As lições de um valioso empate frustrante

O Olympique de Marseille saiu do Emirates com um valioso empate sem gols diante do Arsenal. Assim como na derrota por 1 a 0 no Vélodorme, o OM deixou a partida com um sentimento de que poderia ter feito mais. Mesmo na casa dos Gunners, houve boas oportunidades para os marselheses conquistarem uma vitória fundamental par a seus sonhos de classificação para as oitavas de final da Liga dos Campeões.

Era uma chance daquelas que aparecem poucas vezes diante de seus olhos. O Arsenal veio a campo com um time remendado, por conta das diversas ausências (entre lesionados e afetados pelo rodízio de Arsène Wenger) e do desgaste provocado pela emocionante vitória por 5 a 3 sobre o Chelsea no fim de semana. O Olympique de Marseille tem motivos para se lamentar.

O OM teve uma ajuda daquelas vinda do Borussia Dortmund. O time alemão enfim despertou e, com a vitória sobre o Olympiacos, ajudou os marselheses a abrir uma boa distância. Um triunfo dos gregos embolaria a disputa pela vaga, mas agora o Olympique respira mais aliviado e confortavelmente instalado na segunda posição do grupo F. Como já fez seus duelos contra o favorito da chave, a equipe francesa agora se concentra para não bobear.

A melhora vista na atuação do Olympique de Marseille ficou comprovada pela troca do esquema tático da equipe. O treinador Didier Deschamps acertou em cheio no reposicionamento de seus comandados em campo ao optar por um 4-4-2 e com algumas escolhas que fizeram o time ter uma movimentação melhor em campo. Contra o Arsenal, por exemplo, o oscilante Lucho González ficou no banco, com Jordan Ayew como titular.

Além disso, Mathieu Valbuena exerceu importante papel para a criação de oportunidades para o OM com seu posicionamento mais centralizado no meio-campo. Já Loïc Rémy também se mostrou uma boa opção de ataque ao abrir pelo flanco, algo que se tornou uma constante e não era visto nos primeiros jogos desta temporada.

Com um bom nível de jogo e variando para um 4-2-3-1, o Olympique de Marseille teve uma exibição de alto nível e, melhor de tudo, não se mostrou limitado a se defender diante do Arsenal. Pelo contrário: bem equilibrado em sua defesa, sem deixar os donos da casa chegar com grande perigo, o OM ainda encaixou algumas jogadas ofensivas interessantes, com boa movimentação na frente.

A marcação adiantada feita pelos marselheses surpreendeu o Arsenal, que sentiu dificuldades excessivas para tocar a bola. No entanto, o OM não apresentou a mesma eficiência na conclusão de suas subidas ao ataque. De positivo, ficou o entrosamento cada vez maior entre Souleymane Diawara e Nicolas N’Koulou no miolo da zaga, com antecipações precisas e um estilo de jogo complementar entre eles.

Ressurreição

Com a chegada do Qatar Investment Authonomy, o Paris Saint-Germain sentiu as benesses de ser um novo-rico. Com dinheiro a perder de vista para a contratação de reforços, o clube não economizou para montar um elenco capaz de apagar as decepções sofridas nas últimas temporadas e retomar seu papel de força nacional. Chegaram nomes como Salvatore Sirigu, Diego Lugno e, principalmente, Javier Pastore, que logo assumiu a liderança da equipe e se tornou seu condutor rumo a uma excelente campanha. No entanto, tantas mudanças poderiam deixar os jogadores remanescentes da última temporada com espaço reduzido e sem moral diante da reviravolta nos rumos da equipe.

Nenê, sem dúvida, estava neste grupo que deixou de ser protagonista para se tornar um mero coadjuvante de um elenco repleto das “estrelas do chefe”. O brasileiro já vinha em queda desde meados de 2010/11, quando teve uma acentuada baixa de desempenho. Ele deixou de ser decisivo para carregar na dose de individualismo, querer resolver tudo sozinho e arcar com a responsabilidade de encerrar os dias de fracasso do PSG. O que poderia ser interpretado como um esforço louvável acabou, na prática, como um problema para a equipe, já que Nenê muitas vezes preferia um drible a mais a optar por uma jogada mais simples e que teria resultados melhores.

Se já estava em baixa, o meia-atacante ficou em situação ainda mais complicada com a chegada de Javier Pastore. Após um período de adaptação, o argentino assumiu o papel de maestro do time. Nenê parecia fadado a ser apenas uma sombra do novo companheiro de clube, mas soube esperar sua vez. As críticas continuaram sobre seus ombros, com acusações de que seu egoísmo estava atrapalhando o time e que a chegada de Pastore teria efeitos ainda mais negativos sobre ele. Nada mais enganoso.

No início desta temporada, Nenê exibia o mesmo futebol irregular do fim da última edição da Ligue 1. Sua influência no ritmo do PSG era cada vez menos sentida. Bastou uma semana, porém, para todos os comentários negativos se transformarem em elogios. Primeiro, a exibição do brasileiro contra o Dijon foi decisiva para o triunfo do PSG por 2 a 0 sobre o Dijon – os dois gols do time da capital foram marcados por ele.

Na partida seguinte, foram mais dois gols e uma exibição de gala nos 4 a 2 sobre o Caen. Nenê não apenas foi o dono do jogo como deu mostras de que recuperou sua melhor forma, como no início da temporada anterior. Basta lembrar que, entre 24 de outubro e 18 de dezembro do ano passado, o brasileiro marcou nada menos do que dez gols. Agora, seu bom momento vem exatamente quando Pastore sofreu uma pequena queda em seu rendimento.

O crescimento de Nenê e as recentes atuações discretas de Pastore colocam uma dúvida na cabeça de Antoine Kombouaré: o brasileiro e o argentino têm condições de atuar juntos? Até agora, a boa fase de um significou um momento de eclipse do outro. A questão para o técnico será definir se seus dois principais articuladores têm estilos complementares ou incompatíveis.