As grandes histórias do esporte no Brasil têm uma voz. E se você já ouviu o trabalho de Luis Alberto Volpe, é difícil não se lembrar de seu timbre imponente. O paulista de Sertãozinho talvez não fosse o mais reconhecido na tela, mas sua presença nos alto-falantes da televisão era inconfundível, com locuções de documentários e reportagens. Em carreira dedicada principalmente à ESPN Brasil e à TV Cultura, Volpe conduziu a forma de se entender e de se sentir o esporte no país. Uma figura essencial ao jornalismo, que, como muitas das histórias que ele narrava, eterniza-se agora como lembranças e saudades. Volpe faleceu nesta terça-feira, aos 67 anos, deixando milhares de admiradores do seu trabalho.

Como um passo natural, a voz de Volpe começou a se tornar conhecida no jornalismo esportivo através do rádio. Após concluir seus estudos em comunicação social na Universidade de Ribeirão Preto, trabalharia à beira do campo como repórter. Contratado pela Rádio Globo no início dos anos 1980, dividiu transmissões com nomes célebres, a exemplo de Osmar Santos e Fausto Silva. A televisão, porém, logo abriria as portas para o paulista.

Volpe ganhou suas primeiras oportunidades na Rede Globo e no SBT, mas foi na TV Cultura que ele ampliou sua notoriedade. Contratado pelo canal em 1987, exerceu diferentes funções, de apresentador a narrador de partidas. Comporia a primeira formação do célebre Cartão Verde, ao lado de José Trajano e Armando Nogueira. E as marcas mais profundas vieram no Grandes Momentos do Esporte, um dos melhores programas já produzidos pelo jornalismo esportivo brasileiro. A riqueza de detalhes nas histórias também era obra do apresentador, responsável por textos impecáveis.

Volpe integrou as primeiras equipes da ESPN Brasil, a partir de 1995. No telejornal “30 minutos”, trazia uma leitura informativa e irreverente do noticiário esportivo. Também foi editor-chefe do SportsCenter – onde redigia e apresentava. Mas sua ligação mais forte era com um jornalismo profundo, rico em detalhes, menos imediato. Assim, Volpe emprestava a sua voz e o seu texto ao conteúdo mais denso da emissora, que tanto marcou a ESPN em boa parte de sua existência.

O Histórias do Esporte também concorre ao posto de melhor programa do jornalismo esportivo brasileiro. Volpe revelava histórias de vida com delicadeza, revisitava o passado com muita informação. O jornalista participava ainda de documentários premiados e matérias especiais, com suas locuções a prender mais o interesse do telespectador. O melhor da ESPN, tantas vezes, se personificava através da voz de Volpe.

Com as novas diretrizes do canal, Volpe “perdeu espaço” na ESPN – como se isso tivesse cabimento a um profissional de seu calibre. Após 20 anos de empresa, seria demitido em 2015, em corte que tirou o emprego de outros 33 funcionários. Sua importância à construção da emissora, todavia, nunca será esquecida. E será através daquela voz, daqueles textos precisos, que sua memória seguirá viva. A história do esporte brasileiro estará para sempre entrelaçada com a brilhante carreira de Luis Alberto Volpe.

Vale conferir a reportagem especial da ESPN Brasil, em homenagem a Volpe. Abaixo, um trecho de seu principal programa no canal: