Peter Odemwingie foi o melhor jogador nigeriano desta temporada. Não é exatamente uma opinião, mas sim uma constatação. Contratado pelo West Bromwich em agosto do ano passado, o atacante disputou 32 partidas na Premier League, marcando 15 gols e oferecendo nove assistências. Não obstante, foi o único jogador a receber o prêmio de melhor jogador do mês da EPL por mais de uma vez (setembro 2010 e abril 2011) e venceu a eleição do melhor jogador africano do campeonato, superando nomes como Drogba, Essien, Yaya Touré, Gyan e outros.

Sendo assim, Odemwingie naturalmente desfruta de um enorme prestígio na seleção nigeriana, certo? Errado. Samson Siasia, técnico das Super Águias, deixou o atacante de fora da convocação para os jogos contra a Argentina (amistoso), no primeiro dia de junho, e Etiópia (eliminatórias da Copa Africana de Nações), três dias depois. Como já é de esperar, não por motivos técnicos.

Depois da goleada por 4 a 0 sobre a Etiópia no dia 27 de março, Odemwingie deixou a delegação nigeriana sem a autorização de Siasia para retornar à Inglaterra, mesmo com um amistoso contra o Quênia marcado pro dia 30. Furioso, o treinador decidiu não relacioná-lo para a partida, provocando a fúria do artilheiro. Através do Twitter, Odemwingie insinou que o treinador “tinha problemas”. Mesmo desculpando-se após a repercussão negativa das declarações, Siasia optou por afastá-lo desta última convocatória.

Siasia tentou se esquivar da responsabilidade, alegando que o restante dos atletas ameaçou organizar um boicote caso Odemwingie escapasse de alguma punição. Em defesa de sua decisão, o treinador também alegou que “nenhum atleta é maior que a seleção nigeriana”. O fato é que o comandante tem como marca a rigidez e não admite qualquer tipo de insubordinação, independente da reputação do atleta.

Nos Jogos Olímpicos de 2008, por exemplo, Siasia chamou a responsabilidade pra si ao cortar o badalado John Obi Mikel da convocação final alegando falta de comprometimento. Ainda em Pequim, Odemwingie, convocado como um dos três jogadores permitidos acima dos 23 anos, já havia protagonizado uma polêmica com o mesmo Siasia quando ameaçou deixar a delegação por não se sentir respeitado pelo comandante.

É bem verdade que Odemwingie também não possui um retrospecto positivo de disciplina. Os dois antecessores de Siasia no comando das Super Águias, Shaibu Amodu e Lars Lagerback, tiveram atritos com o atacante. Amodu foi a primeira “vítima”, logo após a eliminação das Super Águias na última Copa Africana de Nações, quando o atacante criticou publicamente o sistema tático utilizado pelo treinador, em sua visão, muito defensivo.

Faltando pouco menos de 120 dias para o início da Copa do Mundo, Lars Lagerback assumiu o comando da seleção nigeriana. Com três derrotas em três jogos no Mundial, Odemwingie desferiu mais críticas ao dizer que o sueco cometeu “grandes erros” – e um deles teria sido dar poucas oportunidades para “Osaze” atuar – e que não temia qualquer tipo de retaliação. Como se não bastasse, numa reviravolta surpreendente, Odemwingie criticou até mesmo a demissão de Amodu.

O outro lado da moeda é o fato da seleção nigeriana se desfazer (temporariamente, é claro) de seu melhor jogador num momento nada ameno. A Nigéria não vive situação confortável nas eliminatórias para a Copa Africana de Nações, que caso se encerrasse hoje, faria com que os nigerianos dependessem do índice técnico para garantirem a classificação. O modo com que Siasia conduziu o ocorrido também foi muito criticado, pois, ao que parece, não houve nenhum diálogo do treinador com o atleta para esclarecer o ocorrido.

A própria crise de atacantes faz com que a ausência de Odemwingie seja muito mais sentida. Os badalados Obinna, Uche e Anichebe não vivem bom momento, enquanto Peter Utaka, campeão dinamarquês com o OB Odense, e os promissores Emenike e Ahmed Musa ainda não parecem prontos para tal responsabilidade. A Nigéria precisa de Odemwingie. E Odemwingie precisa colocar a cabeça no lugar, voltando a ser protagonista apenas por aquilo que sabe fazer melhor: gols.

Liga dos Campeões: Wydad classificado

A desclassificação do Mazembe pela inscrição de um jogador irregular abriu uma vaga no Grupo B da Liga dos Campeões africana, disputada através de um playoff entre Wydad Casablanca, do Marrocos, e Simba, da Tanzânia, ambos eliminados pelo Mazembe nas fases preliminares. O Wydad venceu por 3 a 0 e garantiu presença no torneio mais importante do continente. Os marroquinos entram na chave que ainda conta com Al Ahly (Egito), MC Alger (Argélia) e Espérance (Tunísia).