As acusações sobre Benzema fazem o extracampo outra vez colocar em xeque a seleção francesa

Como em um ciclo interminável de problemas, os vestiários ameaçam o bom momento dos Bleus rumo à Euro de 2016

Karim Benzema estampa os jornais de diferentes países nesta semana, e por um motivo que nada tem a ver com o futebol. O atacante foi detido pela polícia, acusado de extorquir Mathieu Valbuena por um suposto vídeo erótico do colega de seleção. O indiciamento em si pesa muito contra o artilheiro, que vive um dos melhores momentos da carreira, primordial ao Real Madrid. No entanto, vai muito além, pelo impacto sobre a seleção francesa às vésperas da Eurocopa de 2016, sediada no país. Como um ciclo interminável, os problemas extracampo voltam a minar as expectativas sobre os Bleus.

A França vai para a Euro 2016 como uma das favoritas, e não apenas por disputar o torneio em casa. Por mais que tenha oscilado nos amistosos dos últimos meses, a equipe fez ótimo papel na Copa do Mundo de 2014, botando muita pressão sobre a Alemanha nas quartas de final. Além disso, conta com um elenco completo em diferentes setores e com vários jogadores em ascensão. Pogba, Griezmann e Varane encabeçam uma nova geração, todos com 24 anos ou menos. Um elenco que tem tempo e qualidade para render mais nas próximas competições. Mas que depende da liderança de seus veteranos. Entre eles, Benzema e Valbuena.

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Durante o Mundial de 2014, os dois homens de frente já estiveram entre os donos do time de Didier Deschamps, ao lado de Lloris e Evra. Possuem rodagem e experiência internacional, em uma equipe que ainda se mostra em formação. Não à toa, foram importantes em vários momentos da campanha e davam a segurança de que o ciclo continuaria firme rumo à Eurocopa. Até os vestiários influenciarem mais uma vez os caminhos errantes dos Bleus, como de praxe. Os rachas internos na Copa de 2010 e na Euro de 2012 são os exemplos mais recentes de uma lista extensa de conflitos.

Benzema, inclusive, faz parte de uma geração considerada “maldita” pelos franceses. Em 2004, a seleção sub-17 conquistou o Europeu Sub-17. Contudo, muitas das promessas daquele time acabaram protagonizando as bombas que estouraram nos bastidores dos Bleus nos últimos anos: Nasri, Ménez e Ben Arfa – este, o único a fazer parte do atual time, e mesmo assim reconvocado só depois de seu renascimento no Nice nesta temporada. Benzema, que passou longe das encrencas em 2010 e 2012 (até porque foi deixado de lado no Mundial da África do Sul), tem sua importância colocada em xeque agora.

Obviamente, se fosse apenas por bola no pé, a trajetória de Benzema não seria atrapalhada pela polêmica. Enquanto Pogba ainda se afirma, nenhum outro jogador se faz tão importante aos Bleus quanto o artilheiro. Todavia, ele não é insubstituível. Giroud não mantém o nível técnico, mas é um substituto confiável, assim como ainda há Gignac e Rémy para a posição. Além deles, Lacazette cresceu muito, embora seja atrapalhado pelas lesões. Valbuena, por sua vez, não vive grande momento no Lyon e também não será problema.

A questão maior está sobre o impacto que o entrave, a ser resolvido ao longo das próximas semanas, trará ao quase sempre instável elenco francês. Deschamps conseguiu dar coesão ao grupo e uni-lo, sobretudo a partir da repescagem à Copa de 2014. Só que o conflito entre dois líderes dos Bleus coloca obstáculos pela frente, sob os riscos de novos rachas. Algo custoso, em um momento no qual o time deveria concentrar forças em busca da Eurocopa.