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Tem gente que defende: semifinais conseguem ser mais interessantes do que as decisões, em si. As partidas costumam ser bem mais abertas, já que o ímpeto de alcançar a final supera o receio visto muitas vezes de quem não deseja perder a taça. E se há uma competição com semifinais memoráveis, esta é a Copa da Alemanha Ocidental de 1983/84. Bayern de Munique x Schalke 04 e Borussia Mönchengladbach x Werder Bremen fizeram dois embates de camisas pesadas, cheios de personagens emblemáticos em campo. E mais inesquecível foi o desenrolar dos duelos.

Os dois confrontos ofereceram mais de 330 minutos de futebol, 26 gols, ótimos lances, confusões, apoteose nos minutos finais. Pode-se questionar a falta de qualidade em diferentes momentos ou as bobeiras das defesas. Ainda assim, em emoção, a Pokal de 1984 ganhou um status lendário.

O Borussia Mönchengladbach foi o primeiro a avançar à final, em 1° de maio. Depois de sofrer a virada do Werder Bremen, arrancou o empate nos acréscimos do segundo tempo e celebrou a vitória por 5 a 4 na prorrogação. Já o Bayern x Schalke rendeu um 6 a 6 na primeira partida, em 2 de maio, com direito a quatro gols apenas na segunda etapa da prorrogação. Sem pênaltis no regulamento, o placar rendeu um repeteco, vencido pelos bávaros em Munique por 3 a 2. Confira estas histórias na coluna da semana:

Borussia Mönchengladbach 5×4 Werder Bremen

A fase mais gloriosa do Borussia Mönchengladbach já tinha ficado para trás nos anos 1970, mas os Potros inspiravam respeito em um momento de renovação. O antigo artilheiro daquele esquadrão agora era um treinador novato de muito futuro pela frente: ninguém menos que Jupp Heynckes, em sua quinta temporada consecutiva na casamata. E os alvinegros possuíam uma equipe também recheada de bons nomes, mesclando juventude e experiência. O time dava sinais de sua ascensão, ainda no páreo pelo título da Bundesliga, a um ponto da liderança.

Heynckes costumava escalar o Gladbach num 5-3-2. Referência do clube nos anos 1980, Hans-Günter Bruns comandava o setor defensivo, combinando força física e qualidade técnica. Ao seu lado, o capitão Wilfried Hannes era outro destaque notável, membro da seleção alemã-ocidental que disputou a final da Copa do Mundo de 1982. Os alas Kai Erik Herlovsen e Michael Frontzeck acumulavam rodagem nas seleções norueguesa e alemã-ocidental, respectivamente.

A maior dose de talento se encontrava no meio. Por ali, despontava Lothar Matthäus, já considerado um dos melhores do país aos 23 anos. Apresentando suas múltiplas capacidades, o camisa 6 vivia sua última temporada no Gladbach. Outro nome importante da Bundesliga na época, Uwe Rahn tinha um ímpeto especial a chegar ao ataque. Já na proteção, o veterano Winfried Schäfer limpava os trilhos. Mais à frente, a dupla de ataque era formada por Ewald Lienen e Frank Mill. O primeiro participou da transição do timaço dos anos 1970, enquanto Mill seria ídolo do Borussia Dortmund e reserva na Copa do Mundo de 1990.

O fato de jogar no Bökelbergstadion podia conferir certo favoritismo ao lado do Borussia Mönchengladbach, com o apoio de sua torcida. Mas não que o Werder Bremen fosse um adversário simples de se enfrentar. Em crescente após o acesso em 1981, o clube havia sido vice-campeão da Bundesliga na temporada anterior, quando perdeu a taça para o Hamburgo no saldo de gols. O futebol pragmático era encabeçado por outro grande estrategista: Otto Rehhagel, um profundo conhecedor da liga. Era ele o responsável pela guinada dos Verdes.

O goleiro Dieter Burdenski era um dos pilares do Werder Bremen. A defesa contava com Thomas Schaaf na lateral, presente nos maiores títulos dos verdes como jogador e como treinador. Ainda assim, a principal referência era o zagueiro Klaus Fichtel, antigo ídolo do Schalke e remanescente da Copa de 1970, que adicionava experiência na reconstrução do clube. Não menos importante, Jonny Otten foi outro que participou de uma era na lateral da equipe.

