Quando Marco Asensio foi chamado por Zinedine Zidane para entrar no jogo contra o Paris Saint-Germain, a situação era bem difícil. Mesmo jogando em casa, o Real Madrid via o visitante criar chances e parecer mais perto de marcar o segundo gol do que sofrer a virada. Foram 15 minutos em campo e o ponta mudou o jogo. Participou diretamente dos dois gols e foi peça-chave para o time merengue sair de campo com uma vitória por 3 a 1 que parecia improvável. Atuação individual de alto nível, mas uma arma bem conhecida e treinada de Zidane – que parece até ter demorado demais para usar.

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O Real Madrid já tinha melhorado sensivelmente no jogo quando Karim Benzema, mais uma vez jogando mal, foi substituído por Gareth Bale. O galês ao menos deu velocidade ao time, deixando Cristiano Ronaldo mais próximo ao gol para decidir. Com Asensio e Vázquez abertos pelas pontas, dois atacantes (Ronaldo e Bale) e o meio-campo com Kroos e Modric pelo meio, o jogo mudou. O Real Madrid passou a atuar em um 4-4-2, com dois jogadores muito ofensivos pelos lados e dois jogadores de muito poder técnico pelo meio. Asensio infernizou a vida de Meunier, que entrou aos 21 minutos do segundo tempo no lugar de Cavani. E o que tinha dado certo até então se tornou uma fraqueza explorada pelo Real Madrid

Zidane já tinha feito algo parecido no fim de semana. No jogo contra a Real Sociedad, no sábado, o Real Madrid entrou em campo exatamente com essa formação que estava em campo naquele momento. Ali, goleou por 4 a 0 ainda no primeiro tempo de forma avassaladora. A alteração pode ter demorado a acontecer, mas o técnico sabia a capacidade que essa formação poderia ter ofensivamente, ainda que corresse mais riscos. Tinha testado, em um jogo, como seria o funcionamento. A quem estava sofrendo, era uma alternativa. E funcionou bem.

Asensio é um jogador que tem ganhado menos minutos do que merece. O ponta começou a temporada voando, atuando muito bem nos jogos da Supercopa da Espanha contra o Barcelona. Depois, perdeu espaço. Ao mesmo tempo, e não necessariamente por isso, o Real Madrid viu seu rendimento cair demais. Entre os motivos para isso está a insistência de Zidane com alguns jogadores que não rendem. Entre eles Benzema.

Enquanto isso, Asensio pede passagem com atuações de muita qualidade, entrando muito nos jogos e dando ao time opções diferentes de jogo. O ponta, que tem tudo para estar na Copa com a Espanha, é o 13º jogador com mais minutos em campo pelo Real Madrid nesta temporada. Dá uma opção de lado de campo que torna o time muito perigoso pelo lado, ao mesmo tempo que o jogador recompõe a linha defensiva. Não por acaso estava próximo à área defensiva quando o time recuperava a bola e era um dos que dava velocidade para que o time fosse perigoso.

O gol da virada aos 38 minutos do segundo tempo, em uma jogada de Asensio pela esquerda que acabou em gol de Cristiano Ronaldo, tocando de joelho após rebote do goleiro Areola, veio justamente em uma jogada de velocidade que o Real Madrid estava armado para fazer pela ponta. O segundo também. Já aos 41 minutos, Asensio mais uma vez trabalhou bem aberto e contou com um movimento muito comum do time madridista: a entrada de Marcelo, lateral esquerdo, pelo meio. Ele fez o terceiro gol, completando como atacante um cruzamento de Asensio.

Na temporada passada, 2016/17, o Real Madrid contou muito com a força do banco de reservas nas conquistas do Campeonato Espanhol e da Champions League, especialmente a primeira. Nesta temporada, o time tem sofrido muito mais e o banco não tem sido decisivo. Nas últimas semanas, o desempenho do Real Madrid, que era sofrível diante do que se esperava, melhorou muito nas últimas semanas. E um dos que tem ajudado nisso é Marco Asensio, como uma das opções de Zidane para mudar os jogos e a formação.

Foi assim mais uma vez em um jogo fundamental às pretensões do time merengue na temporada. Uma derrota em casa, como parecia que poderia acontecer quando o jogo estava 1 a 1 e com o PSG melhor em campo, poderia carimbar o fracasso na temporada. Fora da disputa do título espanhol e eliminado da Copa do Rei, o Real Madrid não pode se dar ao luxo de ser eliminado nas oitavas de final da Champions League. E derrubar o PSG pode ser um ponto de virada para o time, que tenta um tricampeonato no torneio europeu, depois dos títulos em 2015/16 e 2016/17.

A vitória era crucial para o Real Madrid, mas a vantagem de dois gols é muito importante em um duelo parelho como esse. E isso tem a ver com a entrada de Asensio nesta partida. Se a classificação vier, daqui a três semanas, em Paris, o ponta espanhol terá uma grande parcela por isso com essa partidaça em Madri.


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