O Mundial Sub-17 é uma competição importante. O torneio com a chancela da Fifa serve para o desenvolvimento das categorias de base e para o estímulo das seleções. No entanto, nem sempre suas revelações devem ser levadas tão a sério. Ao contrário do Mundial Sub-20, que recebe jogadores mais maduros, o Sub-17 coloca em campo garotos que ainda têm muito o que aprender. Boa parte deles só se destaca pelo desenvolvimento físico precoce e fica pelo caminho na sequência da carreira.

Nos últimos anos, há exemplos para todos os gostos. O Mundial de 2011, por exemplo, deu mostras do talento de Marquinhos, que hoje impressiona a torcida do Paris Saint-Germain. Mas, na época, quem arrebentou foi Souleymane Coulibaly, levado pelo Tottenham e que agora tenta dar certo no Grosseto. Dois anos antes, Neymar e Philippe Coutinho foram coadjuvantes. Mario Götze e Isco jogaram bem, mas caíram nos mata-matas. Os prêmios individuais ficaram com Sani Emmanuel, do time Z da Lazio, e Nassim Ben Khalifa, coadjuvante do Grasshopper.

Mosquito e Alen Halilovic, promessas do Mundial Sub-17 iniciado nesta quinta, darão certo no futuro? Só pela competição, não dá para saber. Para mostrar isso, bolamos três listas a partir das últimas cinco edições: quem brilhou e deu certo; os coadjuvantes que hoje são protagonistas; e os foguetes molhados que não explodiram. Confira:

Brilharam e vingaram

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Marquinhos (Paris Saint-Germain) – Desconhecido até o Sul-Americano Sub-17, o zagueiro corintiano assumiu não só a titularidade, como também a braçadeira de capitão. Foi um dos melhores zagueiros do campeonato e liderou o Brasil até a semifinal, eliminado pelo Uruguai.

Toni Kroos (Bayern Munique) – Era o dono da seleção alemã em 2007: capitão, camisa 10 e artilheiro. O Nationalelf parou nas semifinais, o que não tirou a Bola de Ouro no meia. Na edição seguinte do Mundial, Mario Götze foi seu herdeiro e também foi bem.

Marcelo (Real Madrid) – O craque do time era Anderson, então no Grêmio. No entanto, Marcelo foi fundamental na campanha brasileira até a decisão de 2005, intocável na lateral. O torneio ajudou o defensor a ganhar espaço no Fluminense e, de lá, para o Real Madrid.

Carlos Vela (Real Sociedad) – Tudo bem que o atacante não cumpriu as expectativas criadas após o Mundial de 2005. Mas, artilheiro e campeão, Vela seguiu uma carreira digna depois, ídolo da Real Sociedad. Em situação parecida hoje, Giovani dos Santos era seu grande parceiro.

Cesc Fàbregas (Barcelona) – A Espanha perdeu para o Brasil na final de 2003, mas Cesc Fàbregas teve uma boa consolação ao faturar a Bola de Ouro e a Chuteira de Ouro. Em compensação, os únicos brasileiros que deram certo foram Arouca, Jonathan e Ederson.

Não brilharam e vingaram

Neymar (à esq.) e Coutinho são as principais esperanças de gols da seleção brasileira sub-17

Neymar (Barcelona) – O santista já era visto como o craque absoluto da seleção brasileira. Porém, só marcou um gol no torneio e naufragou com o restante do time ainda na primeira fase de 2009. O time ainda contava com Philippe Coutinho, Casemiro e Wellington Nem.

Stephan El Shaarawy (Milan) – Era o camisa 10 da Itália em 2009, mas só foi titular na estreia na campanha até as quartas de final e não marcou um gol sequer. Hoje, é uma das principais peças no time de Cesare Prandelli.

Rafael (Manchester United) – O lateral direito foi bem na campanha de 2007, tanto que descolou a transferência para a Inglaterra pouco depois. Mas a vedete do time mesmo era seu irmão Fábio, capitão e autor de três gols. Em Old Trafford, o protagonismo se inverteu. Lulinha, que não repetiu no Mundial o desempenho do Sul-Americano, também era do time.

Eden Hazard (Chelsea) – A ‘promissora geração belga’ esteve presente no Mundial de 2005, mas foi lanterna de seu grupo na primeira fase. Hazard era o camisa 10 e pouco fez para salvar o time. Christian Benteke também fez parte da convocação.

Jozy Altidore (Sunderland) – Principal jogador dos Estados Unidos rumo à Copa de 2014, o atacante vivia situação bastante diferente no Mundial de 2005, reserva do US Team que foi às oitavas. Outro companheiro relegado ao banco era Neven Subotic, que hoje defende a Sérvia.

Brilharam e não vingaram

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Sani Emmanuel (Lazio) – O Bola de Ouro do Mundial de 2011 também foi o artilheiro e liderou a Nigéria até a final. O atacante já pertencia a Lazio, mas nunca vingou. Rodou por times menores da Itália e hoje está no elenco reserva dos biancocelesti.

Bojan Krkic (Ajax) – Uma das decepções mais célebres dos últimos anos, Bojan era o craque da Espanha vice-campeã em 2007. O atacante ganhou a Bola de Bronze e estreou no Barcelona dias depois do fim do torneio. A Fúria ainda tinha Fran Mérida, do Atlético Paranaense.

Ramón (sem clube) – Camisa 10 da seleção brasileira no time vice em 2005, o meia saiu do Atlético Mineiro para o Corinthians. Também teve chances no CSKA Moscou e no Flamengo, sem dar certo. Em maio, rescindiu com o Remo. Celsinho é outro flop famoso daquele time.

Evandro Roncatto (Beroe Stara Zagora) – Artilheiro do time campeão em 2003, ao lado de Abuda, foi fundamental na campanha. Em cosequência, se transformou em um mito do Championship Manager. Na vida real, não foi aproveitado pelo Guarani e rodou por Portugal, Chipre e Bulgária.

Freddy Adu (Bahia) – O mito americano atuou no Mundial Sub-17 de 2003, antes de emendar três Mundiais Sub-20 seguidos. Com quatro gols, levou os EUA às quartas. Não tem ficado nem no banco nos jogos do Bahia no Brasileirão.