A volta do Paris Saint Germain à semifinal da Liga dos Campeões após 25 anos evoca um período de destaque do clube francês nas copas europeias. Entre as temporadas 1992/93 e 1996/97, os parisienses chegaram sempre pelo menos entre os quatro melhores em alguma das três copas europeias de então, tendo como ápice a conquista da Recopa em 1996. Inspirado pelo talento brasileiro e, por um tempo, por um George Weah prestes a explodir, o PSG bateu gigantes como Real Madrid (duas vezes), Barcelona, Bayern de Munique e Liverpool – sem falar em boas equipes de Deportivo de La Coruña, Napoli, Parma, Anderlecht, Celtic, Dynamo Kiev, Galatasaray… A lista é extensa, assim como foi brilhante aquele ciclo, que vale ser relembrado.

Fundado em 1970, o Paris Saint Germain começou a despontar no cenário nacional no início dos anos 1980, ao levantar o bi da Copa da França vencendo o Saint Étienne em 1982 e o Nantes em 1983. Entre 1980 e 1984, também fez boas campanhas na liga, alcançando o quinto lugar em 1981, o terceiro em 1983 e o quarto no ano seguinte. Esses resultados valeram as primeiras classificações europeias, e o clube disputou a Recopa em 1982/83 (na qual chegou às quartas de final) e 1983/84 (caindo para a campeã Juventus) e a Copa da Uefa em 1984/85.

Nesse período, o clube já contava em seu elenco com vários jogadores de seleção francesa, como o goleiro Dominique Baratelli, o líbero Dominique Bathenay, o zagueiro Gérard Janvion, o volante Luis Fernández e o atacante Dominique Rocheteau, além de estrangeiros que fizeram história na agremiação parisiense, como o armador iugoslavo Safet Susic e o meia argelino Mustapha Dahleb. Seu primeiro título francês, em 1986, sob o comando de Gérard Houllier, levou o clube a disputar a Copa dos Campeões pela primeira vez na temporada seguinte.

A primeira experiência, porém, foi curta: os parisienses acabaram eliminados ainda na primeira fase pelos tchecoslovacos do Vitkovice e só voltariam ao cenário europeu dali a três temporadas, quando o vice-campeonato nacional em 1988/89, atrás do Olympique de Marselha, levou-os a disputar a Copa da Uefa pela segunda vez. Mas o clube só começaria a investir pesado para se colocar entre as forças do país a partir de 1991, quando de sua aquisição pela rede de TV privada Canal+. E os resultados logo apareceriam tanto no âmbito nacional quanto no europeu.

Entre as temporadas 1991/92 e 1996/97, o PSG acumulou ótimas campanhas na liga francesa. Foi campeão em 1994, vice em 1993, 1996 e 1997 e terceiro em 1992 e 1995. Conquistou ainda outras duas Copas da França em 1993 e 1995 e uma Copa da Liga, também em 1995. E a primeira era de ouro, inspirada por jogadores como os brasileiros Ricardo Gomes, Valdo, Raí e Leonardo e o liberiano George Weah coincidiu com campanhas marcantes também na Europa. Foram cinco temporadas consecutivas chegando pelo menos às semifinais das copas continentais.

Copa da Uefa 1992/93

O terceiro lugar no Francesão de 1991/92 foi o primeiro degrau da era Canal+ para posicionar o clube como uma potência. Era a primeira temporada sob o comando do português Artur Jorge, campeão europeu com o Porto em 1987 e que já tinha no currículo uma passagem pelo futebol do país no comando do malsucedido Matra Racing. Para a temporada seguinte, houve algumas baixas: o goleiro Joël Bats se aposentou, o zagueiro brasileiro Geraldão seguiu para o América do México e o atacante Christian Perez, artilheiro do time, foi trocado com o Monaco.

Em contrapartida, do time do Principado viria um nome que marcaria época no clube: o atacante liberiano George Weah. O pacote de reforços incluía ainda o goleiro Bernard Lama (Lens), o lateral Jean-Luc Sassus (Cannes), o zagueiro Alain Roche (Auxerre), o meia Vincent Guérin (Montpellier) e o atacante François Calderaro (Metz). Estes se juntariam a nomes como os brasileiros Ricardo Gomes e Valdo, além dos franceses Paul Le Guen, Laurent Fournier, Antoine Kombouaré, Daniel Bravo, Patrick Colleter e o talento ascendente de David Ginola.

No time-base de Artur Jorge, formatado numa espécie de 4-3-2-1, à frente de Lama jogava a zaga formada por Ricardo Gomes e Roche, com Sassus e Colleter marcando e apoiando pelas laterais. No meio, Fournier, Le Guen e Guérin suavam a camisa para permitir o pleno aproveitamento da magia de Valdo, Ginola e Weah mais adiante. Uma receita que deu certo já na primeira fase, em que o liberiano demoliu o PAOK Salônica. No jogo de ida, no Parque dos Príncipes, ele marcou de cabeça, em jogadas quase idênticas, os dois gols da vitória por 2 a 0.

