Sim, estou atrasado: deixei para escrever a coluna da semana passada depois de Chelsea e City, e acabei me enrolando. Depois dali, porém, o Chelsea voltou a fracassar, e o City, a vencer. Faz pouco sentido, portanto, analisar qualquer coisa a partir daquele jogo. O Chelsea, porém, é assunto, junto com o Arsenal, por outro motivo: apesar de serem apenas quarto e quinto colocados na Premier League, é em suas mãos que repousa o futuro da Inglaterra na Liga dos Campeões. E minha aposta com Leonardo Bertozi e Gian Oddi.

Sim, porque o que teremos nas oitava da LC é um duelo Inglaterra x Itália. De um lado, Chelsea x Napoli, e de outro, Arsenal x Milan. E eu aposto nos dois ingleses. E explico por que.
É claro que qualquer pessoa que goste de futebol vai torcer para o Napoli contra o Chelsea. Um time com tradição, o time de Maradona, contra uma equipe montada com excesso de dinheiro. Um “humilde” italiano contra um papa-títulos inglês. A arrogância de Terry contra o futebol de Cavani. Torcida, porém, não decide jogo. Terry é arrogante, tem problemas de caráter, como esta coluna gosta de lembrar a cada duas semanas, mas voltou a jogar um bom futebol. E, principalmente, é o motivador da equipe dentro de campo.

Se de um lado teremos Terry, David Luiz e outros jogadores excessivamente caros, do outro teremos um grupo em que oito de onze titulares dificilmente teria seu nome reconhecido pelo torcedor que acompanhe pouco o futebol europeu.  Tirando Lavezzi, Cavani e Hamsik, pouco ou nada se ouve sobre o resto do time. Não estou dizendo que não são bons jogadores, apenas que não são badalados.

Ainda assim, o Napoli chegou às oitavas eliminando o Manchester City, que, diga-se, tem ampla vatagem sobre o Chelsea na tabela do Inglês. O problema aí é que, embora seja muito mais time que o Chelsea, o City ainda é um time em formação. Os Blues, por outro lado, têm uma base que joga junto há muitos anos, ainda que tenha tido mudanças de jogadores no período. Deverá contar também com Essien, que tem volta prevista para janeiro. Pela experiência, o Chelsea é favorito.

O outro jogo me parece mais difícil de prever. Embora tenha seus robinhos, o Milan deste ano é melhor do que o que foi eliminado com folgas pelo Tottenham na temporada passada. Ou pelo menos é o que esperam meus amigos “italianos”. A realidade é que os nomes que chegaram para o elenco rossonero são na melhor das hipóteses bons jogadores – admito que não conheço Nocerino o suficiente, mas de qualquer forma não é um jogador que pode mudar um time.

O problema maior, porém, está do outro lado, o Arsenal, que hoje também é um time inferior, pelo menos no papel, aos Spurs que eliminaram o Milan. Os Gunners perderam três de seus quatro melhores jogadores por transferência ou contusão, e estão muito longe de tê-los substituído à altura. A questão é que é aí que a mágica de Wenger se revela.

Embora tenha perdido para o City no final de semana, o Arsenal das últimas rodadas está muito acima do que o que começou o campeonato. E, se há alguma “mágica” envolvida, e há, não se pode ignorar que há três nomes fazendo a diferença: Vermaelen, Song e Van Persie. Os dois primeiros emendaram a peneira que era a defesa gunner. Mas, é claro, é nos pés de Robin van Persie  que está o sucesso do time.

Van Persie pertence a uma geração de “craques quebrados” de seu país, que tem ainda Van der Vaart, Robben e Sneijder. Todos quebrados, em maior ou menor escala, todos craques de nível mundial. No caso de Van Persie,  talvez se veja pela primeira vez nesta temporada a extensão de seu talento.

E é aí que mora o perigo. Todos sabem o quanto o holandês é sujeito a contusões. E que neste ano ele ainda não se contundiu com gravidade. Que seja uma nova fase. Com van Persie, acredito, o Arsenal passa. Sem ele, vou depender de um menino mimado português e de seus comandados bad boys para não pagar cerveja para uma galera.

CURTAS

Nas duas últimas semanas muita coisa mudou nas duas principais divisões da Inglaterra.

Na coluna da semana que vem faço uma análise das perspectivas para 2012. Depois tiro longas e merecidas férias, volto só em fevereiro.

Na Premier League, a diferença entre líder e vice-líder é agora de apenas dois pontos, mas não dá mais para ter a segurança de que o City vai manter o nível.

Mais pra baixo na tabela, o Tottenham finalmente perdeu, em Stoke. E se recuperou no último final da semana batendo o Sunderland por apenas 1 a 0.

Spurs e Chelsea se enfrentam pela 3ª colocação nesta semana, e os vizinhos do norte têm motivos para preocupação: além de King, Lennon e Bale devem ficar fora.

Quem realmente caiu de produção foi o Newcastle. Além dos jogos com os favoritos, o principal problema foram as contusões na zaga, que vinha sendo a principal força da equipe.

No Championship, deu empate no dérbi praiano do sul (não, esse nome não existe): Portsmouth 1×1 Southampton.

Com o resultado, os Saints ainda são líderes, mas agora têm só um ponto e vantagem para o West Ham – e três para o Middlesbrough.

Quem caiu foi o Cardiff, que depois de duas semanas sem vencer – perdeu em casa na última para o Boro – caiu para a quinta colocação.

E quem subiu foi o Hull, que depois de quatro vitórias seguidas chegou ao quarto lugar.

O Leeds completa a zona de playoffs, com Reading, Blackpool e Brighton a no máximo 3 pontos.

Na parte de baixo da tabela, o Nottingham Forest, interrompeu a série de quatro derrotas com um empate. A equipe está na zona de rebaixamento pelo saldo de gols.

Na League One, o Charlton empatou as duas últimas, mas ainda é líder com boa vantagem.

Seus perseguidores, porém, agora são os dois Sheffields: o Wednesday, que não perde há seis jogos, a cinco pontos, e o United, que ganhou as quatro últimas, a sete.

O Huddersfield, por outro lado, depois da enorme série de vitórias não ganhou mais, e caiu para o quarto lugar.

Por fim, na League Two a situação do AFC Wimbledon é bem complicada. Embora ainda esteja a nove pontos da zona de rebaixamento, a equipe não vence há nove jogos – perdeu seis deles – e despencou na tabela.