O ímpeto diante da tela se torna incontrolável, enquanto a mente insiste em revisitar o momento. O dedo inquieto vai em direção ao play e, mais uma vez, os olhos se prendem àquela bola traiçoeira, posta a 11 metros do gol, pronta a determinar a história. Uma história cujo desfecho maldisse Asamoah Gyan, mas ele teima em rever. Em dez anos, segundo as suas próprias contas, já assistiu mais de mil vezes a fatídica cobrança de pênalti. Mais de 11 mil quilômetros o chute percorreu em sua retina. E sempre, para sempre, seu destino será o mesmo: o travessão que, em poucos centímetros de espessura, mede a distância entre dois universos paralelos dentro de uma Copa do Mundo.

Será que um dia a bola entrará? Será que um dia o Gyan em miniatura, transformado em milhares de pixels, perceberá o seu erro antes de cometê-lo e fará diferente? Enquanto isso, a mente não descansa. O Gyan em carne e osso, 34 anos de vida, quase um terço dos anos em penitência, não evita a memória. Sabe que o estampido metálico do arremate negado irá ecoar por quantas décadas mais forem necessárias em sua cabeça, trovão incontornável, marco de seu futuro. Desde então, ao menos, Gyan aprendeu a não ter medo. O brilho tão próximo, que significaria a primeira seleção africana na semifinal de um Mundial, e justo naquele que era o Mundial de todo o continente, não cegou o atacante. Converteu-se em destemor, de quem tem a consciência de que, passe o que se passar, não virá instante pior.

Até chegar à marca da cal no Soccer City, último minuto da prorrogação no duelo contra o Uruguai pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2010, a caminhada de Asamoah Gyan se conduzia através de passos corajosos desde Accra, a capital de Gana. Aos 12 anos, o garoto se juntou às categorias de base do Liberty Professionals. Ainda na adolescência, já atraiu as atenções dos olheiros europeus. E o atacante nem precisou esperar o aniversário de 18 anos para assinar o seu primeiro grande contrato, comprado pela Udinese em 2003. Era o ‘Baby Jet’, apelido que aludia à sua precocidade e à velocidade dentro de campo.

A ascensão de Gyan na seleção ganesa, entretanto, se tornou muito mais importante à sua afirmação do que a trajetória nos clubes. Também em 2003, o garoto estreou pelos Estrelas Negras. Saiu do banco de reservas e necessitou de cinco minutos em campo para anotar um dos gols na vitória sobre a Somália, pelas Eliminatórias da Copa de 2006. O Baby Jet parecia predestinado a envergar a camisa da seleção. Enquanto buscava o seu espaço na Itália, emprestado ao Modena, da segunda divisão, por Gana já se projetava como futura referência. Esteve presente nas Olimpíadas de 2004 e anotou mais três gols nas Eliminatórias, que auxiliaram na classificação inédita do país ao Mundial.

Aos 20 anos, Gyan foi titular em sua primeira Copa do Mundo. Naquela competição, iniciou também sua história errante na marca da cal, como se uma vida pudesse ser resumida a um punhado de chutes frente a frente com o goleiro. Em Colônia, porém, a cobrança do atacante seria bem menos determinante ao que ocorreria depois. Ele havia aberto o placar contra a República Tcheca aos 68 segundos de jogo, no primeiro gol ganês da história das Copas. Já no segundo tempo, quando o árbitro assinalou uma penalidade aos ganeses, o garoto não titubeou ao pegar a bola e encarar Petr Cech. Repleto de coragem, encheu o pé e deslocou o oponente. Viu a bola estalar a trave à sua direita.

O erro não impediu a vitória de Gana, a classificação aos mata-matas e o encontro com o Brasil nas oitavas de final. Asamoah Gyan se despediu da competição contra os brasileiros. Depois de exigir boas defesas de Dida, ironicamente, o atacante acabou expulso ao tentar cavar um pênalti. Bisonhamente se atirou dentro da área, o que lhe rendeu o segundo amarelo aos 35 do segundo tempo. Ainda assim, o jovem deixava o Mundial maior do que entrou.