No meio-campo, a braçadeira de capitão ficava com Benno Möhlmann, que desempenhou a maior parte de sua carreira no Werder Bremen e simbolizou o clube nos anos 1980 – além de ser o primeiro presidente da associação de futebolistas profissionais na Alemanha. Ao seu lado, Norbert Meier foi quem mais se projetou nacionalmente e, em grande fase, seria o camisa 10 da Alemanha Ocidental na Euro 1984. Já no ataque, Uwe Reinders era outro da seleção, presente na Copa de 1982, enquanto Frank Neubarth despontava e encabeçaria o ataque dos Verdes por quase 15 anos. Rudi Völler já fazia parte da equipe, mas estava indisponível e acabaria restrito ao banco, como uma espécie de assistente de Rehhagel.

O duelo dentro do Bökelbergstadion contava com um clima fantástico, de arquibancadas inflamadas e pressão da torcida. O jogo começou travado no meio-campo, mas logo o Gladbach tomou a iniciativa e passou a pressionar. A defesa do Werder Bremen realizava cortes providenciais e, antes dos 15 minutos, o goleiro Burdenski já tinha realizado duas ótimas defesas. Além disso, os Verdes precisaram queimar sua primeira substituição logo cedo, quando o meio-campista Rigobert Gruber se lesionou aos 17.

Num jogo que se desenvolvia basicamente na base da pressão do Gladbach, o Werder Bremen demorou a encaixar seus contra-ataques. A primeira chance realmente clara veio aos 35 minutos, em cruzamento desviado que o goleiro Ulrich Sude salvou em cima da linha. E o duelo começaria a pegar fogo no final do primeiro tempo. O primeiro gol dos Potros, enfim, saiu aos 40. Hannes deu um lindo corte na marcação e lançou em profundidade. Fichtel errou a interceptação e, na saída de Burdenski, Matthäus foi oportunista para balançar as redes.

Dois minutos depois, rolou o empate. Após o cruzamento da direita, Meier apareceu completamente livre na área para determinar a igualdade ao Werder Bremen. Ainda assim, o Gladbach retomou a vantagem antes do intervalo, aos 44. A partir de uma falta cobrada por Bruns na intermediária, a bola pipocou na área, até que o zagueiro Norbert Ringels enchesse o pé e estufasse as redes. Pelo apresentado até aquele momento, a vitória parcial dos anfitriões era merecida.

O segundo tempo ficaria mais equilibrado e também pegado, com várias faltas mais duras no meio-campo. O Bremen saía ao jogo para buscar o empate, embora o Gladbach aproveitasse o espaço e seguisse com as melhores oportunidades. E o jogo intenso precisaria ser paralisado por volta dos 20 minutos, quando uma bomba de fumaça foi atirada no gramado, dentro da área do Gladbach, quando a maioria dos jogadores estava do outro lado do campo.

O jogo até recomeçou depois que o goleiro Sude se desfez do artefato, mas jogadores de ambos os times começaram a passar mal com o gás lacrimogêneo. Enquanto Wolfgang Sidka e Uwe Rahn eram atendidos na linha lateral, após caírem, os demais atletas chegaram a discutir e a estranhar entre si. Nas arquibancadas, a polícia trabalhava para identificar os responsáveis no setor visitante, enquanto torcedores e jornalistas também sentiam os efeitos adversos do gás. A paralisação durou seis minutos, até que os jogadores se recuperassem e a bola voltasse a rolar.

O incidente criou um clima de tensão ao redor do campo, com muitos policiais. Além disso, os dois times intensificaram seu ritmo. Sude fez uma grande defesa em cabeçada de Neubarth, antes que o Gladbach anotasse o terceiro aos 31 minutos. Após o cruzamento da direita, Lienen acertou uma cabeçada de manual. Até pelo tempo restante, os Potros se aproximavam bastante da decisão da Pokal com aquele 3 a 1.

A reação do Bremen seria instantânea. Um minuto depois, o recuperado Sidka cruzou e Möhlmann cabeceou com firmeza. Sidka parecia mesmo predestinado a ser o herói, ao empatar logo aos 35. O cruzamento saiu da esquerda, em cobrança de falta, e o meia completou mais uma vez de cabeça. Já aos 37, veio a impensável virada dos Verdes por 4 a 3. A partir de uma troca rápida de passes, Reinders recebeu na esquerda e acertou um chute seco, no canto de Sude, que permaneceu estático.

