O 17 de junho é histórico às Copas do Mundo, especialmente ao Brasil. Nesta data, a Seleção conquistou o bicampeonato em 1962 e experimentou sua “revanche” contra o Uruguai nas semifinais de 1970, além de ter passado pela Bélgica em complicado (e polêmico) duelo nas oitavas de final de 2002. No mesmo dia, os Mágicos Magiares da Hungria surgiram ao torneio em 1954, logo aplicando a segunda maior goleada já registrada, contra a Coreia do Sul. E em 1994, a Alemanha inaugurou o Mundial dos Estados Unidos, suando para superar a Bolívia. De qualquer forma, é um dia singular por outros motivos. O regulamento peculiar da competição nos anos 1950 fez da data um “dia de desempates”.

Nas Copas de 1954 e 1958, não existiam critérios de desempate na fase de grupos. Os times que somavam a mesma pontuação precisavam disputar um jogo extra. No Mundial da Suíça, como cada equipe fazia apenas dois jogos naquela primeira fase (mesmo com quatro equipes por chave), a carga de cansaço ao compromisso adicional não era tão grande. Já no Mundial da Suécia, depois das três partidas, ainda havia uma data a mais para os desempates, dois dias antes das quartas de final. E eles aconteceram em 17 de junho, em três dos quatro grupos.

No Grupo 1, liderado pela Alemanha Ocidental, Tchecoslováquia e Irlanda do Norte terminaram com os mesmos três pontos (uma vitória e um empate), se enfrentando em Malmö. A goleada dos tchecoslovacos sobre a Argentina, por 6 a 1, não adiantou em nada para o saldo ou o goal average. Na partida extra, melhor para os norte-irlandeses, que seriam inferiores se os critérios de desempate existissem, mas bateram os oponentes pela segunda vez naquela edição do certame. Peter McParland anotou o gol que dava o empate no tempo normal e garantiu a vitória por 2 a 1 na prorrogação. Nas quartas, os britânicos acabaram goleados pela França por 4 a 0.

No Grupo 3, a Suécia sobrou. Gales e Hungria disputaram a segunda vaga, sendo que os húngaros teriam vantagem no saldo de gols ou no goal average, se qualquer um dos critérios fosse considerado. Mas no mano a mano, depois do empate anterior, os galeses se deram bem em Solna. Os magiares até saíram em vantagem, mas Ivor Allchurch e Terry Medwin garantiram a virada por 2 a 1. Se os húngaros tivessem passado, fariam o reencontro da Batalha de Berna com o Brasil. Ante os galeses, porém, brilhou a estrela de Pelé nas quartas de final.

No Grupo 4, o Brasil ficou na ponta. União Soviética e Inglaterra tinham a mesma pontuação, assim como o mesmo número de gols marcados e o mesmo número de gols sofridos, embora os ingleses acumulassem três empates e os soviéticos tenham vencido um de seus compromissos. O duelo histórico aconteceu em Gotemburgo. Anatoli Ilyin anotou o gol da vitória da URSS por 1 a 0, que eliminava os Three Lions na fase de grupos pela segunda vez em suas três primeiras participações nos Mundiais. Curiosamente, assim como Gales e Irlanda do Norte, os soviéticos não passaram nas quartas de final. Dois dias depois, sucumbiram à anfitriã Suécia.

1954: Hungria 9×0 Coreia do Sul

Primeira rodada da fase de grupos
Estádio Hardturm, em Zurique
Gols: Kocsis [2], Puskás [2], Palotás [2], Lantos, Czibor

1962: Brasil 3×1 Tchecoslováquia

Final
Estádio Nacional, em Santiago
Gols: Amarildo, Zito, Vavá; Masopust

1970: Brasil 3×1 Uruguai

Semifinal
Estádio Jalisco, em Guadalajara
Gols: Clodoaldo, Jairzinho, Rivelino; Cubilla

1994: Alemanha 1×0 Bolívia

Primeira rodada da fase de grupos (abertura)
Soldier Field, em Chicago
Gol: Klinsmann (Diana Ross perdeu um pênalti)

2002: Brasil 2×0 Bélgica

Oitavas de final
Estádio Kobe Wing, no Japão
Gols: Rivaldo, Ronaldo

2010: México 2×0 França

Segunda rodada da fase de grupos
Estádio Peter Mokaba, em Polokwane
Gols: Chicharito, Blanco


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