A liderança do Liverpool na Premier League está sob riscos. Em um momento no qual os Reds pareciam prontos para abrir vantagem na primeira colocação, acabam enfrentando sua pior sequência de resultados na temporada. Ao longo do último mês, o time de Jürgen Klopp exibiu a sua inconsistência, entre vitórias apertadas e tropeços constantes. O ataque não consegue garantir os gols com a mesma fluidez, enquanto a defesa se rompe de maneira mais fácil. E o preço se paga na tabela. Que o Manchester City também oscile, a diferença caiu para apenas três pontos nesta segunda-feira. Dentro do Estádio Olímpico de Londres, o West Ham fez os visitantes suarem frio e poderia ter causado um estrago maior que o empate por 1 a 1, apesar do abafa executado pelo Liverpool nos instantes finais.

O West Ham não demorou a deixar claro que o Liverpool teria vida difícil em Londres. Logo aos dois minutos, Chicharito Hernández chutou com muito perigo, em bola que lambeu a trave de Alisson. Os Reds até dominavam a posse de bola, mas tinham dificuldades para abrir espaços e sofriam com a velocidade dos Hammers em suas investidas. Aos nove minutos, seria a vez de Aaron Cresswell também ficar a um triz de marcar, enquanto Alisson pegaria um chute de fora da área dado por Chicharito. A primeira chegada mais perigosa dos visitantes veio com Roberto Firmino. O atacante não acertou em cheio o seu arremate e Lukasz Fabianski encaixou sem grandes problemas.

 

Embora o West Ham fosse melhor, o gol do Liverpool nasceria primeiro, aos 21 minutos. Surgiu entre o lampejo de Adam Lallana e o desleixo da arbitragem. O meia fez uma bagunça pela ponta direita e deu o passe a James Milner, impedido. A jogada seguiu sem que a bandeira levantasse e o veterano entregou para Sadio Mané. O senegalês dominou na área, antes de bater no canto e vencer Fabianski. Os Hammers, em contrapartida, não demorariam a responder. Seis minutos depois, o empate se deu graças a uma belíssima jogada ensaiada pelo time de Manuel Pellegrini. Em cobrança da falta na entrada da área, Felipe Anderson descolou um passe ao lado da barreira a Michail Antonio. O ponta invadiu a área em velocidade, fuzilando Alisson. E no final da primeira etapa, quase saiu a virada. Em outra bola parada, Felipe Anderson mandou na cabeça de Declan Rice, que mandou por cima do travessão. Os londrinos venciam as batalhas nas trincheiras do meio-campo, com muito mais energia, e viam o brasileiro chamar a responsabilidade na criação.

Na volta ao segundo tempo, o Liverpool acertou a sua marcação e se expôs menos às investidas do West Ham. Os Reds melhoraram e começaram a forçar algumas defesas seguras de Fabianski, embora não fosse a melhor atuação coletiva do time de Jürgen Klopp. Não se via a criatividade nos ataques, também diante das dificuldades contra a defesa londrina. Xherdan Shaqiri e Divock Origi entraram em campo, mas nada que tenha ajudado tanto. Enquanto isso, o West Ham voltou a incomodar a partir dos 25. Em nova jogada de Felipe Anderson, Mark Noble ficou com a sobra e tinha a meta à sua frente, mandando por cima do travessão. Logo depois, Joel Matip ainda faria um corte salvador dentro da área.

Já os minutos finais reservaram uma busca desesperada pelo gol. O West Ham renovou suas energias com Andy Carroll e Pedro Obiang, mas ambos pouco apareceram. O Liverpool, por sua vez, intensificou a pressão e tentou forçar as jogadas contra a defesa adversária. Esticava os passes e tentava encontrar alguma abertura na área londrina através dos cruzamentos, o que andava difícil. Faltou acertar o passe final e criar chances minimamente claras em meio ao abafa desordenado. Isso só aconteceu no último lance, quando Origi teve a bola do jogo. Um passe de Naby Keita por elevação deixou o belga na cara do gol e, mesmo com a posição irregular, o assistente não assinalou a infração. O belga, contudo, chutou em cima de Fabianski e lamentou muito. O apito final confirmou o tropeço dos Reds.

Desde janeiro, o Liverpool conquistou apenas duas vitórias em seis partidas disputadas – com uma das derrotas custando a eliminação na Copa da Inglaterra, contra o Wolverhampton. No momento, os Reds somam 62 pontos na Premier League, contra 59 do Manchester City. E a questão sobre o time deixa de ser a vantagem sustentada, mas sim apresentar um futebol mais competitivo em semanas decisivas, às vésperas do reinício da Liga dos Campeões. Ao menos na próxima rodada, a missão será um pouco mais branda aos líderes. Enquanto o Liverpool recebe o Bournemouth em Anfield, o Manchester City encara o Chelsea no Estádio Etihad. Hora de retomar os prumos antes que a equipe de Jürgen Klopp faça o clássico contra o embalado Manchester United em Old Trafford. A margem para manobras é pequena.