Na volta, num jogo tumultuado na Grécia e que não chegou ao final, ele fez o primeiro em ótima jogada individual, antes de Sassus escorar um cruzamento para ampliar. Uma enorme confusão nas arquibancadas precipitou o encerramento da partida no começo do segundo tempo, e o PSG foi declarado vencedor por 3 a 0, ratificando de maneira protocolar o domínio que já havia sido demonstrado em campo. O adversário seguinte exigiria, em tese, bem mais dos parisienses: era o Napoli, que despachara o Valencia com uma goleada de 5 a 1 na Espanha.

Os partenopei já não contavam mais com Maradona, mas Careca ainda estava por lá. Além dele, o meia sueco Jonas Thern e o goleador uruguaio Daniel Fonseca (autor dos cinco gols na vitória no Mestalla) eram os astros importados, mesclados com um bom grupo de italianos que incluía Giovanni Galli, Ciro Ferrara, Massimo Crippa e Gianfranco Zola. Mas quem brilhou no primeiro duelo no San Paolo foi Weah, que abriu a contagem escorando de sem-pulo uma falta cobrada por Valdo e fechou os 2 a 0 com mais um gol de cabeça em escanteio.

Um empate sem gols no Parque dos Príncipes no jogo de volta bastou para colocar os parisienses nas oitavas de final, diante de outro adversário cascudo: o Anderlecht, base da seleção belga (o que significava contar com nomes como o zagueiro Philippe Albert, os meias Danny Boffin e Bruno Versavel e os atacantes Marc Degryse e Luc Nilis), à qual se somavam ainda holandeses como Peter Van Vossen e John Bosman. E que soube complicar a vida do PSG ao arrancar um travado 0 a 0 no primeiro jogo na capital francesa, deixando uma difícil tarefa para Bruxelas.

Em Paris, Ginola apanhou e revidou. Levou o amarelo e, com apenas 22 minutos, acabou expulso. Seria desfalque para o jogo de volta, aumentando a dificuldade da missão do PSG. Ficaria ainda pior quando, no começo da etapa final, Bosman escorou de cabeça o cruzamento de Van Vossen e abriu o placar. Os franceses passavam por maus bocados, com Lama efetuando alguns milagres. Mas o maior deles viria a 14 minutos do fim, quando o zagueiro Kombouaré, que entrara no lugar de Sassus, desviou de cabeça um escanteio e decretou o empate em 1 a 1.

Camisa ainda mais pesada aguardava os parisienses nas quartas de final, em março de 1993: nada menos que o Real Madrid de Hierro, Sanchís, Míchel, Luís Enrique, Butragueño e do chileno Ivan Zamorano, do brasileiro Ricardo Rocha e do croata Robert Prosinecki. E que tratou de se impor na partida de ida no Santiago Bernabéu, saindo para o intervalo em vantagem de dois gols, marcados por Butragueño e Zamorano. Na etapa final, Ginola diminuiu e pareceu ter colocado a série em aberto, mas no último minuto Míchel fechou a vitória merengue em 3 a 1.

Quando, aos 33 minutos de partida no Parque dos Príncipes, Le Guen bateu escanteio fechado e Weah, na primeira trave, antecipou-se a Buyo para testar o primeiro gol dos donos da casa, a torcida vislumbrou a chance de uma grande reviravolta. Mas as coisas só ficariam mesmo insanas nos dez minutos finais. Aos 36, Ginola recebeu uma bola ajeitada na entrada da área e encheu o pé, soltando um petardo da meia-lua, sem chances para o arqueiro merengue. O 2 a 0 já garantia a vaga pelo gol marcado em Madrid, mas Valdo tratou de ampliar, num contra-ataque, aos 42.

A vaga parecia assegurada até que, no último minuto regulamentar, o Real Madrid teve uma falta para cobrar na ponta esquerda. Míchel alçou para a área e a bola foi escorada de cabeça para Zamorano empurrar às redes e, naquele instante, levar o jogo para a prorrogação. Porém ainda haveria os acréscimos. E nele, foi a vez de o PSG ter uma chance em cobrança de falta, perto do bico da área. Valdo levantou e Kombouaré subiu mais que toda a defesa madridista para acertar a cabeçada e marcar o quarto gol, num desfecho infartante.

Liderada em campo pelo talento de Roberto Baggio, a Juventus era a adversária dos franceses nas semifinais. Se no Calcio a Vecchia Signora de Giovanni Trapattoni sofria com a hegemonia do Milan de Fabio Capello, na Europa os bianconeri haviam conquistado a própria Copa da Uefa pela segunda vez há apenas três anos. E se candidatava a vencer novamente ao contar com o zagueiro brasileiro Júlio César, o inglês David Platt e os alemães Jürgen Köhler e Andreas Möller, além de italianos como Dino Baggio, Antonio Conte, Gianluca Vialli e Fabrizio Ravanelli.

