Em péssima fase, o Atlético Mineiro necessitava de uma vitória para ganhar confiança. E a esperança do Galo por um final de campeonato menos caótico veio nesta quarta-feira, dentro do Mineirão. Os alvinegros conquistaram um resultado suado diante do Goiás. Mesmo bombardeando a meta esmeraldina, os atleticanos precisaram viver a emoção à flor da pele. Ao final, o triunfo por 2 a 0 teve a assinatura dos garotos da base. Marquinhos abriu o placar e até chorou na comemoração, enquanto Bruninho fechou a contagem nos acréscimos. Pouco antes do segundo tento, o goleiro Cleiton ainda fez um milagre que valeu como gol.

Durante o primeiro tempo, o que se viu foi uma pressão incessante do Atlético. Em 40 minutos, os mineiros finalizaram 17 vezes, contra nenhum arremate do Goiás. E quem garantia o placar zerado, mais uma vez, era Tadeu. O goleiro esmeraldino acumulava ótimas defesas e ia segurando o sufoco. Chegou a barrar Luan no mano a mano, desviando também duas bombas de Otero. O arqueiro ressaltava sua excelente forma, sem se intimidar com os mais de 33 mil presentes no Mineirão. O empate era lucro aos goianos.

O jogo começaria a mudar de rumo na volta do intervalo. E o primeiro passo para isso foi a entrada de Marquinhos, garoto de 20 anos criado na base do Atlético. Nascido no Maranhão, o meia chegou a trabalhar como servente de pedreiro e como flanelinha para ajudar o pai, antes de ganhar uma chance no futebol, passando pelo Osasco Audax. Depois de chegar ao Galo, se profissionalizou e passou um tempo emprestado à Chapecoense, até ganhar um pouco mais de sequência nas últimas semanas. Esta seria a sua noite.

Marquinhos participava bastante e precisou de oito minutos para anotar o primeiro gol do Galo – também seu primeiro gol como profissional. O garoto recebeu na entrada da área, girou sobre a marcação e mandou um belo chute no cantinho. Ainda mais bonita foi sua comemoração. O jovem caiu no gramado com as mãos no rosto, antes de ser erguido pelos companheiros. Então, sairia chorando para abraçar os demais reservas. Fez o Mineirão entrar em erupção. Daqueles tentos que mostram do que o futebol é feito.

A diferença em relação ao primeiro tempo é que o Goiás também deixou de ser um mero espectador. Passou a incomodar mais no ataque e a buscar o empate. Cleiton seria exigido, embora Tadeu continuasse roubando a cena. O goleiro esmeraldino fez uma sequência de defesas impressionante aos 22 minutos. Espalmou o chute de Marquinhos e se recuperou a tempo de um milagre, evitando o gol de Otero, que via a meta aberta até o arqueiro aparecer.

Durante os minutos finais, algumas chances pintaram para o Galo. De qualquer maneira, o Goiás tentava botar pressão e ficou a um triz do empate nos acréscimos. Em uma bola que respingou na intermediária, Kaio ajeitou e mandou o chute colocado buscando o ângulo. Hora de outro prata da casa salvar: Cleiton. O goleiro nem sempre transmite total confiança, mas sabe fazer grandes defesas. Realizou uma das mais importantes de sua curta carreira, ao saltar e desviar a bola com a ponta dos dedos. O arremate que seguia em direção à gaveta terminou rendendo apenas um escanteio, que não foi aproveitado pelos goianos.

E, pouco depois, o outro herói imberbe do Atlético definiu a noite. Bruninho entrara em campo aos 17 do segundo tempo, no lugar de Cazares. Também formado na base, o meia nasceu em Belo Horizonte, mas com o Galo presente em sua vida desde o nascimento. Seu pai é o ex-lateral Bruno, importante jogador na equipe vice-campeã do Brasileirão de 1999. Meses depois daquela campanha, que rendeu ao progenitor a Bola de Prata, Bruninho veio ao mundo. Já nesta quarta, 19 anos depois, anotou seu segundo gol como profissional, o primeiro no Mineirão. Numa bola lançada por Cleiton, ele dominou na entrada da área, brigou com a defesa e mandou no canto do impotente Tadeu. Na comemoração, uma vibração imensa do substituto, igualmente com os olhos marejados, mas de maneira mais explosiva.

Depois do jogo, ambos os garotos falaram com o repórter Elton Novais, do Sportv. Sobrou emoção e personalidade. Marquinhos voltou a chorar, ao contar sua história de vida. “Quando eu fiz o gol, passou um filme na minha cabeça. Um garoto que ajudava o pai como pedreiro, a vigiar carro… Hoje, fazer um gol no Mineirão com a camisa do Atlético, é uma coisa que não tem como falar”, declarou, balbuciando as palavras em meio à comoção. “Pai, um beijo! Seu filho realizou seu sonho de fazer um gol como profissional. Um beijo, eu te amo”.

Bruninho também estava tocado: “Foi meu primeiro gol no Mineirão, meu segundo no profissional do Atlético. Claro que a gente fica muito feliz. Eu conheço o Marquinhos tem muito tempo, sei da luta dele. Do Maranhão, vem de longe, longe da família. Eu não passei por isso, mas eu sinto um pouco essa saudade, essa dor que ele tem. Acabei me emocionando com as palavras dele. Assim como eu, no meu primeiro jogo, eu também me emocionei bastante. Querendo ou não, é o dia mais importante da carreira dele”.

Depois, em referência a uma fala do repórter, Bruninho defendeu o trabalho das categorias de base do Galo: “Como você falou, a base vem forte. Vejo muita gente falando que a base do Atlético não revela, que não tem jogadores bons. A prova está aqui, está hoje. A gente trabalhou muito, a gente lutou bastante para mostrar que temos a capacidade de estar aqui”. Ao final da conversa, os amigos saíram abraçados de campo.

Num momento em que muitos medalhões são questionados pela torcida do Atlético, os garotos dão um sentido ao elenco, garantindo o alívio ao final da rodada. O Galo ocupa o 11° lugar no Brasileirão e chega aos 39 pontos, a oito da zona de rebaixamento. O time terá um ânimo a mais para enfrentar o clássico decisivo no próximo domingo, contra o Cruzeiro, cinco pontos atrás na tabela. Marquinhos e Bruninho são novas esperanças.

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