Uma das tradições televisivas dos Estados Unidos é o programa onde a jornalista, escritora, apresentadora e tia velha profissional Barbara Walters mostra as entrevistas que fez com quem ela considera serem as pessoas mais fascinantes do ano que está chegando ao fim. Claro que a noção de “fascinante” dela é bem americana, ou seja: são as pessoas que mais fizeram sucesso ou que ganharam espaço na mídia por feitos heroicos ou por passarem por grandes sofrimentos.

No ano passado, quando este blog ainda nem existia (e o mundo, consequentemente, era um lugar melhor para se viver) iniciei a minha própria tradição, cuja edição de estreia se encontra aqui. Sendo que o meu olhar de fascínio é aquele mesmo que nos faz não tirar os olhos de uma tragédia, ou não conseguir mudar de canal quando a TV está mostrando algo que é tão ruim, mas tão ruim, que até começa a ficar bom. Com vocês, as pessoas mais fascinantes de 2012. Não necessariamente no bom sentido.

Adriano

Sujeito acostumado a dar tiros no pé, Adriano parece ter terminado 2011 decidido a inovar e se meteu em um inédito caso de tiro na mão. Na mão alheia. E com uma bala nada metafórica. Era natal e o atacante (ou seria ex-atacante?) talvez tenha pedido a Papai Noel para se meter em menos encrencas em 2012. Mentira, ele deve ter pedido para Papai Noel trazer uma cerveja, ao confundi-lo com o dono do boteco (que nem barba tem, veja só). De uma forma ou de outra, o ano que agora termina lhe reservou poucas idas à delegacia: apenas as de praxe, relativas aos esclarecimentos a respeito do caso já citado. Menos ainda foram as visitas a treinos, sessões de fisioterapia e ao campo de jogo.

Por mais que outros tantos se esforcem para tal, Adriano conseguiu alcançar algo quase impossível no meio do futebol: ser demitido por justa causa. Pudera, o rapaz já nem se preocupava em procurar desculpas para faltar aos treinos e disfarçar a demora para entrar em forma. Em quase um ano de Corinthians, foram apenas oito partidas disputadas e dois gols marcados. Poderia agora estar encerrando o ano como campeão da Libertadores e do Mundial. Ou então, teria desestabilizado o ambiente e sabotado o melhor ano da história do Timão. Na dúvida, o corintiano agradece a sua ausência.

Mas dizem por aí que todo mundo merece uma segunda chance. Adriano, por exemplo, já está mais ou menos na décima nona. E foi assim que ele desembarcou na Gávea, em uma tentativa desesperada de Patrícia Amorim de salvar o ano, bem como sua carreira política. Mais do mesmo: o rapaz não aparecia na fisioterapia e estava sempre indisposto para treinar. Alegando problemas pessoais, recebeu folga. Na madrugada seguinte, foi encontrado discursando em um baile funk, dizendo que ama o Brasil, o Flamengo e a favela.

Já diziam os Beatles: o amor que você recebe é igual ao que você dedica. Adriano foi dispensado por justa causa, DE NOVO. Foram apenas 76 dias como jogador do Flamengo e desta vez ele nem chegou a reestrear com a camisa do clube do coração, pelo qual viveu seu último grande momento, na conquista do Brasileiro de 2009. Desde então, só fiascos. Em 2013, na lista dos mais fascinantes, não estará Adriano, mas sim o dirigente que ainda se arriscar a contratar alguém assim.

Subcelebridades, Subsubcelebridades e Subsubsubcelebridades
As subcelebridades do Miss Bumbum foram “fascinantes”

Não é fácil ser subcelebridade no Brasil. A cada ano, uma nova fornada de gente irrelevante se apodera dos sites e revistas de fofoca, tornando esse mercado ainda mais competitivo. Só os mais fortes sobrevivem. No caso, os que se viram melhor na lama. Tomemos como exemplo Geisy Arruda, alçada à fama por trajar um vestido curto e mantida sob os holofotes ao alegar ter uma couve-flor entre as pernas. Em 2011, as estrelas do espetáculo eram Panicats trocando acusações de macumba e alfinetadas. Em 2012, quase ninguém lembra delas. Afinal, para que comentar sobre as gostosas que rebolam toda semana na TV, quando podemos nos preocupar com as gostosas que nem esse status conseguiram?

A nova safra de subsubcelebridades trouxe as concorrentes do Miss Bumbum, as provações que elas passam para manter uma cintura fina e o drama de viver sob a constante vigília da “imprensa especializada” (sexta, no Globo Repórter). Sim, porque, aparentemente, essas moças não podem dar mais um passo sem serem flagradas em poses cuidadosamente selecionadas. Seja trocando de roupa dentro de um carro no estacionamento do aeroporto (quem nunca?), seja se agarrando com a coleguinha de concurso em um iate em alto mar. Para piorar, os ex-namorados de subsubcelebridades começaram a se envolver romanticamente (só por uma noite) com outros do mesmo gênero, criando as novíssimas subsubsubcelebridades. Mal posso esperar para ver onde isso vai parar.

Carlos Nascimento
Carlos Nascimento apresentou o programa “O Maior Brasileiro de Todos os Tempos”

“Luiza já voltou do Canadá. E nós já fomos mais inteligentes”. Foi assim, referindo-se à piada da vez na Internet, em um breve editorial onde também criticava a atenção dada ao suposto caso de estupro no BBB, que Carlos Nascimento encerrou os trabalhos do seu telejornal, passando o bastão para a próxima atração do SBT, o erudito Programa do Ratinho. O jornalista tem lá sua razão em se irritar com o tempo que passamos discutindo bobagens (ou lendo posts deste blog), mas não sempre foi assim? Ou alguém acha que enquanto Jesus ceava com os seus apóstolos, nos cantos da mesa, não rolava a maior fofocada sobre as peripécias de Maria Madalena?