Ainda assim, o PSG se colocou à altura e quase saiu do primeiro jogo, no Delle Alpi de Turim, com um excelente resultado. Aos 23 minutos, Ginola fez um passe primoroso para Weah nas costas da defesa italiana (que parou pedindo impedimento), e o liberiano finalizou com um leve toque tirando de Michelangelo Rampulla para abrir o placar. Na etapa final, porém, a Juve chegaria ao empate aos nove minutos com Roberto Baggio, que recebeu uma bola ajeitada de Ravanelli e bateu com força, de fora da área, sem chances para Lama.

O segundo tempo foi todo de pressão da Juventus. E quando o empate já se mostrava um ótimo resultado para o PSG, veio a grande frustração. No último minuto, o árbitro espanhol Antonio Martín Navarrete marcou uma falta de Kombouaré próxima à área. A cobrança de Roberto Baggio foi perfeita, no ângulo. E a virada em cima do laço fez explodir o Delle Alpi. Entretanto, não era algo para fazer os parisienses baixarem a cabeça, já que na volta bastaria uma vitória simples, pelo placar mínimo, para conduzir a equipe de Artur Jorge à final.

O empate a zero, no entanto, custou a sair do placar do Parque dos Príncipes. No meio da etapa final, os parisienses ficaram na bronca com a arbitragem do holandês Jaap Uilenberg, protestando um suposto pênalti não marcado de Carrera em Weah. Minutos depois, mais reclamação quando o juiz apitou falta de Colleter em Roberto Baggio perto da área. A bola levantada foi escorada de cabeça por Platt e chegou a Vialli, que girou e chutou para o gol. No meio do caminho, o mesmo Baggio desviou e tirou do alcance de Lama. E o PSG disse adeus à Copa da Uefa.

Recopa 1993/94

O título da Copa da França de 1993 – terceiro na história do clube – levou o Paris Saint Germain à Recopa numa edição particularmente forte do torneio, repleta de equipes de primeira linha do continente na época. Aquela temporada 1993/94 também marcou a chegada do meia brasileiro Raí, que havia acabado de levantar o bicampeonato da Copa Libertadores da América com o São Paulo. Além dele, também aportaram no Parque dos Príncipes o armador Xavier Gravelaine, que se destacara pelo pequeno Caen, e o defensor José Cobos, do Strasbourg.

O time superou as duas primeiras fases do torneio europeu sem grandes problemas, vencendo na ida e na volta, sem sofrer gols. Contra o Apoel Nicósia, fez 1 a 0 no Chipre e 2 a 0 em Paris. E diante de um Universitatea Craiova repleto de nomes com passagem pela seleção romena (como o veterano goleiro Silviu Lung e os novatos Ovidiu Stîngă e Gică Craioveanu), as vantagens foram ainda mais folgadas: uma goleada de 4 a 0 no Parque dos Príncipes e um tranquilo 2 a 0 na volta, no estádio Central de Craiova, com dois gols de Vincent Guérin.

Nas quartas de final, os confrontos ganharam peso: o Benfica encararia o Bayer Leverkusen, o Torino pegaria o Arsenal e o Ajax mediria forças com o Parma, detentor do título. Enquanto isso, ao PSG caberia enfrentar novamente o Real Madrid, com os merengues ávidos pela revanche da eliminação na Copa da Uefa no ano anterior. No primeiro jogo, no Bernabéu, o time madridista começou esmagando os parisienses, mas parou sucessivamente num Lama inspirado. E ainda chegou a acertar a trave numa cabeçada de Ivan Zamorano.

O PSG, por seu lado, aproveitou com inteligência uma escassa chance que teve para decidir o jogo: Ginola recuperou uma bola pela ponta esquerda e fez uma jogadaça antes de cruzar rasteiro para a finalização de primeira de Weah, aos 32 minutos da etapa inicial. O liberiano começou o jogo da volta infernizando a defesa merengue, criando várias ocasiões de gol. Mas quem acabou abrindo o placar foram os visitantes: após escanteio, Sanchís ajeitou de cabeça, Hierro chutou para o gol e a bola bateu em Butragueño, desviando do alcance de Lama.

Na volta do intervalo, o empate quase veio numa cabeçada de Ricardo Gomes salva em cima da linha por Juan Velasco. Mas o zagueiro insistiria e voltaria à área merengue quando Valdo cavou uma falta de Sanchís pela esquerda, perto da bandeirinha de escanteio. O próprio Valdo alçou a bola para a área, e ela passou por todo mundo até ser escorada de pé direito de Ricardo Gomes. Dessa vez, não houve quem salvasse. Seria o gol da classificação às semifinais para enfrentar o Arsenal, que chegava com reputação de time copeiro no futebol inglês.

Sorrateiro, o time dirigido por George Graham sairia na frente no jogo de ida, em pleno Parque dos Príncipes quando Ian Wright subiu sozinho para cabecear uma cobrança de falta levantada para a área. O empate parisiense veio também de cabeça na bola parada, com Ginola escorando na primeira trave um escanteio batido por Valdo aos quatro minutos da etapa final. Mas o PSG não conseguiria chegar à vitória de virada e ainda escaparia de sair derrotado graças a Lama, que fez uma defesa sensacional frente a frente com Paul Merson.