A reviravolta deixou Heynckes em chamas à beira do campo. Entre o terceiro e o quarto gol do Werder Bremen, o treinador já tinha realizado duas alterações no Gladbach. Mandou a campo Ulrich Borowka e Hans-Jörg Criens. Criens, aliás, merece menção especial. O atacante de 24 anos chegou aos Potros em 1980 e costumava ser uma opção constante no segundo tempo das partidas. Sua fama como herói no Bökelbergstadion seria sacramentada naquela noite.

Com pressa, o Gladbach dominava a posse de bola, mas tinha dificuldades para invadir a área do Werder Bremen. O bloqueio era muito bem feito pelo time de Otto Rehhagel. Os longos acréscimos por conta do incidente com a bomba de gás, ao menos, garantiam uma sobrevida maior aos anfitriões. E até parecia que a sorte não estava do lado dos Potros. Primeiro, Hannes teve um gol anulado. Depois, Burdenski espalmou uma bomba de Matthäus. O empate suado saiu apenas aos 50 do segundo tempo, graças a um escanteio batido por Bruns. Após o desvio no primeiro pau, Criens completou de peixinho na pequena área e levou as arquibancadas à loucura. O apito final soaria logo depois.

Com o 4 a 4 no placar, o regulamento determinava mais 30 minutos de prorrogação e, se a igualdade persistisse, jogo-extra em Bremen. As duas equipes estavam extenuadas e não tinham mais alterações a fazer. Não era das partidas mais vistosas, com muitas bolas longas e cruzamentos. A melhor chance dos 15 minutos iniciais foi do Gladbach, em cabeçada de Mill que Burdenski agarrou plasticamente. A definição do jogo aconteceria apenas na retomada do segundo tempo extra. Borowka cruzou e o super substituto Criens resolveu. Dominou com certa dificuldade, mas estava livre de marcação para fuzilar com a canhota. Assinalou o quinto gol do Borussia Mönchengladbach, em nova reviravolta no marcador.

O Werder Bremen tinha tempo para empatar e buscou o abafa, mas também dava espaços ao Gladbach, que poderia ter anotado o sexto nos contragolpes. A partida ainda seria paralisada para atendimento médico, em uma disputa na área na qual Uwe Rahn quebrou o nariz e passou a sangrar incessantemente. O meia ainda voltaria a campo e os Potros contiveram o ímpeto dos visitantes, muito graças às saídas providenciais do goleiro Sude. O apito final provocou uma comemoração enlouquecida do time de Jupp Heynckes, por todo o esforço que aquele triunfo por 5 a 4 representava. Após a eliminação, o Bremen considerou entrar nos tribunais por conta da bomba de gás, mas tudo não passaria de ameaça. A final era do Borussia.

Schalke 04 6×6 Bayern de Munique

Um dias depois da partida apoteótica em Mönchengladbach, Bayern de Munique e Schalke 04 se enfrentariam para definir o adversário dos Potros na decisão. Ao menos neste embate, dava para esperar um favoritismo mais claro dos bávaros na visita a Gelsenkirchen. Mesmo sem atrapalhar o bicampeonato do Hamburgo nas edições anteriores da Bundesliga, o Bayern seguia com uma equipe respaldada, que chegara à final da Copa dos Campeões da Europa dois anos antes. O Schalke, por outro lado, vivia anos bastante instáveis. Os Azuis Reais sofreram o inédito rebaixamento em 1981 e, apesar do acesso em 1982, voltariam a cair em 1983. Alcançaram as semifinais da Copa da Alemanha enquanto militavam na segundona.

Até pelo momento, o Schalke possuía um time menos badalado. O comando técnico era de Diethelm Ferner, treinador acostumado às divisões de acesso. Já dentro de campo, os Azuis Reais desfrutavam da liderança de Bernard Dietz. Nome frequente na seleção, o defensor capitaneou a conquista da Euro 1980. Ídolo no Duisburg, transferiu-se a Gelsenkirchen em 1982 e permaneceu mesmo depois do descenso. Ao seu lado, outro presente na Eurocopa era o goleiro Walter Junghans, que pintou como substituto de Sepp Maier no próprio Bayern, antes de fechar com o Schalke.

