Palcos dos encontros entre Olimpia e Atlético Mineiro, o Defensores Del Chaco e o Mineirão possuem um rico histórico em finais de Libertadores. Oito decisões foram disputadas no estádio da capital paraguaia, enquanto quatro aconteceram em Belo Horizonte. E o passado contam histórias interessantes tanto para o Decano quanto para o Galo.

Campo neutro em duas finais continentais, o Defensores Del Chaco foi o palco de três títulos dos paraguaios na competição, como também de três vice-campeonatos. E se a capacidade foi um ponto de debate nos últimos dias, o mesmo não aconteceu no passado. Atualmente, o estádio recebe menos de 40 mil pagantes, embora comporte pessoas o suficiente para respeitar o regulamento da Libertadores. Situação distinta de 1979 quando, com padrões de segurança diferentes, 65 mil se espremeram na primeira conquista dos franjeados.

Já o Mineirão, remodelado para a Copa do Mundo, contará com o Atlético Mineiro pela primeira vez na final. Todas as outras quatro foram protagonizadas pelo Cruzeiro, que selou ali o bicampeonato, mas também se frustrou com dois vices. Confira um breve histórico das decisões de Libertadores nos dois locais:

As finais no Defensores Del Chaco

1960
Olimpia 1×1 Peñarol
Gols: Hipólito Recalde (Olimpia), Luis Cubilla (Peñarol)
No jogo de ida: Peñarol 1×0 Olimpia

A primeira decisão da Copa Libertadores foi disputada entre o Estádio Centenário e o Defensores Del Chaco. Depois de vencer por 1 a 0 em Montevidéu, o Peñarol faturou o título ao segurar o empate em Assunção. Curiosamente, quem marcou o gol que deu a taça ao carboneros foi Luis Cubilla, técnico nas duas primeiras conquistas do Olimpia na Libertadores, bem como em oito títulos nacionais.

1975
Independiente 2×0 Unión Española
Gols: Ricardo Ruíz Moreno e Daniel Bertoni (Independiente)
No jogo de ida e no jogo de volta: Unión Española 1×0 e Independiente 3×1

Em uma época na qual a Libertadores não tinha pênaltis ou prorrogação, o título era decidido em jogo-extra em caso de dois empates ou de uma vitória para cada lado. No caso, Unión Española e Independiente fizeram o dever em casa e viajaram para Assunção na partida definitiva. Melhor para o Rojo, mais tarimbado, que completou o tetracampeonato, bem como o sexto título continental.

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1979
Olimpia 2×0 Boca Juniors
Gols: Osvaldo Aquino e Miguel Ángel Piazza (Olimpia)
No jogo de volta: Olimpia 0x0 Boca Juniors

O primeiro triunfo do Olimpia na Libertadores foi encaminhado no Defensores Del Chaco e contra um time de camisa, que tentava o tricampeonato continental. O Decano recebeu o Boca Juniors em seu estádio e não decepcionou a torcida: vitória por 2 a 0, gols de Aquino e Piazza. Já na Bombonera, bastou ao time do goleiro Ever Hugo Almeida, hoje técnico, segurar o empate sem gols para chegar ao topo da América pela primeira vez.

1985
Argentinos Juniors 1×1 América de Cali (5×4 nos pênaltis)
Gols: Emilio Commisso (Argentinos Juniors), Ricardo Gareca (América de Cali)
No jogo de ida e no jogo de volta: Argentinos Juniors 1×0 e América de Cali 1×0

Pela segunda vez, o Defensores Del Chaco foi utilizado para um jogo-desempate. E novamente assistiu à comemoração de uma equipe argentina. O Argentinos Juniors contava com uma forte base, comandada por Sergio Batista e Jorge Olguín, o suficiente para ficar com seu único titulo na Libertadores. Também foi o início da série de três vice-campeonatos do América de Cali na competição.

1989
Olimpia 2×0 Atlético Nacional
Gols: Rafael Bobadilla e Vidal Sanabria (Olimpia)
No jogo de volta: Atlético Nacional 2×0 Olimpia, 5×4 nos pênaltis

A decisão da Libertadores parecia encaminhada já no jogo de volta. Hegemônico no Paraguai, o Olimpia garantiu a vitória por 2 a 0 e poderia perder por até um gol de diferença para selar o bicampeonato. Entretanto, o forte time do Atlético Nacional, base da seleção colombiana, repetiu o marcador em El Campín e levantou o troféu nos pênaltis, depois que o mítico René Higuita defendeu quatro cobranças.