Asamoah Gyan retornou mais maduro para a sua segunda Copa. Conquistou seu espaço na Udinese e, vendido ao Rennes, se transformou em um dos melhores atacantes do Campeonato Francês. Disputou a Copa Africana de Nações em 2008 e em 2010, anotando nesta dois gols fundamentais para levar os Estrelas Negras à decisão – perdida contra o Egito. Se não tinha a estatura de um Drogba ou de um Eto’o, o camisa 3 chegou ao Mundial de 2010 como a principal figura do melhor conjunto africano.

O próprio discurso de Gyan representava a sua ambição elevada. Ele tratava Gana como um “leão ferido”: uma equipe melhor, mais experiente e faminta por uma grande campanha, algo que se provou desde a fase de grupos. Os Estrelas Negras venceram a estreia contra a Sérvia por 1 a 0. O gol saiu aos 40 do segundo tempo, graças a um pênalti. O artilheiro não sucumbiu à pressão e apenas deslocou o goleiro. No segundo jogo, a Austrália vinha pelo caminho. E depois que os oponentes saíram em vantagem, veja a ironia mais uma vez, o atacante Harry Kewell evitou um gol certo dos ganeses ao espalmar a bola em cima da linha. Uma predição do futuro? Teste bem sucedido a Gyan, que converteu outra cobrança, determinando o empate por 1 a 1.

A derrota para a Alemanha na terceira rodada não impediu a classificação de Gana às oitavas de final. Então, nos mata-matas, Asamoah Gyan se alçou definitivamente como um dos protagonistas da Copa. O empate por 1 a 1 prevaleceu ao final dos 90 minutos contra os Estados Unidos. Os Estrelas Negras teriam que enfrentar sua primeira prorrogação no torneio. Pois em meia hora que costuma ser arrastada entre a angústia e os temores da eliminação, oito minutos bastaram ao atacante. A arrancada na marra, trombando com os zagueiros, se complementou com o chute feroz, a patada do leão, indefensável ao goleiro.

O ineditismo vinha em doses cavalares aos ganeses. Pela primeira vez, estariam nas quartas de final de uma Copa do Mundo, apenas a terceira seleção africana na história a alcançá-las. E o Mundial, cada vez mais, aumentava as expectativas sobre os Estrelas Negras. Gana assumiu um peso de ser anfitriã que não era seu, mas que recaiu sobre os ombros a partir dos mata-matas, quando todos os outros representantes do continente caíram em seus grupos. Honrar o solo africano se tornava questão primordial, diante da torcida que crescia. O Uruguai, adversário de importância histórica maior e buscando religar o elo com um passado de glórias já distante, surgiu como o obstáculo seguinte.

Asamoah Gyan era dúvida para o confronto com os uruguaios. Ao final do jogo contra os Estados Unidos, sentiu uma dor no tornozelo que o tirou dos treinamentos na sequência da semana. Recuperou-se a tempo de aparecer entre os titulares no Soccer City, em jornada que renderia outra provação de 120 minutos.

Gana sofreu durante boa parte do tempo regulamentar. Gyan pouco fez na partida, e foi bem mais útil quando não fez, ao sair do caminho no chute de longe de Sulley Muntari, que deu aos africanos a vantagem no placar. Forlán empatou após o intervalo e, de novo, a prorrogação testaria músculos, pulmões e nervos dos ganeses. Até pintaram raras chances de matar o jogo ali. Os 30 minutos extras, de qualquer forma, seriam reservados à agonia e ao ranger de dentes, sobretudo pelo mundo que desabou no último instante.

A falta apontada a favor de Gana na entrada da área concedeu a oportunidade para o golpe derradeiro. A bola atravessou a área em busca de um escolhido, recompensa dourada para oferecer gozo a uns, lamento a outros. E depois de ser salva em cima da linha uma primeira vez, ela se insinuou a Dominic Adiyiah, garoto de 20 anos que havia se destacado no Mundial Sub-20 meses antes, surgindo como o futuro a Gana. A cabeçada, com o goleiro Fernando Muslera já batido, parecia certeira. Certa esteve apenas nas mãos de Luis Suárez, vilão de Gana e herói do Uruguai, anti-herói das Copas, execrado e exaltado, salvador e ceifador. Seu impulso rendeu a expulsão, ao mesmo tempo que dava sobrevida aos uruguaios.

Gana viu negada a sua primeira chance de assegurar a vaga na semifinal da Copa do Mundo. Teria a segunda, em tiro que serviria para determinar o destino do jogo – o que não era pouco, entre um fim glorioso ou o inferno de mais um punhado de penalidades. E não havia outro nome para aquela cobrança além de Asamoah Gyan. Seriam ele e Muslera, separados por 11 metros, que também separavam dois mundos a Gana.

As reações dos companheiros de Gyan foram as mais diversas após a expulsão de Suárez. A maioria, já comemorava. Gyan não. O camisa 3 manteve a sua frieza dentro da área, a consciência de quem precisava cumprir outra tarefa. Pegou a bola com calma, a botou sob o braço e a ajeitou na marca da cal. Três passos de distância bastariam. E quando ele partiu à cobrança, concentrado em apenas chutar, cometeu alguma falha. Não sabe até hoje se foi excesso de força, ou a maneira como pegou na bola, ou qualquer outra minúcia. O lance que vê e revê, mais de mil vezes, na incômoda certeza que a sorte sempre esbarrará no travessão.

Quando percebeu o erro, Asamoah Gyan imediatamente colocou as mãos na cabeça, primeiro tapando os ouvidos, depois os olhos. Preferia não ouvir os gritos, não ver a comemoração incontrolável dos uruguaios. O risco assumido por Suárez, ao espalmar a cabeçada de Adiyiah, transformou-se em outros tantos riscos a Gyan. No entanto, quando o fel desceu da garganta e a lucidez ressurgiu na mente, o ganês retomou a consciência de que nem tudo estava acabado. Que restaria uma disputa de pênaltis, na qual as chances de ambas as seleções eram iguais.

Haveria um segundo pênalti. Asamoah Gyan não vacilou na hora de reassumir a responsabilidade. “Quis ser o primeiro a bater para que as pessoas soubessem que essa era minha reação. Era o que deveria fazer. Cobrei esse segundo pênalti pensando em minha carreira, em redimi-la. Comentei com um amigo que, se não tivesse batido este pênalti, minha carreira teria acabado”, declarou o atacante, em entrevista à revista espanhola El Enganche, concedida em 2018.

Primeiro ganês a participar da decisão por pênaltis, Gyan pareceu embebido de certa petulância. Se o travessão tinha sido seu carrasco anterior, outra vez ele buscaria o alto. Bateu firme, mirando o ângulo, indefensável a Muslera. Diminuiu um peso sobre Gana e, especialmente, sobre as suas próprias costas. Pensava que aquela bola estufando o topo das redes seria suficiente para injetar motivação em seus companheiros. Uma confiança que, todavia, não se resumiu a todos. Psicologicamente, Gana já tinha perdido.

O goleiro Richard Kingson revelou anos depois que, ante o erro de Gyan, seu cérebro sofreu um apagão. Desconcentrado, desejou ser substituído, mas não podia mais. Não pegou qualquer cobrança. O camisa 10 Stephen Appiah ainda converteu a segunda batida de Gana. Na terceira, o capitão John Mensah mandou uma bola fraca, fácil a Muslera. E mesmo quando Maxi Pereira mirou as nuvens, o garoto Adiyiah voltou a desperdiçar, mais uma vez parado pelo goleiro. Assim, Loco Abreu chegou à quinta penalidade do Uruguai sabendo o que fazer. Calmamente, atravessou o campo e acariciou a bola em direção às redes. Um chute imponderável ao Uruguai, mas esmagador aos ganeses.

Gyan se penitenciou. Afastou-se lentamente dos companheiros no centro do gramado e, quando um deles chegou para acalmá-lo, o repeliu. Queria ficar sozinho, quando tão cheio de pensamentos, que não o deixavam em paz. Desabou no chão, como quem preferisse ser engolido pela terra. E só deixou o gramado do Soccer City quando, enfim, permitiu que outras pessoas se aproximassem. Amparado, chorando compulsivamente, afundado na depressão do sonho trocado por incertezas.