Sem Weah para a partida de volta em Highbury, a esperança era o retorno de Raí, ausente desde o segundo jogo contra o Universitatea Craiova. E logo de saída uma boa chance cairia aos seus pés quando David Seaman errou na reposição com as mãos, Valdo recuperou, arrancou até a linha de fundo e cruzou. Mas Tony Adams apareceu para travar a finalização do ex-são-paulino. E logo aos sete minutos viria o gol dos Gunners: Lee Dixon cruzou da direita e o atacante Kevin Campbell cabeceou do bico da pequena área, surpreendendo Lama.

O PSG martelaria o gol defendido por Seaman pelo resto da etapa inicial e teria ainda uma ótima chance num cruzamento de Valdo em que Raí chegou atrasado por milímetros. Mas o empate não viria. De todo modo, o time criava a necessária “casca” europeia. E o título francês com oito pontos de vantagem para o Olympique de Marselha abria um novo desafio para os parisienses: a chance de disputar a Liga dos Campeões. Por outro lado, haveria mudança no comando, com a saída de Artur Jorge, substituído por Luís Fernández, vindo do Cannes.

Liga dos Campeões 1994/95

A troca de treinadores representava uma mudança de perfil. Artur Jorge, que assinaria com o Benfica, era tido pelos dirigentes como muito conservador do ponto de vista tático. Já Fernández, antigo ídolo do clube como jogador, construíra uma reputação de técnico ofensivista no Cannes, além de gostar de trabalhar com jogadores jovens. Eleito o técnico do ano no futebol francês em 1993/94, foi o escolhido para operar a reformulação de paradigmas na equipe da capital. Mas o ponto alto de sua passagem pelo comando viria nas competições europeias.

No elenco, as mudanças foram pontuais e bem ao estilo do novo treinador, com jogadores mais veteranos cedendo espaço no elenco a jovens promessas. Sassus seguiu ao Lyon, Fournier tomou o rumo do Bordeaux, Calderaro foi para Toulouse e Gravelaine acabou cedido ao Strasbourg. Por outro lado, o defensor Oumar Dieng veio do Lille e o atacante Pascal Nouma, revelado pelo clube, retornou após passagem pelo Caen. Além disso, nomes da base como o ponta Bernard Allou e o centroavante camaronês Patrick M’Boma foram incorporados ao elenco principal.

O caminho do PSG naquela edição 1994/95 da principal competição europeia de clubes começou na fase preliminar, enfrentando o Vác Samsung, força ascendente do futebol húngaro, mas sem grande expressão no futebol europeu. Duas vitórias (3 a 0 em Paris e 2 a 1 em Budapeste) selaram a classificação para a fase de grupos, quando se iniciava a Liga dos Campeões propriamente dita. Na época, a etapa era composta de quatro chaves de quatro equipes cada. E os franceses caíram no Grupo B, ao lado de Bayern de Munique, Dynamo Kiev e Spartak Moscou.

Os bávaros, reunindo uma constelação de grandes nomes liderada pelo capitão Lothar Matthäus, eram os favoritos da chave. De alemães havia, entre outros, Oliver Kahn, Thomas Helmer, Markus Babbel, Christian Ziege, Dietmar Hamann e Mehmet Scholl. Já entre os estrangeiros, o poderoso elenco incluía os brasileiros Jorginho e Mazinho Oliveira (ex-Bragantino), o meia suíço Alain Sutter e o atacante francês Jean-Pierre Papin. No comando da equipe, a experiência do italiano Giovanni Trappatoni, velho conhecido dos parisienses de outros duelos europeus.

Mas os outros adversários também tinham seus destaques. Comandado por Oleg Romantsev, o Spartak reunia nomes locais como Viktor Onopko, Yuri Nikiforov, Dmitri Khlestov, Ilia Tsymbalar, Dmitri Alenichev, Andrey Pyatnitski e o veterano atacante Sergei Rodionov. E mesmo o Dynamo Kiev, ainda dirigido por József Szabó, já contava com alguns jogadores que brilhariam no fim da década na equipe treinada por Valery Lobanovski, como o goleiro Oleksandr Shovkovski, o lateral Oleg Luzhniy e os atacantes Viktor Leonenko e Serhiy Rebrov.

O PSG, porém, não tomou conhecimento da qualidade dos adversários e passou o trator: venceu os seis jogos da fase de grupos e garantiu a classificação às quartas de final com uma rodada de antecedência. Seu poderio foi demonstrado já na estreia, ao bater o Bayern por 2 a 0, gols de Weah (no rebote de uma cabeçada de Ricardo Gomes no travessão) e de Daniel Bravo, pegando a sobra de um escanteio e fuzilando de fora da área. Nas duas partidas seguintes, ambas fora de casa, fez 2 a 1 no Spartak (Le Guen e Valdo) e no Dynamo (Guérin e Weah).

