As pausas maiores da Bundesliga e da Ligue 1 também têm sua influência sobre as semifinais da Champions

Antes que a Champions League recomeçasse, a condição física das equipes era um ponto importante de análise. Alguns times encerravam a temporada e vinham em ritmo competitivo, o que poderia ser um diferencial à exigência do torneio continental. Outros voltavam de paralisações mais longas e só disputaram poucos jogos antes dos duelos decisivos pela Champions. E, no fim das contas, as pernas descansadas se tornaram muito mais preponderantes do que qualquer falta de ritmo. Todos os quatro semifinalistas vieram de ligas que encerraram suas atividades bem antes do reinício do torneio da Uefa.

O Bayern de Munique se despediu da Bundesliga no final de junho. Os bávaros tiveram a final da Copa da Alemanha pela frente uma semana depois, mas permaneceram um mês sem jogos oficiais até o compromisso diante do Chelsea no último final de semana. No máximo, o time de Hansi Flick disputou um amistoso contra o Olympique de Marseille no final de julho. Entretanto, a goleada sobre os Blues na Allianz Arena serviu para esquentar os motores. E o atropelamento sobre o Barcelona indicou como os alemães estão com sua potência no talo, contra um adversário mais desgastado – embora a apatia blaugrana não se limite ao físico.

O RB Leipzig vinha de uma inatividade até mais longa, sem a Copa da Alemanha. Jogou um amistoso contra o Wolfsburg, até encarar o Atlético de Madrid nas quartas de final. A situação foi similar: por mais que os Touros Vermelhos tenham sido superiores em sua organização coletiva, também atuaram num ritmo acima dos colchoneros em Lisboa, principalmente porque ditaram a aceleração com a bola em seus pés. Os espanhóis precisaram correr atrás e a superioridade dos alemães se traduziu no resultado.

A Ligue 1 foi a única das cinco grandes ligas europeias a encerrar sua disputa já em março. Assim, depois de dois amistosos, o Paris Saint-Germain voltou no fim de julho para disputar as finais adiadas das copas nacionais. Não fez boas partidas, antes de encarar a Atalanta. E as condições físicas dos parisienses preponderaram, especialmente nos minutos finais. Com problemas de lesão, a Dea não conseguiu segurar a vantagem e tomou a virada. Mesmo inferior coletivamente, o time de Thomas Tuchel se impôs.

Por fim, o Lyon realizou praticamente uma pré-temporada, com quatro amistosos em julho – encarando adversários de ligas que voltaram antes, como Escócia e Bélgica. O time pegou o PSG na final da Copa da Liga, derrotado nos pênaltis. E, neste sábado, teve muito mais fôlego que o Manchester City. Os ingleses atuaram de maneira lenta durante o primeiro tempo, sobretudo ao que se espera de um time de Pep Guardiola. Elevaram sua intensidade no segundo tempo. Mas, nos minutos finais, os Gones puniram os erros em contra-ataques e asseguraram a classificação diante de um adversário sem ideias.

Uma estatística interessante para entender a diferença de rendimento físico dos times é a de distância percorrida na partida. Os jogadores do Bayern de Munique percorreram 9,3 km a mais que os jogadores do Barcelona, enquanto os do Lyon superaram os do Manchester City em 9,1 km – cerca de 10% do total a ambos. RB Leipzig e Atlético de Madrid praticamente empataram nos números, com apenas 300 metros a mais para os colchoneros. Dos eliminados, somente a Atalanta venceu com neste quesito, com 3,3 km a mais que o PSG – fruto do primeiro tempo, em que apenas Neymar parecia correr pelos parisienses.

A Serie A terminou uma semana antes do retorno da Champions e os times até preferiram poupar seus jogadores na reta final do campeonato nacional. A Premier League teve uma semana a mais de descanso, embora não seja uma novidade que os times de Pep Guardiola cheguem esgotados nos meses finais da temporada. Das três grandes ligas que entraram julho adentro, apenas o Campeonato Espanhol ofereceu uma brecha maior, com três semanas até que Real Madrid e Barcelona atuassem pelas oitavas. Mas, numa edição em que o nível técnico também foi baixo, não se pode descartar o desgaste gerado pela maratona de 11 rodadas jogadas quarta e domingo durante a retomada de La Liga.

O que se nota na Champions não é regra na Liga Europa. Com os alemães ficando pelo caminho, as semifinais serão disputadas por um espanhol, por um italiano e por um inglês, além de um ucraniano. O desgaste físico pode ser um fator, mas não o único, quando tantas outras variáveis definem um resultado. Logicamente, não foi só por causa do mês de descanso que o Bayern enfiou 8 a 2 sobre o Barcelona ou que o PSG superou a Atalanta no finalzinho. De qualquer maneira, quando a situação se repete quatro vezes, a variável se sugere mais influente. As semifinais poderão ser realizadas em condições mais iguais de intensidade.