Enquanto muitos culpavam Luis Suárez por seu ato, Asamoah Gyan não apontou o dedo ao antagonista. “Se fosse eu, teria feito a mesma coisa. No último minuto, ele se tornou herói. Ele cometeu um ato ilegal, mas eu agiria igual”, afirmou o ganês, ao Daily Telegraph. Quem não se perdoaria era o próprio Gyan. Embora a cruz não devesse ser apenas sua, passou a carregá-la por onde quer que fosse, pena perpétua de um erro incorrigível.

Durante as primeiras semanas, Gyan permaneceu enclausurado em sua casa. Que muitos ganeses o reconhecessem como herói, sentiu os olhares de ódio se tornarem comuns. Apenas aos poucos é que aprendeu a lidar com o assunto inescapável. De crianças nas ruas ao presidente de Gana, todos começaram a se sentir no direito de cobrá-lo pela falha. “Minha carreira mudou desde o pênalti. Você se pergunta: Quem pensa em mim? Alguém imagina como estou?”, filosofou, à revista El Enganche. “As pessoas estavam furiosas, claro, mas também valorizaram meu papel no torneio. Às vezes, te dizem coisas ruins, mas você deve ignorar. Porque estamos em um mundo livre e o melhor é deixar esta parte e se concentrar no trabalho. É parte do jogo”.

A vida de Gyan, entre idas e vindas, se colocou diversas vezes sobre a marca da cal. Em agosto de 2010, logo após a Copa do Mundo, ele assinou contrato com o Sunderland, e o técnico Steve Bruce confessou que a coragem para bater o segundo pênalti contra o Uruguai foi um fator decisivo na transferência. Ainda assim, o ganês preferia não se atrever novamente. Atravessou quase dois anos sem cair na tentação. Até que ela o possuísse de novo em 8 de fevereiro de 2012.

Gana disputava a semifinal da Copa Africana de Nações. Logo aos seis minutos, o árbitro assinalou um pênalti favorável aos Estrelas Negras. Gyan pediu a bola aos companheiros, não queria deixar a qualquer outro a responsabilidade inerente pela cobrança decisiva. Calmo, outra vez a três passos da bola, tentou ludibriar o goleiro Kennedy Mweene. O tiro raso no canto terminou espalmado. Ao final da partida, Zâmbia anotou o gol da vitória por 1 a 0, que valeu a final.

O novo erro levou Asamoah Gyan a tomar decisões drásticas. Diante da tristeza de sua mãe, prometeu que nunca mais cobraria um pênalti. Além disso, optou por renunciar as convocações. “Primeiramente, é importante que eu ofereça minhas sinceras desculpas ao meu país. Eu não pretendia tomar essa decisão tão cedo na minha carreira. Psicologicamente, estou no nível mais baixo. Como vocês podem imaginar, foi muito difícil para mim perder dois pênaltis tão importantes. Por causa disso, uma pausa para recuperar meus sentimentos me ajudará a voltar mais forte. Eu nunca me recuperei totalmente da Copa de 2010 e, agora, da Copa Africana de 2012. Quero que meu país saiba que eu amo defendê-lo e que eu não seria quem sou sem isso. Peço orações e apoio dos ganeses para me ajudarem a voltar com novas forças”, anunciou na época.

O retorno de Gyan à seleção não demorou tanto assim. Em maio de 2012, voltou atrás em sua escolha e se colocou à disposição dos Estrelas Negras, vestindo a camisa novamente em setembro. Dois meses depois, porém, às vésperas de um compromisso internacional, recebeu a dispensa mais dolorosa de todas. Sua mãe faleceu em Accra, vítima de um acidente de automóvel. Milhares de pessoas estiveram no funeral para apoiar o ídolo.