Na quarta rodada, o time se aproximou da vaga ao vencer o Dynamo Kiev no Parque dos Príncipes com outro gol de oportunismo de Weah, surgindo para empurrar às redes uma jogada de Raí que acertara o pé da trave. E o liberiano seria outra vez decisivo na partida seguinte, ao marcar um gol antológico que daria a vitória por 1 a 0 sobre o Bayern em pleno Olympiastadion de Munique. No último jogo, já com a classificação assegurada, a equipe derrotou o Spartak Moscou por um tranquilo 4 a 1, com dois de Weah, um de Ginola e um de Raí.

Nas quartas, o clube cruzaria com o Barcelona, vice-líder num Grupo A que teve o surpreendente IFK Gotemburgo na ponta e o Manchester United eliminado. Ainda dirigidos por Johan Cruyff, os catalães preservavam muitos remanescentes do time campeão europeu em 1992, como o líbero holandês Ronald Koeman, o atacante búlgaro Hristo Stoichkov e uma boa leva de espanhóis como Ferrer, Sergi, Guardiola, Nadal, Amor, Bakero e “Txiki” Beguiristain, aos quais se somavam novos contratados como o zagueiro Abelardo e o meia romeno Gheorghe Hagi.

Foi, porém, um estrangeiro menos badalado o autor do gol do Barça na partida de ida, no Camp Nou, no dia 1º de março de 1995: o russo Igor Korneev arrancou pela ponta direita e cruzou para a área, mas Lama falhou e acabou empurrando a bola para dentro, logo aos dois minutos da etapa final. Mas Weah – sempre ele – seria o artífice do gol de empate, sete minutos depois. Após grande jogada pela ponta-esquerda, o liberiano foi derrubado por Ferrer quase na linha de fundo. Na cobrança da falta, ele testou firme para as redes, selando o empate em 1 a 1.

Depois de ter começado o jogo do Camp Nou no banco, Raí retornava ao time titular do PSG na partida de volta, ele que em 1992 havia sido decisivo na vitória do São Paulo diante do mesmo Barcelona no Mundial Interclubes, em Tóquio. Mas no primeiro tempo, a sorte esteve do lado do goleiro azulgrana Carles Busquets, que viu por quatro vezes os ataques franceses pararem em suas traves: uma cabeçada de Weah, um toque de cobertura de Ginola e um cruzamento alto do mesmo jogador acertaram o travessão e um peixinho de Raí acertou o poste esquerdo.

No começo da etapa final, a sensação de que a sorte levaria o Barça adiante aumentou quando Hagi sofreu falta de Valdo e, na cobrança, Bakero subiu mais que todo mundo para abrir o placar de cabeça. Em seguida, um chute de Ginola de fora da área acertou mais uma vez o travessão de Busquets. Mas quando Cruyff fez uma substituição para garantir o resultado, tirando Hagi para a entrada de Abelardo, o jogo começou a virar a favor do PSG: na primeira jogada após a troca, Raí cabeceou uma cobrança de escanteio e deixou tudo igual no Parque dos Príncipes.

Empurrados pela torcida, os parisienses começaram a sufocar o adversário. E a sete minutos do fim, Guérin recebeu a bola na intermediária e desmarcado, avançou. Antes da altura meia-lua, o meia desferiu um chute rasteiro não muito forte, mas que Busquets não foi capaz de alcançar. A bola entrou mansa, bem no canto da meta barcelonista, levando o público ao êxtase. O gol não só evitava a prorrogação como colocava o PSG pela primeira vez em sua história na semifinal da Liga dos Campeões. O adversário, no entanto, era outro peso pesado europeu.

O Milan de Fabio Capello, detentor do título após ter surrado o mesmo Barcelona na decisão do ano anterior, dispensava apresentações. E se mostraria forte demais mesmo para a campanha até ali exemplar do PSG. Mas o confronto teve um requinte de crueldade: o gol de Zvonimir Boban no último minuto que decidiu o jogo de ida no Parque dos Príncipes (1 a 0). A tarefa impossível – devolver o placar no San Siro – não seria concretizada: com dois gols de Dejan Savicevic, um em cada tempo, os rossoneri deixariam os parisienses de fora da final.

Recopa 1995/96

Um consolo para o PSG na ótima campanha da Liga dos Campeões tinha sido o fato de George Weah terminar como artilheiro isolado da competição, com oito gols. Ao fim do ano de 1995, o atacante liberiano seria consagrado ao vencer a Bola de Ouro da revista France Football e ainda o prêmio de Melhor Jogador do Mundo da Fifa. Na ocasião, porém, não era mais atleta do clube: no meio do ano ele se transferira ao Milan, justamente o carrasco dos parisienses na temporada anterior. Sua saída também indicaria uma reformulação do elenco parisiense.

