O Irã passou 12 partidas seguidas sem levar gol nas Eliminatórias Asiáticas, inclusive nove na fase final. Foi vazado apenas na última rodada, contra a Síria, quando já estava classificado. Marrocos, nem isso. Ficou os seis jogos da última etapa das Eliminatórias Africanas com a meta intacta. E ambos começaram a Copa do Mundo da mesma maneira. Apesar de um primeiro tempo bem jogado e movimentado, com pressão do Marrocos no começo, as defesas acabaram prevalecendo em São Petersburgo. O 0 a 0 parecia inevitável, iminente, indestrutível. Mas, aos 50 minutos do segundo tempo, Haji Safi cobrou falta na área, e Aziz Bouhaddouz mandou contra as próprias redes. O Irã fez 1 a 0 para alcançar apenas sua segunda vitória em Mundiais, a primeira desde aquela contra os EUA, em 1998.  

Massacre inicial

Como esperado, Marrocos ficou mais com a bola. E os primeiros minutos foram um massacre. Os africanos encurralaram o Irã, com boas jogadas pela ponta direita, cavando muitos escanteios. Faltou transformar o volume de jogo em chances claras de gol. A melhor foi mais no abafa do qualquer outra coisa: bola alçada na área em cobrança de falta. A primeira tentativa é de Belhanda, bloqueada pela defesa. Benatia também esbarra no muro iraniano, e a zaga eventualmente consegue afastar. No fim, foram cinco finalizações marroquinas no primeiro tempo, três para fora. O Irã acabou batendo mais a gol: seis vezes. 

Mas o Irã quase abriu o placar

O Irã, depois de se assentar na partida, ainda teve a oportunidade mais clara dos 45 minutos iniciais. Em contra-ataque, Azmoun recebeu dentro da área e finalizou para boa defesa de El Kajoui, com os pés. No rebote, Jahanbakhsh pegou de primeira. El Kajoui reagiu muito bem e espalmou com a mão esquerda.

Segundo tempo fraco

O primeiro tempo foi bem jogado. O segundo, nem tanto. Houve muito pouco a se destacar nos dois lados, e a primeira ação importante saiu aos 34 minutos, quando Belhanda fez uma linda jogada e tocou para Ziyech pegar de primeira da entrada da área. Beiranvad caiu para fazer a defesa. Nos acréscimos, o gol contra que decretou a vitória iraniana. 

Posse de bola infértil

Marrocos dominou as ações, com 64% de posse de bola. Trocou 414 passes, mais que o dobro do que o Irã. Mas tanto volume conseguiu produzir apenas oito finalizações. E Beinranvand só precisou trabalhar três vezes. Os iranianos atacaram menos, mas, quando o fizeram, foram mais perigosos, como no contra-ataque do fim do primeiro tempo. E no gol, claro. 

Segunda vitória em Copas

Irã está na sua quinta participação em Copas do Mundo. Três delas (1978, 2006 e 2014) terminaram sem nenhuma vitória para os persas. A única alcançada foi em 1998, no simbólico confronto contra os Estados Unidos, na segunda rodada. Mas a seleção perdeu para os dois times mais fortes do grupo, Iugoslávia e Alemanha, e não chegou às oitavas de final. A história se repetirá?

Ficha técnica

Marrocos 0 x 1 Irã

Local: Estádio de São Petersburgo, em São Petersburgo (RUS)
Árbitro: Cüneyt Çakir (TUR)
Gols: Aziz Bouhadzdouz (contra), aos 49’/2T
Cartões amarelos: Karim El Ahamadi (MAR); Masoud Shojaei, Alireza Jahanbakhsh e Karim Ansarifard (IRA)

Marrocos: Munir El Kajoui; Nordin Amrabat (Sofyan Amrabat), Medhi Benatia, Romain Saiss e Achraf Hakimi; Karim El Ahamadi, Mbark Boussoufa, Younes Belhanda, Hakim Ziyech e Amine Harit (Manuel da Costa); Ayoub Kaabi (Aziz Bouhaddouz). Técnico: Hervé Renard

Irã: Alireza Beiranvand; Ramin Rezaeian, Morteza Pouraliganji, Roozbeh Cheshmi e Ehsan Haji Safi; Omid Ebrahimi (Majid Hosseini), Masoud Shojaei (Mehdi Taremi), Vahid Amiri, Karim Ansarifard e Alireza Jahanbakhsh (Saman Ghoddos); Sardar Azmoun. Técnico: Carlos Queiroz