Ela está de volta. A Premier League dá o seu pontapé inicial para uma temporada cheia de novidades. Os clubes gastaram as suas libras em reforços para tentarem tirar a taça das mãos do Chelsea, o mais discreto no mercado de transferências. Ídolos mudaram-se para o rival ou vieram de outro país, em busca de novos ares. Da segunda divisão, vieram equipes ávidas por conseguirem se firmar, como já fizeram Southampton e Crystal Palace. O campeonato nacional que mais tem dinheiro no mundo também tem boas histórias para contar. Selecionamos dez para o torcedor acompanhar a partir do sábado.

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Cech de casa nova

Petr Cech é facilmente um dos melhores goleiros da história da Premier League e um dos ídolos do Chelsea. Mas nada disso serviu para fazer frente à juventude e à qualidade exuberante de Thibaut Courtois. Para continuar em alto nível (e morando em Londres), ganhou do clube a rara permissão de assinar com um dos principais rivais. O cartão de visitas foi a Supercopa da Inglaterra, no último final de semana. A pressão de enfrentar o time pelo qual fez história pela primeira vez já foi deixada para trás. Agora, com seu indefectível capacete e os reflexos apurados, tem a responsabilidade de ser o primeiro grande goleiro do Arsenal desde Jens Lehmann e tentar acrescentar mais um capítulo glorioso a uma biografia já impecável.

As interrogações do ataque do Chelsea
Diego Costa comemora um de seus gols pelo Chelsea (AP Photo/Tim Ireland)
Diego Costa comemora um de seus gols pelo Chelsea (AP Photo/Tim Ireland)

Chegar ao topo é difícil, manter-se nele mais ainda. A estratégia de José Mourinha foi apostar no entrosamento. Por que mexer muito no time campeão? Saiu Cech, entrou Begovic como cobertura para Courtois. Saiu Drogba, entrou Falcao, a primeira interrogação do melhor time da Inglaterra na temporada passada. Sem nem comparar ao jogador que era antes da lesão, o colombiano não conseguiu jogar em um nível sequer aceitável, físico e técnico, durante seus meses em Old Trafford. A Copa América pela seleção, onde se sente muito à vontade, também foi decepcionante. A missão de Mourinho é recuperá-lo e transformá-lo em uma opção decente a Diego Costa, a segunda interrogação. O íbero-brasileiro caiu como uma luva na Premier League, mas ele se lesionou de mais. Nos jogos em que não pode atuar, o Chelsea sofreu. Conseguirá se manter em forma durante boa parte da temporada? E em caso de resposta negativa, Falcao conseguirá substitui-lo?

Schweinsteiger em outro clube
Schweinsteiger estreou com a camisa 23 do Manchester United nos Estados Unidos (AP Photo/Ted S. Warren)
Schweinsteiger estreou com a camisa 23 do Manchester United nos Estados Unidos (AP Photo/Ted S. Warren)

O que era impossível de imaginar ainda soa um pouco estranho. Schweinsteiger, um dos maiores meias da sua geração, saiu mesmo do Bayern de Munique. Quando paramos para pensar, é uma movimentação natural de um jogador competitivo que quer se provar em outros ares e campeonatos. Tem pela frente vários desafios. O jogo mais acelerado da Premier League, um clube ávido por conquistas e a comparação com meias históricos que comandaram o meio-campo do Manchester United, que por vias tortas pode ter encontrado o seu novo Paul Scholes. Se as lesões permitirem ao jogador de 31 anos desempenhar seu futebol plenamente.

O desempenho do Bournemouth de futebol vistoso na sua estreia

A primeira vez é sempre inesquecível, e para o Bournemouth mais ainda, porque o clube esperou 116 anos por essa oportunidade. O clube da cidade de praia no leste da Inglaterra prepara-se para estrear na primeira divisão do país, e diferente de outros clubes que acabam de chegar nela, promete um futebol vistoso e ofensivo. Foi assim na campanha na Championship, na qual marcou 98 gols. O técnico Eddie Howe insistirá nessa filosofia. Resta saber se dará certo, afinal, não precisamos dizer isso, a Premier League é outra história.

Crystal Palace e Southampton darão um passo à frente?