Outros nomes emblemáticos dos últimos anos também deixariam o clube: os brasileiros Ricardo Gomes e Valdo seguiriam para o Benfica, o meia David Ginola seria negociado com o Newcastle e o zagueiro Antoine Kombouaré tomaria o rumo do Sion. Por outro lado, os reforços incluíam o promissor zagueiro Bruno N’Gotty (Lyon), o lateral-esquerdo Stéphane Mahé (Auxerre). O versátil Laurent Fournier retornava após uma temporada no Bordeaux, bem como o goleiro Richard Dutruel, que passara dois anos emprestado ao Caen para ganhar experiência.

Os reforços que geraram mais expectativa, porém, eram para o setor ofensivo. O clube abriu os cofres para trazer Patrice Loko (campeão francês pelo Nantes e artilheiro da liga em 1994/95), Youri Djorkaeff (destaque do Monaco e nome que se firmava no futebol do país) e o panamenho Julio Dely Valdés (vindo da galáctica Serie A italiana, na qual defendia o Cagliari). Com esses novos nomes, o PSG tentaria seu primeiro título continental ao disputar a Recopa, competição para a qual se classificou ao vencer a Copa da França de 1995, batendo o Racing Strasbourg.

O primeiro obstáculo seria o norueguês Molde, cujo destaque era um perigoso ataque em que despontavam Ole Gunnar Solskjaer e Arild Stavrum. E seriam exatamente eles os autores dos gols da equipe no primeiro jogo, na Noruega. Mas o PSG também balançaria as redes com Le Guen, Djorkaeff cobrando pênalti e Dely Valdés a seis minutos do fim, retornando com uma boa vitória por 3 a 2. Na volta, o jovem atacante Pascal Nouma marcaria duas vezes com apenas 13 minutos de jogo e Djorkaeff completaria uma tranquila vitória por 3 a 0.

Nas oitavas, o adversário era um clube mais tradicional, o Celtic do meia John Collins, do atacante alemão Andreas Thom e do centroavante holandês Pierre Van Hooijdonk. Mas os Bhoys também não teriam força suficiente para interromper a caminhada do PSG, que teve mais dificuldades em casa (ao vencer por apenas 1 a 0, gol de Djorkaeff a 14 minutos do fim) do que fora (quando deslanchou com dois gols de Loko ainda no primeiro tempo e outro de Nouma na etapa final). Já nas quartas, o time de Luis Fernández encontraria um oponente à altura.

O Parma despontava naquela década como uma nova potência do futebol italiano. Se naquele período não chegou a conquistar o scudetto, por outro lado obteve bastante sucesso nas copas nacionais e continentais. Naquela altura, já havia levantado a Recopa de 1993 (e sido vice no ano posterior) e a Copa da Uefa de 1995. E à boa base que reunia nomes como Luigi Apolloni, Roberto Sensini, Dino Baggio, Massimo Crippa e Gianfranco Zola havia acrescentado novatos talentosos como Fabio Cannavaro e Filippo Inzaghi, além de tirar Hristo Stoichkov do Barcelona.

E venceria o jogo de ida no estádio Ennio Tardini exatamente com um gol de Stoichkov, em um chute forte e cruzado após um contra-ataque aos 13 minutos do segundo tempo. Na volta, havia o desfalque de Djorkaeff. Mas Fernández não abriu mão de um esquema ofensivo, escalando três homens de frente: Nouma, Dely Valdés e Loko. E chegaria ao primeiro gol logo aos nove minutos, num pênalti de Cannavaro em Nouma que Raí converteu, sem chances para Luca Bucci. Porém, os italianos empatariam aos 26 com Alessandro Melli, numa falha de Lama.

Mesmo com a missão dificultada pelo gol sofrido em casa, o PSG não desanimou e continuou em cima. Ainda antes do intervalo, aos 38 minutos, Raí pegou uma sobra da defesa italiana, aplicou um belo chapéu em Massimo Brambilla e fez o passe a Loko, pegando no contrapé a retaguarda do Parma, que saía para tentar a linha de impedimento. Sozinho diante de Bucci, o atacante não desperdiçou e pôs de novo os parisienses na frente. Faltava só um gol para a reviravolta. E ele não demoraria muito para acontecer, aos 24 minutos da etapa final.

Após um escanteio, a defesa italiana saiu jogando errado. Laurent Fournier tomou a bola, invadiu a área e, quando parecia preparado para chutar em gol, levou um trança-pé de Luigi Apolloni. Outro pênalti. Imediatamente, Loko pegou a bola e colocou na marca da cal. Mas quem cobrou, mais uma vez, foi Raí. Bola para um lado, Luca Bucci para o outro, decretando o 3 a 1. Nos minutos finais, Lama ainda se reabilitou fazendo ótima intervenção ao bloquear um chute de Inzaghi, o que ajudou a garantir a classificação do PSG às semifinais da Recopa. 