Uma boa dica para quem quer arrotar superioridade sobre os outros é não deixar o seu telhado de vidro à mostra. Ou as portas do seu automóvel destravadas, em uma avenida movimentada de São Paulo, uma cidade que não é exatamente conhecida por ser das mais seguras. E foi assim que Nascimento voltou às manchetes, ao, muito convenientemente, ser brutalmente assaltado por três travestis, que teriam partido para cima dele com “objetos pontiagudos”, nas palavras dele próprio, para delírio dos habitantes das mesmas redes sociais que ele tanto criticou alguns meses antes.

Isso sem contar que coube a ele o papel de apresentador no programa mais genial do ano na TV brasileira, em que os telespectadores do SBT elegeram os maiores brasileiros de todos os tempos, dando a Carlos Nascimento o direito de dizer em alto e bom som que “Dedé do Vasco” já é o 63º cidadão mais importante que esse país já teve (sob essa ótica, eu me pergunto se Anderson Martins não merecia estar entre os 100 também). Nós já fomos mais inteligentes, mas ainda nos metemos em menos roubadas que Carlos Nascimento.

Patrícia Amorim
Patrícia Amorim desfila ao lado de sua aposta, Adriano

Malandro é malandro, mané é mané e Patrícia é Patrícia. O maior defeito da nova geração de dirigentes do futebol brasileiro é que eles se esforçam tanto em parecer malandros, que cada vez mais se expõem como manés. Patrícia Amorim talvez seja o mais bem embalado exemplo dessa tese. A agora ex-presidente do Flamengo até tentou ser malandra, como na ocasião em que se mexia para contratar Joel Santana, enquanto Luxemburgo ainda esquentava a cadeira de treinador. Mané que é, foi descoberta antes da hora. Luxa, que também foi mané nesse caso, seria malandro mais para a frente, ao fazer campanha pela reeleição de Patrícia já pensando em, no futuro, ser o sucessor dela. Perderam, manés.

Malandro que se preze tem de saber preservar a própria imagem de esperto, aquele jeitão de que sempre vai sair por cima de qualquer situação. Madame Amorim sempre transpareceu desespero na hora do aperto. Foi assim quando Thiago Neves se mandou para o Fluminense e ela deu chilique, cobrando ética de um jogador que não tinha mais contrato com o Flamengo. Foi assim quando Patrícia até fez trancinhas no cabelo para saudar a chegada de Vágner Love, um papelão ainda não igualado por dirigentes basileiros (já pensou o Juvenal Juvêncio de trancinhas?). Foi assim quando ela ameaçou processar o Palmeiras que, supostamente, teria assediado Ronaldinho Gaúcho.

O dentuço cobrou na Justiça o que o Flamengo não conseguiu lhe pagar e se mandou para o Atlético Mineiro. Não se sabe se foi só para irritar Patrícia, mas ele voltou a jogar bola e comandou o Galo na conquista do vice-campeonato. Enquanto isso, a presidente sucumbia ao pavor mais uma vez. Na última e pior cartada de seu mandato, buscou uma reviravolta improvável no retorno de Adriano. A aliança entre o indolente imperador e a rainha louca da Gávea acabou custando a cabeça de ambos. Novos malandros e manés virão. Difícil mesmo é que alguém consiga ser tão Patrícia quanto a Amorim.

O marido de Dilma Rousseff
Edmeire queria ser o “primeiro-cavalheiro” do Brasil

Em 11 de setembro de 2012, um susto na rampa do Palácio do Planalto. Não se tratava de uma ameaça terrorista, apenas de uma tentativa isolada de invasão à sede do poder executivo brasileiro. Aos gritos de “Eu sou marido de Dilma Vana Rousseff”, um cidadão teimava em subir, enquanto era contido por soldados do Batalhão da Guarda Presidencial. Favor não confundir com os Dragões da Independência, que nem estavam por ali, mantendo a sua fama de mero enfeite cerimonial. Atirando-se sobre um dos oficiais, desabafou: “Eu quero sequestrar ela para meu cativeiro: meu coração!”. O amor é assim mesmo, nos deixa cafonas.

E também incoerentes. Talvez por isso, o suposto marido da presidente tenha cometido um ato falho. “Eu queria falar pra Dilma Vana Rousseff: você aceita se casar comigo, meu amor?”, disse, como última tentativa de sensibilizar os guardas. O amor, ainda ele, também deixa as pessoas meio desorientadas. O maluco não sabia dizer qual era o seu nome, tampouco de onde vinha, perdendo a linha ao responder à última pergunta com um pouco elegante “Sou da morte”. Mais tarde, quando encaminharam o meliante para acompanhamento psicológico em um hospital, descobrimos que não se tratava de um indigente. Mas sim de uma indigenta! Uma melianta!

Edmeire Celestino da Silva já havia sido detida outras vezes, sempre na tentativa de se aproximar de Dilma. Para segurança da mandatária geral da nação, é bom mantê-la bem distante do Palácio da Alvorada. Mas não custa nada deixar ela brincar de primeiro-cavalheiro em alguns eventos beneficentes. Imagina o presidente Obama tentando manter a sua elegância habitual ao se deparar com o marido não-oficial de Dilma Vana Rousseff em uma viagem oficial. E que tal se Edmeire se encantasse por Cristina Kirchner e tentasse cometer um adultério diplomático? Não veta essa, Dilma.