe. Mesmo comandando o Al Ahli Dubai desde 7 de julho de 2013, o técnico foi emprestado à seleção da Árabia Saudita na Copa da Ásia 2015, sendo eliminado na fase de grupos, com derrotas para China e Uzbequistão e vitória sobre a Coreia do Norte – perdeu de 4 a 1 para o Bahrein em amistoso. Cosmin Olaroiu voltou ao Al Ahli Dubai após o torneio.

Posição na liga – Na temporada 2015/16, o Al Ahli Dubai jogou cinco partidas, contra sete dos principais adversários, mas soma 15 pontos, no segundo lugar, três atrás do líder Al Ain. Isso mesmo, são 100% de aproveitamento, com 18 gols a favor e apenas cinco contra. O torneio terá 26 rodadas.

Os brasileiros – Avaliado em R$ 164 milhões, o elenco do Al Ahli Dubai tem dois brasileiros que estão fazendo muito sucesso. O atacante Lima (ex-Paysandu, Paraná e Santos), de 32 anos, tem avaliação de R$ 32,3 milhões de acordo com o Transfermakt, mas é melhor ainda dentro de campo: até agora fez 12 partidas e 14 gols em todas as competições. O meia Éverton Ribeiro (ex-Cruzeiro), 28 anos, é valorado em R$ 48,5 milhões e já balançou as redes adversárias oito vezes em 20 partidas na temporada 2015/16.

Campanha – Segundo colocado do Grupo D, o Al Ahli Dubai somou oito pontos, quatro a menos que o Al Ahli (Arábia Saudita), ganhando um jogo em casa e um fora. Nas oitavas da Liga dos Campeões da Ásia 2015, a equipe passou pelo rival Al Ain pelos gols marcados fora de casa (3 a 3), deixou para trás o Naft Tehran (Irã), com um 3 a 1, e fez 4 a 3 sobre o Al Hilal nas semifinais.

Al Ahli Dubai contra chineses – São cinco participações do Al Ahli Dubai na Liga dos Campeões da Ásia, mas a equipe emiratense nunca enfrentou adversários chineses.

Curiosidades do Guangzhou Evergrande

Fundação – O Guangzhou Evergrande nasceu há 51 anos, em junho de 1954, mas tinha status semiprofissional. A equipe se profissionalizou apenas em janeiro de 1993, há quase 23 anos, e, atualmente, os donos do clube são o Grupo Evergrande (60%), que constrói imóveis em toda a China desde 1996, e o Grupo Alibaba (40%), que trabalha com comércio eletrônico e foi fundado em 1999 por Jack Ma, que tem participação minoritária no Grupo Evergrande.

Títulos – Depois de cair para a segunda divisão em 2009 e disputá-la no ano seguinte (são dois títulos do torneio, em 2007 e 2010), o Guangzhou Evergrande passou a jogar a elite e a ser sempre campeão. São cinco taças consecutivas, uma Copa da China e uma Supercopa. Além da conquista da Liga dos Campeões da Ásia em 2013.

Técnico – Luiz Felipe Scolari tem carreira vitoriosa, com títulos importantes, como a Copa do Brasil de 1991 com o Criciúma, o Brasileirão 1996 com o Grêmio e aqueles da passagem brilhante pelo Palmeiras, sendo as duas Copas do Brasil (1998 e 2012) e a Libertadores 1999 os mais notáveis.

Com a seleção brasileira, Felipão tem méritos no pentacampeonato, mas fica a lamentação pela incrível queda no Mundial 2014 diante da Alemanha, além da perda da Eurocopa 2004 com a seleção de Portugal para a zebra Grécia. Após sair do Grêmio em maio de 2015, o treinador assinou com o Guangzhou Evergrande. Não se pode afirmar que a possível conquista da Liga dos Campeões da Ásia seja o renascimento de Felipão, mas pelo menos servirá para dar uma pausa no período de decadência profissional.

Posição na liga – O Campeonato Chinês acabou em 31 de outubro, e o Guanghzou Evergrande é pentacampeão após somar 67 pontos em 30 jogos (19v, 10e, 1d), dois a mais que o Shanghai SIPG. A única derrota foi de 2 a 1 para o Henan Jianye, na quarta rodada, e a equipe teve 71 gols a favor e 28 contra, melhores ataque e defesa.

Os brasileiros – Num elenco que vale quase R$ 163 milhões, os brasileiros têm boa participação nas finanças e dentro de campo. Paulinho (R$ 40 milhões) chegou no fim de agosto e participou de 17 partidas, marcando três gols. Robinho (R$ 18 milhões) desembarcou na China mais tarde e ainda nem atuou na competição continental, tendo três gols em nove exibições na liga chinesa. Portanto, os principais brasileiros do Guangzhou Evergrande são Elkeson (R$ 18 milhões) e Ricardo Goulart (R$ 48,5 milhões). O ex-jogador de Vitória e Botafogo chegou ao Guangzhou Evergrande em 2013 e no ano seguinte teve média de um gol por partida na liga. Nesta temporada, são apenas oito gols em 26 jogos, mas ainda assim tem sido importante.

Já Ricardo Goulart não teve problemas na temporada e é o goleador da equipe, com 27 gols em 40 partidas por todas as competições, o vice-artilheiro da liga chinesa, dois gols atrás de Aloísio “Boi Bandido”, ex-São Paulo. É Goulart, com a ajuda de Paulinho, que tem mais chance de marcar os gols do Guangzhou Evergrande nos dois jogos da final, pois Elkeson vive má fase.

Campanha – O Guangzhou Evergrande foi líder do Grupo H ao somar dez pontos, um à frente do FC Seoul (Coreia do Sul) e com dois a mais que o Western Sydney Wanderers (Austrália). Nas oitavas, sofreu derrota fora de casa para o Seongnam (Coreia do Sul) por 2 a 1, mas conquistou uma vitória por 2 a 0 em seus domínios, com dois gols de Goulart. Já nas quartas, bateu por 3 a 1 o Kashiwa Reysol, no Japão, e encaminhou a vaga, encarando outro japonês (Gamba Osaka) nas semifinais. A vitória de 2 a 1 em casa foi suficiente para o empate sem gols suado e polêmico na volta levar os chineses à decisão.

Guangzhou Evergrande contra emiratenses – São quatro participações do Guangzhou Evergrande na Liga dos Campeões da Ásia, e esta será a primeira vez em que a equipe vai encarar um time dos Emirados Árabes Unidos.

Qualquer um que ganhar o fará de forma merecida, mas, por estar em fim de temporada, pode ser que o Guangzhou Evergrande tenha mais dificuldades físicas. Como o Al Ahli Dubai jogará em casa na ida, uma boa vitória sem levar gols pode encaminhar o título. Mas a aposta ainda é pelo endinheirado Guangzhou Evergrande.

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