Aquela equipe também tinha diversos pratas da casa, a exemplo do lateral Thomas Kruse, do meio-campista Michael Optiz e do ponta Volker Abramczik. Nenhum deles apresentava o potencial de Olaf Thon. Com 18 anos recém-completados, o futuro selecionável atuava como centroavante, antes de ser recuado com o passar dos anos. Pouco conhecido no país, após estrear meses antes na segundona, o garoto apresentaria todo seu potencial naquelas semifinais. Ao seu lado, o principal apoio vinha de Klaus Täuber, ponta um pouco mais experiente e que contribuía com gols.

O Bayern de Munique estava em outro patamar. A começar pelo comando técnico, de Udo Lattek, lendário treinador do clube. Responsável por um tricampeonato na Bundesliga e pela primeira conquista da Champions em sua primeira passagem pela Baviera nos anos 1970, o comandante protagonizou outros feitos importantes com Borussia Mönchengladbach e Barcelona, na virada dos 1970 para os 1980. Seu retorno ao Bayern se deu naquela temporada de 1983/84, encabeçando uma reconstrução do clube,.

Algumas bases desse novo momento já estava à disposição de Lattek. O goleiro do Bayern já era Jean-Marie Pfaff, considerado um dos melhores do mundo durante a década de 1980. A defesa via a afirmação de Klaus Augenthaler, outro emblema dos bávaros, que chegou à equipe principal em 1976 e se tornaria um dos jogadores alemães-ocidentais mais importantes no período, inclusive na seleção. Remanescente do time dos anos 1970, Bernd Dürnberger ocupava a lateral esquerda. Já na direita, estava o alemão-oriental Norbert Nachtweih, que fugiu de seu país e fez sucesso na Baviera.

O funcionamento do meio-campo era garantido por Soren Lerby, referência da seleção dinamarquesa que chegara pouco antes do Ajax. Nas pontas, também eram importantes Michael Rummenigge e Hans Pflüger, titulares absolutos dos bávaros no período. Já na frente, Reinhold Mathy servia de apoio ao craque da equipe, Karl-Heinz Rummenigge. Aos 28 anos, o capitão tinha um histórico considerável de lesões, mas recuperara a melhor forma naqueles meses. Dono de duas Bolas de Ouro como melhor jogador em atividade na Europa, seria artilheiro da Bundesliga pela terceira vez na carreira durante a temporada. Entretanto, o ídolo sabia que estava de saída, ao acertar sua transferência à Internazionale – em negócio importante também para quitar débitos dos bávaros.

O Bayern seguia no páreo pelo título da Bundesliga, um ponto atrás do líder Stuttgart, enquanto o Schalke encaminhava o acesso na segunda divisão. A Copa da Alemanha, assim, representava uma chance enorme aos Azuis Reais. E os anfitriões não deixariam escapar o momento, apoiados por mais de 78 mil espectadores que se espremeram nas arquibancadas do Parkstadion, em Gelsenkirchen.

O Schalke começou a partida de maneira agressiva, sem se intimidar com o peso do Bayern do outro lado. A verdade, porém, é que os bávaros pareciam facilitar a classificação logo de cara. Aos três minutos, Michael Rummenigge cruzou para o irmão mais velho Karl-Heinz abrir a contagem. O segundo sairia aos 12, em uma linda jogada individual de Mathy, que tabelou com Michael Rummenigge antes de tocar na saída do goleiro. Só então os Azuis Reais acordaram.

A torcida do Schalke ficou um pouco mais tranquila logo no minuto seguinte, quando Kruse apareceu na área para completar uma cobrança de falta e descontar aos anfitriões. Já aos 19, Olaf Thon começou a aparecer. A zaga do Bayern afastou mal um cruzamento e a bola sobrou ao garoto. Ele aplicou um corte seco em Augenthaler e bateu no cantinho de Pfaff, sem chances ao goleiro. Ao menos, Augenthaler se redimiu logo na sequência e providenciou o terceiro gol do Bayern aos 20. O zagueiro fez o lançamento, a zaga errou o corte e Michael Rummenigge emendou de primeira às redes. Não perca a conta: o Bayern vencia por 3 a 2.