Os outros três semifinalistas eram o Feyenoord (que deixou pelo caminho o Everton e o Borussia Mönchengladbach), o Rapid Viena (que passou por Sporting e Dínamo de Moscou) e o Deportivo La Coruña, responsável por derrubar, num duelo nacional, o atual campeão Zaragoza, além do Trabzonspor na etapa anterior. E seriam os galegos os adversários do PSG na semifinal. Além dos brasileiros Bebeto e Donato (este, naturalizado espanhol), o esquadrão dirigido pelo galês John Toshack ainda incluía o iugoslavo Miroslav Djukic e ídolos locais como Fran e Manjarín.

Lama teve uma atuação irrepreensível na partida de ida, no Riazor, segurando a intensa pressão do forte ataque galego. Do outro lado, o PSG teve uma ótima chance em cabeçada de Dely Valdés que Liaño espalmou. Mas no fim, os franceses ririam por último: uma ótima jogada individual de Djorkaeff, puxando o contra-ataque e batendo de fora da área, com curva, sem chances para o arqueiro do time da casa, decidiu a parada e deixou os parisienses em muito boa condição para alcançar a final no jogo de volta dali a duas semanas.

Um gol de Loko aos 14 minutos da etapa final, recebendo bom passe de Djorkaeff e livrando-se da marcação de Voro, deu uma nova vitória pelo placar mínimo aos parisienses e os levou à final diante do Rapid Viena, que reunia muitos nomes da seleção austríaca que disputaria a Copa do Mundo de 1998 (o goleiro Michael Konsel, o zagueiro Peter Schöttel, o volante Dietmar Kühbauer e os meias Andreas Heraf e Peter Stöger), além do zagueiro búlgaro Trifon Ivanov e do atacante alemão Carsten Jancker, futuro Bayern de Munique.

Para a decisão no estádio Rei Balduíno (antigo Heysel) em Bruxelas no dia 8 de maio de 1996, o PSG manteve sua escalação mais frequente, com o time armado no 3-5-2 com Lama no gol; Le Guen, N’Gotty e Roche como zagueiros; Fournier e Colleter nas alas; e com Bravo e Guérin fornecendo a sustentação do meio-campo para que Raí pudesse fazer a ligação com Djorkaeff e Loko na frente. Dely Valdés ficava como boa opção de banco. Mas o panamenho teria de entrar logo aos 12 minutos, quando Raí se lesionou e não pôde mais continuar.

Mas nem isso preocupou o PSG. Franco favorito, não sentiu o baque e continuou a se impor em campo. O gol era só questão de tempo. E ele veio aos 28 minutos de jogo. Djorkaeff segurou a bola até ser parado com falta por Peter Guggi na intermediária. Bruno N’Gotty não se preocupou com a distância: ao receber a bola rolada, encheu o pé e viu seu chute morrer no canto de Konsel, no fundo das redes austríacas. E o placar poderia ser maior: Dely Valdés desperdiçou duas ótimas chances, Djorkaeff acertou a trave e Guérin perdeu cara a cara com o goleiro.

Mas o 1 a 0 bastou para que os parisienses levantassem seu primeiro e – até aqui – único troféu europeu, conquista que ganhava ainda mais importância depois da polêmica envolvendo o título do rival Olympique de Marselha na Liga dos Campeões, três anos antes. O caneco, porém, não segurou Luis Fernández no cargo: sem vencer nenhum título nacional em suas duas temporadas no cargo, o que prejudicava o projeto de hegemonia nacional colocado pelos donos do clube, ele não ficaria para tentar o bi na competição continental no ano seguinte.

Recopa 1996/97

A presença brasileira voltava a se intensificar em Paris. Um ano depois de deixar o clube e retornar ao Benfica, Ricardo Gomes estava de novo no Parque dos Príncipes, mas agora como treinador no lugar de Luis Fernández (que seguiu para o Athletic Bilbao). Quem também aportava na capital francesa era o meia Leonardo, ex-Flamengo, São Paulo e Valencia, vindo do Kashima Antlers. Além dele, foram trazidos o defensor português Kenedy (outro ex-Benfica), o lateral-esquerdo Jimmy Algerino (Châteauroux) e o meia Benoît Cauet (Nantes).

Os demais reforços eram nomes que retornavam de empréstimos, como Jérôme Leroy e Patrick Mboma. Alguns promovidos da base, como o defensor Didier Domi e os atacantes Bernard Allou e Nicolas Anelka (logo negociado com o Arsenal), eram incorporados ao elenco. Por outro lado, a lista de jogadores que deixaram o clube era extensa e incluía titulares como Djorkaeff (Inter de Milão), Bravo (Parma) e Colleter (Bordeaux), além de peças importantes do elenco, como Dieng (Sampdoria), Nouma (Strasbourg), Mahé (Rennes) e Dutruel (Celta).

A campanha para tentar o bi começou diante do fraco Vaduz de Liechtenstein, despachado sem cerimônia por 7 a 0 no placar agregado. Mas o bom Galatasaray dirigido por Fatih Terim daria mais trabalho nas oitavas. O jogo de ida em Istambul teve primeiro tempo muito movimentado, com a equipe turca – liderada em campo pelo romeno Gheorghe Hagi – abrindo vantagem com gols de Hakan Şükür e Tugay Kerimoğlu. O PSG buscaria o empate com Le Guen e Dely Valdés, mas logo os turcos passariam à frente de novo com outro do artilheiro Şükür.