Amoako Gyan não pôde ver o filho retornando à sua terceira Copa do Mundo, à qual o atacante avançou com sede de revanche. “Eu oro a Deus para que possamos fazer uma grande campanha outra vez. Porque, mentalmente, estou mais preparado para me provar. É muito cedo para dizer o que acontecerá no Brasil, mas é minha ambição mostrar do que sou capaz”, afirmou na época, ao site The National.

Gana não viveu uma boa campanha no Brasil, em meio à disputa interna por causa das premiações aos jogadores. E que a oportunidade de se reerguer tenha acabado cedo, com a eliminação na fase de grupos, Gyan marcou dois gols. Tornou-se o jogador africano com mais tentos na história dos Mundiais. Qualquer um deles, contudo, ignorados à mínima lembrança do maldito pênalti.

Amoako Gyan também não pôde ver o filho manter sua promessa em pé, cruelmente, na Copa Africana de 2015. O veterano até admitia a possibilidade de cobrar um pênalti: “Como atacante e capitão, farei o possível para ajudar o time. Qualquer decisão que tomar levará em conta o interesse da seleção, não os pessoais”. Mas quando chegou a hora, respeitou a memória da mãe. Gana alcançou a decisão e o placar se manteve zerado durante os 120 minutos contra a Costa do Marfim. O técnico Avram Grant guardara uma substituição. E na última bola para fora, nos acréscimos do segundo tempo extra, substituiu o capitão. Do banco, Gyan viu os 11 companheiros partirem à marca da cal, até que o goleiro Brimah Razak desperdiçasse sua batida, entregando a taça aos marfinenses.

A vida de Asamoah Gyan não é feita apenas de dores, cabe dizer. O atacante se tornou um dos jogadores mais bem pagos do mundo desde que deixou o Sunderland. Fez fortuna no Catar, na China, nos Emirados Árabes, na Turquia e na Índia – onde seguia na ativa até o início desse ano. Administra uma série de negócios, entre eles a companhia aérea ‘Baby Jet’. Maior artilheiro da história da seleção ganesa, seguiu conhecendo diversos cantos do planeta. Em outubro de 2016, inclusive, retornou à África do Sul para um amistoso contra a seleção local: “Não é apenas aqui que eu penso sobre o pênalti. Isso tem me assombrado de vez em quando, mas me fez um homem forte. Retornar à África do Sul é especial porque as pessoas demonstraram muito amor”.

Asamoah Gyan não pôde estar presente na Copa do Mundo de 2018, com a queda de Gana ante o Egito nas Eliminatórias, mas disputou sua sétima Copa Africana de Nações em 2019 – quando até havia ameaçado se aposentar da equipe nacional por perder a braçadeira de capitão, mas mudou de ideia após receber um telefonema do presidente da república. O veterano permaneceu no banco de reservas durante a maior parte da competição, em campanha encerrada nas oitavas de final contra a Tunísia. Naquela partida, Gyan entrou em campo durante o segundo tempo e não se atreveu a cobrar um dos pênaltis na disputa que selou a eliminação dos ganeses.

O dinheiro, as viagens e o que mais fosse nunca bastaram para dar um reset na mente de Asamoah Gyan. Ele continua revisitando o pênalti contra o Uruguai anos depois. O ritual se repete, entre o clique no play, os três passos de distância, o chute forte rumo ao travessão, as mãos imediatamente na cabeça.

“Não vi o vídeo uma ou outra vez. Vi mil vezes, no mínimo. Não o evito. Às vezes, sozinho em casa, vejo de novo. Volto ao momento e observo o que se passou. Às vezes, uso esse pênalti para melhorar. Por isso digo que me fez mais forte. Cada vez que salto em campo, penso que já passou o pior da minha vida. Só penso em fazer as coisas bem”, contou, à El Enganche. “Não posso me esquecer do lance. E não creio que esqueça até que Gana se classifique a uma semifinal de Copa. Só quando isso ocorrer eu poderei estar bem. Não sei o que passará no futuro, mas tenho que compensar e me recuperar em outro Mundial. Se não acontecer, devo viver com isso o resto da vida. Talvez tenha que ser meu filho a me resgatar”.

Onze metros, um karma e a eternidade que já dura dez anos.