1990
Olimpia 2×0 Barcelona
Gols: Raúl Amarilla e Adriano Samaniego (Olimpia)
No jogo de volta: Olimpia 1×1 Barcelona

A história se repetiu na Libertadores do ano seguinte. Depois de dar o troco e eliminar o Atlético Nacional nos pênaltis nas semifinais, Olimpia recebeu o Barcelona no Defensores Del Chaco. E o Decano estabeleceu outra vez vantagem confortável, ao anotar 2 a 0 no marcador diante da torcida paraguaia. Porém, em Guayaquil, Raúl Amarilla voltou a marcar contra os equatorianos e o empate deu o bicampeonato ao Olimpia.

1991
Olimpia 0x0 Colo Colo
Gols: nenhum
No jogo de volta: Colo Colo 3×0 Olimpia

Em sua terceira final de Libertadores consecutiva, o Olimpia sentiu o gosto amargo da derrota pela segunda vez. Ever Hugo Almeida já não era mais o goleiro da equipe que vivia o fim de um ciclo. O empate em Assunção custou caro ao Decano, que acabou engolido pelo Colo Colo em Santiago. Assim como já tinham presenciado o primeiro título continental a um clube colombiano, os paraguaios também viram o primeiro time chileno a triunfar.

Ailton of Sao Caetano from Brazil celebrates his goal against Olimpia from Paraguay during the first final game of the Libertadores Cup at Defensores del Chaco Stadium in Asuncion, Paraguay on Wednesday, July 24, 2002.(AP Photo/Walter Astrada)

2002
Olimpia 0x1 São Caetano
Gols: Aílton (São Caetano)
No jogo de volta: São Caetano 1×2 Olimpia

Único brasileiro a disputar uma final no Defensores Del Chaco, o São Caetano também foi o único visitante a vencer uma partida de decisão de Libertadores no local. O gol de Aílton tornou reais as chances de título do time de Jair Picerni. Entretanto, o Azulão perdeu de virada no Pacaembu, gols de Fernando Córdoba e Richard Báez, e viu o Olimpia faturar o tricampeonato nos pênaltis: vitória por 4 a 2, consagrando o goleiro Ricardo Tavarelli.

As finais no Mineirão

1976
Cruzeiro 4×1 River Plate
Gols: Palhinha (duas vezes), Nelinho e Valdo (Cruzeiro), Oscar Más (River Plate)
No jogo de volta e no jogo-extra: River Plate 2×1 Cruzeiro e Cruzeiro 3×2 River Plate

Em uma época na qual a diferença de gols na decisão não tinha serventia, a goleada do Cruzeiro no Mineirão adiantou pouco. A equipe celeste engoliu o River Plate no Mineirão, mas foi derrotada no Monumental de Núñez e precisou viajar até Santiago para o jogo definitivo. O gol de Joãozinho, a dois minutos do fim, deu o primeiro título aos mineiros na Libertadores.

1977
Cruzeiro 1×0 Boca Juniors
Gols: Nelinho (Cruzeiro)
No jogo de ida e no jogo-extra: Boca Juniors 1×0 e 0x0, 5×4 Boca Juniors nos pênaltis

Defendendo o título, o Cruzeiro não aguentou a pressão na Bombonera e foi derrotado por 1 a 0. No Mineirão, a Raposa conseguiu devolver o resultado, gol de Nelinho, e forçou mais um encontro, desta vez disputado em Montevidéu. O empate prevaleceu e, com o erro de Vanderley, os xeneizes se tornaram os primeiros campeões da Libertadores nos pênaltis, conquistando sua primeira taça continental.

1997
Cruzeiro 1×0 Sporting Cristal
Gols: Elivelton (Cruzeiro)
No jogo de ida: Sporting Cristal 0x0 Cruzeiro

O segundo título do Cruzeiro, desta vez, foi conquistado diante da torcida. Depois do empate por 0 a 0 em Guayaquil, 95 mil torcedores lotaram as arquibancadas do Mineirão. E viram chute cruzado de Elivelton se transformar em um gol célebre, aos 30 minutos do segundo tempo, colocando na história a equipe que também contava com Dida, Palhinha e Marcelo Ramos.

Argentina's Estudiantes de la Plata's Juan Sebastian Veron, center, holds up the trophy while celebrating after winning the Copa Libertadores championship in Belo Horizonte, Brazil, Wednesday, July 15, 2009. Argentina's Estudiantes de la Plata defeated Brazil's Cruzeiro won 2-1. (AP Photo/Natacha Pisarenko)

2009
Cruzeiro 1×2 Estudiantes
Gols: Henrique (Cruzeiro), Gastón Fernández e Mauro Boselli (Estudiantes)
No jogo de ida: Estudiantes 0x0 Cruzeiro

O Mineirão estava pronto para a festa e foi esse o sentimento dos 70 mil que lotaram as arquibancadas, depois que Henrique marcou o primeiro gol, no início do segundo tempo. Porém, o bom time do Estudiantes tratou de colocar água no chope e virou a partida, com dolorido tento de Boselli. Restou aos cruzeirenses ver Juan Sebastián Verón ter a honra de levantar o troféu prateado.