Na etapa final, Hakan Ünsal marcou logo no início e fechou a vitória turca em 4 a 2, deixando aos parisienses a tarefa de tentar reverter o resultado no Parque dos Príncipes. O que foi rapidamente conseguido graças a Leonardo: aos dez minutos o brasileiro aproveitou um erro na saída de bola do adversário para abrir o placar e aos 23, cobrou falta na área para Dely Valdés ampliar. O 2 a 0 já era suficiente, mas o time chegaria à goleada na etapa final. Leonardo cruzou para Loko escorar aos 14, e Raí concluiu uma bela troca de passes aos 33, arredondando os 4 a 0.

A mesma facilidade, no entanto, não seria encontrada no jogo em casa contra o AEK Atenas pelas quartas de final. O time abusou de perder chances, quase sempre travadas pelo setor defensivo do adversário, e ainda levou sustos em contra-ataques puxados pelo georgiano Temuri Ketsbaia. A má atuação seria compensada com uma grande vitória por 3 a 0 na Grécia, com direito a hat-trick de Patrice Loko. Dos três, o primeiro foi o mais bonito de todos, com um leve e sutil toque de cobertura por sobre o estático goleiro Elias Atmatsidis.

As semifinais, disputadas em abril de 1997, reservariam um histórico duelo com o Liverpool do técnico Roy Evans, no qual os “Spice Boys” Steve McManaman, Jamie Redknapp e Robbie Fowler conviviam com veteranos como Mark Wright, Michael Thomas e John Barnes, além de jogadores em alta naquele momento, como o atacante Stan Collymore. Mas nenhum desses nomes pôde impedir uma atuação memorável dos parisienses na partida de ida, num Parque dos Príncipes lotado e que só precisou esperar até os 12 minutos de jogo para explodir.

A jogada começou com uma descida de Leonardo até a linha de fundo e o cruzamento para Loko. No bate e rebate que se seguiu, na segunda tentativa de Cauet, a bola cruzou toda a extensão da pequena área e voltou para Leonardo, que tocou para o gol vazio e abriu o placar. Antes do fim da primeira etapa, o PSG chegaria ao segundo gol: Leroy deu um lindo drible passando a bola por entre as pernas do lateral norueguês Stig Inge Bjørnebye e cruzou. David James não segurou, e Leonardo cabeceou para trás. Cauet veio na corrida e não perdoou.

Na etapa final, o Liverpool buscou recompor o meio-campo, mas o PSG controlou o jogo e não deu margem à reação. E ainda houve tempo para o terceiro gol, que se mostraria crucial no confronto. Aos 39, o atacante Cyrille Pouget, que entrara no lugar de Loko, fez boa jogada de infiltração na área dos Reds e cruzou para trás, encontrando Leroy livre. Do bico da pequena área, o meia fuzilou David James, para o êxtase completo da torcida parisiense. Mesmo para o Liverpool, com todo o peso de sua camisa, era um resultado difícil de reverter.

Na volta, um gol de Fowler logo aos 12 minutos ainda fez a torcida dos Reds acreditar. Mas o segundo tento só saiu a dez minutos do fim, numa cabeçada de Mark Wright após escanteio, e a reação parou por aí. Com atuação muito segura, o Paris Saint Germain saiu de Anfield com a vaga na decisão, tentando o bicampeonato da Recopa, caneco que faltaria na rica sala de troféus dos Reds. No caminho entre os franceses e a segunda taça, entretanto, estava nada menos que o Barcelona, maior vencedor da competição e buscando sua quarta conquista.

Os catalães chegaram à final – disputada no De Kuip, de Roterdã – vindos de vencer por 1 a 0 o Superclássico contra o Real Madrid, reduzindo a desvantagem para os merengues no topo da liga espanhola de oito para cinco pontos. O destaque indiscutível da equipe era o brasileiro Ronaldo, em temporada fabulosa. Mas ainda havia os portugueses Luís Figo, Vítor Baía e Fernando Couto, o romeno Gheorghe Popescu e o búlgaro Hristo Stoichkov, retornando do Parma. E uma boa safra espanhola, que incluía Ferrer, Abelardo, Sergi, De La Peña, Luís Enrique e Guardiola.

Naquele período havia uma curiosa escrita no torneio, com os detentores do título voltando à final e saindo derrotados. Havia sido assim com o Parma em 1993 e 1994 e com o Arsenal em 1994 e 1995. E o mesmo aconteceria com o PSG. Herói da conquista de 1996, Bruno N’Gotty se transformaria em vilão ao derrubar Ronaldo na área aos 37 minutos de jogo. O brasileiro cobrou deslocando Lama e fez o único gol da decisão. O troféu foi para a Catalunha pela quarta vez. E o PSG teria de esperar 23 anos por uma nova semifinal europeia.

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas. Para visualizar o arquivo, clique aqui.