Com mais posse de bola, o Bayern não apresentou tanta capacidade de construir jogadas na sequência do primeiro tempo. Enquanto isso, o Schalke parecia possuir mais ímpeto. O fato de ser o azarão na noite tirava a responsabilidade dos Azuis Reais e os empurrava. O empate poderia ter saído aos 40, quando Täuber arriscou com pouco ângulo e carimbou a trave de Pfaff. Os bávaros até continham essa empolgação dos oponentes, nem se precisassem apelar às faltas para isso.

O Bayern quase anotou um golaço no início do segundo tempo, em bomba de Nachtweih que estalou a trave. Todavia, a persistência do Schalke daria resultado aos 16, com novo empate. Matthias Schipper cruzou e Thon testou firme, sem chances a Pfaff. O tento tirou o Bayern do marasmo, mas os Azuis Reais imprimiam bem mais velocidade em seu ataque e exploravam melhor os espaços. O quarto gol, da virada por 4 a 3, ocorreu aos 27. Mais um cruzamento, desta vez para Peter Stichler escorar ao Schalke e provocar uma erupção nas tribunas. Mas, apesar da apresentação acima das expectativas dos anfitriões, o Bayern empatou em 4 a 4 aos 35 minutos. Michael Rummenigge participou de seu quarto tento na noite, ao saltar para completar o cruzamento de peixinho.

O final do segundo tempo seria suficientemente aberto, entre a correria do Schalke e os cruzamentos do Bayern, ainda que sem oportunidades tão claras. Assim, com a igualdade mantida, as duas equipes seguiram em campo rumo à prorrogação. Os goleiros seriam mais exigidos no primeiro tempo extra, com ações decisivas de Pfaff e Junghans. De qualquer forma, apenas nos 15 minutos finais o confronto atingiu sua máxima rotação. As duas equipes pareciam não se importar com os riscos e jogavam agressivamente.

Outro personagem fundamental naquele jogo sairia do banco: Dieter Hoeness. Atacante como o irmão Uli, ele chegara ao Bayern em 1979. A entrada do camisa 14 foi instrumental na semifinal, anotando do quinto gol de sua equipe, no sétimo minuto do segundo tempo extra. Junghans tentou evitar que uma bola saísse pela linha de fundo, escorregou e perdeu o controle. Hoeness, então, foi mais esperto e bateu a carteira do goleiro, antes de mandar às redes vazias.

O Schalke sequer pôde reclamar de falta no lance. Os Azuis Reais tiveram que responder na bola e igualaram outra vez três minutos depois, aos 10. A partir de uma cobrança de escanteio, o capitão Dietz bateu de primeira e Pfaff apenas olhou o chute sem muita potência entrar no canto. O placar assinalava 5 a 5. Mas o alívio dos anfitriões não duraria tanto. Os bávaros fizeram o sexto aos 13 minutos. Karl-Heinz Rummenigge lançou e pegou Dieter Hoeness nas costas da zaga. Totalmente livre, o substituto tocou por baixo do goleiro.

Só que nada estava resolvido ainda. O Schalke não desistiria e começou a bombardear a área do Bayern com muitos chuveirinhos. Os bávaros também não apresentavam grande autocontrole e cometiam faltas em excesso. Isso permitiu que os Azuis Reais ganhassem sobrevida até o terceiro minuto dos acréscimos, 123° do jogo. Foi quando saiu o 12° tento da partida, determinando o épico empate por 6 a 6. Numa bola que espirrou na área e ninguém conseguiu afastar, Thon completou sua tripleta com um sem-pulo maravilhoso, tirando do alcance de Pfaff. O milagre era possível. Uma grande invasão tomou o campo e o apito final soaria ali mesmo.

Bayern 3×2 Schalke e a grande final

Sem pênaltis como critério de desempate naquela etapa da Copa da Alemanha, o 6 a 6 forçou o reencontro entre Bayern e Schalke. Uma semana depois, as duas equipes mediram forças no Estádio Olímpico de Munique. E, mesmo com um placar “mais econômico” de 3 a 2, isso não quer dizer que o jogo extra careceu de emoção. Pelo contrário, novamente os Azuis Reais tornaram a vida dos favoritos bem mais difícil, com uma reação na Baviera.

O primeiro gol do Bayern no segundo jogo nasceu a partir de uma linda enfiada de Soren Lerby, aos 32 minutos. Karl-Heinz Rummenigge ficou de frente para o gol e concluiu com calma, na saída do goleiro. Já o segundo viria antes do intervalo, com Dieter Hoeness – merecidamente titular desta vez. Em uma cobrança de falta rápida de Karl-Heinz, dando um toquinho por baixo da bola, o atacante se viu sozinho dentro da área e finalizou de primeira.

O Schalke renasceu a partir da etapa complementar, quando Jakobs se projetou ao ataque e aproveitou o cochilo da defesa do Bayern. Em velocidade, recebeu o passe livre e driblou Pfaff, antes de concluir às redes. E os erros defensivos dos bávaros se repetiram aos 27, quando os Azuis Reais arrancaram o empate. Optiz viu seu primeiro chute ser travado, mas seguiu com a bola e arrematou cruzado. A sorte do Bayern era contar com um craque do calibre de Karl-Heinz Rummenigge, que resolveu a parada.

A vitória por 3 a 2 e a classificação à final acabou conquistada aos 34 do segundo tempo. Karl Del’Haye cruzou e o Rummenigge saltou para emendar de cabeça, chegando antes que o goleiro Junghans. Desta vez, o triunfo não escaparia dos bávaros nos minutos derradeiros. A comemoração foi plena, colocando os dois melhores times na decisão – apesar de todo o sufoco para chegar até ela.

A decisão realizada no Waldstadion, em Frankfurt, ficou devendo em gols. No entanto, ainda ofereceu suas emoções. Àquela altura, o Stuttgart havia conquistado a Bundesliga. Na rodada final, os suábios perderam o confronto direto contra o Hamburgo por 1 a 0, mas tinham melhor saldo de gols que os Dinossauros e ergueram a Salva de Prata. O Borussia Mönchengladbach igualou a pontuação dos campeões, mas tinha o pior saldo no empate triplo e acabou em terceiro. Já o Bayern, com um ponto a menos que os concorrentes, amargou a quarta colocação. A final da Pokal, assim, representava a chance de soltar o grito aos dois oponentes.

O Gladbach abriu o placar aos 33 minutos de jogo, com Frank Mill. Já no fim do segundo tempo, o Bayern arrancou o empate por 1 a 1 com o ala Wolfgang Dremmler, outro nome importante do clube no período. O placar persistiu durante a prorrogação e a definição acabou ocorrendo na marca da cal. Pela primeira vez na história, a Copa da Alemanha seria decidida nos pênaltis. Pesou a competência do Bayern, mas com sua dose de controvérsia.

Lothar Matthäus já estava negociado com os bávaros para a temporada seguinte e desperdiçou o primeiro pênalti, mandando por cima da meta de Pfaff. Seria acusado pelos torcedores do Gladbach de facilitar aos alvirrubros. Logo depois, Lerby deu a vantagem inicial ao Bayern. As duas equipes converteram todos os seus tiros, até a quarta série. Augenthaler bateu no meio e Sude pegou. Depois disso, Hannes e Karl-Heinz Rummenigge fizeram, forçando as alternadas.

Os dois times mantiveram sua precisão até a oitava série de cobranças. Ringels tentou tirar de Pfaff e carimbou a trave. Desta maneira, coube a Michael Rummenigge se consagrar, batendo no canto oposto ao qual Sule pulou e determinando o triunfo do Bayern por 7 a 6. Os bávaros faturavam a Pokal pela sétima vez em sua história e iniciariam uma era vitoriosa ali. Sob a liderança de Lothar Matthäus, a equipe de Udo Lattek seria tricampeã alemã de 1985 a 1987 e faturaria a Pokal mais uma vez, além de ser vice-campeã da Champions em 1987. Aquele é considerado um dos períodos mais bem-sucedidos na história da agremiação.

Por sua vez, o Gladbach perdeu consistência nas campanhas seguintes e não chegaria próximo das taças novamente tão cedo. Se não podia competir com o Bayern tricampeão, o time de Jupp Heynckes ao menos se mantinha na zona de classificação à Copa da Uefa. Já em 1987, com a saída de Lattek em Munique, os bávaros buscaram o próprio Heynckes ao seu comando. Seria o início da relação entre clube e técnico, coroada naquela primeira passagem com o bicampeonato da Bundesliga entre 1989 e 1990. Olaf Thon era uma das principais figuras daquele time.