Houve um momento da temporada passada, quando venceu o Manchester United em janeiro, que o Southampton parecia pronto para brigar de verdade por Champions League. O elenco acabou ficando curto, e o crescimento de outras equipes relegou o clube à sétima posição, ainda assim a melhor da sua história na Premier League. Os Saints são oficialmente a pedra no sapato dos grandes, com o Crystal Palace em segundo lugar. Em duas temporadas na elite, o time de Londres sequer passou perto do rebaixamento e tirou pontos importantes dos protagonistas. Mais um bom investimento depois, será que essas duas equipes conseguirão dar um passo à frente e alçar voos mais altos?

Pellegrini precisa justificar a confiança do Manchester City

Entre especulações de um acordo com Pep Guardiola, e a desconfiança quase irrestrita dos torcedores, o Manchester City renovou com Manuel Pellegrini por mais duas temporadas. O investimento maciço de dinheiro não permite ver o título tão de longe e patinar na Champions League. O projeto é colocar o time entre os maiores da Europa, e até agora Pellegrini não tem conseguido. Ganhou um voto de confiança e mais libras para gastar. Precisa justificar a sua permanência sob o risco de não terminar o campeonato.

A pressão de tantas libras nas costas de Sterling
Sterling já no Manchester City (Foto: AP)
Sterling já no Manchester City (Foto: AP)

Pai precoce, jovem promessa e referência de um Liverpool esfacelado, Sterling conhece bem o que significa responsabilidade e pressão. Quando tinha Sturridge e Suárez ao lado, mostrou o melhor futebol da sua jovem carreira, que sumiu no momento em que injustamente precisou carregar o ataque nas costas. Saiu em busca de títulos, e encontra em Agüero, Yaya Touré e colegas uma companhia qualificada. Por outro lado, com meros 20 anos, precisa justificar os quase 50 milhões de libras que o clube pagou por ele.

A última chance de Brendan Rodgers
Esta temporada pode ser a última chance de Rodgers manter seu emprego (AP Photo)
Esta temporada pode ser a última chance de Rodgers manter seu emprego (AP Photo)

Rodgers pode ser considerado vítima de seu próprio sucesso. Não estava programado que a reconstrução do Liverpool chegaria tão perto de um título tão rápido. O bom trabalho que vinha sendo feito quase valeu a taça pela fase inspirada de Sturridge e Suárez. Só que o inglês se machucou e o uruguaio foi vendido. O dinheiro foi mal gasto em promessas que ainda não deram retorno, e Rodgers balançou no cargo, principalmente por causa da sombra de Klopp. O perfil das contratações mudou. Vieram jogadores mais estabelecidos, como Milner, Firmino e Benteke. O problema é que o único resultado aceitável neste momento é ficar entre os quatro primeiros, e os rivais também se reforçaram. Será que o Liverpool melhorou o suficiente? Caso a resposta seja “não”, Rodgers pode não sobreviver a mais uma tempestade de críticas.

Ninguém quer perder a boquinha

No pôquer, existe aquele momento assustador para os participantes quando a zona de premiação está se aproximando. No jargão, é a bolha, o 11º colocado de um torneio que dá dinheiro para os dez primeiros. Muitos jogadores menos experientes ficam desesperados para não serem eliminados tão perto de levar uma grana para casa e jogam pela sobrevivência. A briga da parte inferior da tabela da Premier League terá um pouco desse perfil. O contrato de quase € 7 bilhões começa a valer a partir da próxima temporada. Imagina ser rebaixado a poucos meses disso?

A despedida do West Ham de Upton Park
O Upton Park tomado por bolhas de sabão (Foto: AP)
O Upton Park tomado por bolhas de sabão (Foto: AP)

É sempre difícil deixar a sua casa para trás (pergunte ao Arsenal), mas os torcedores do West Ham terão uma temporada inteira para se acostumar à ideia de não jogar mais no Upton Park e se despedirem das suas pequenas tradições. As bolhas que voam tão alto e alcançam o céu serão sopradas no Estádio Olímpico, em Stratford, ainda no leste de Londres, que foi arrendado pelo clube pelos próximos 99 anos, a partir de 2016/17. Até lá, preparem-se para o último jogo, o último gol e – por que não? – a última vitória em Upton Park.