Arsène Wenger passou 22 anos no Arsenal. Suas últimas temporadas no comando dos Gunners foram marcadas por críticas e uma percepção de que o tempo do treinador no clube já tinha acabado há muito tempo. Embora sua despedida do time tenha sido envolta pela opinião de que o francês falhou em se adaptar ao novo mundo do futebol, por muito tempo Wenger foi uma espécie de vanguardista. E ele tinha uma visão específica para o que queria fazer a seguir: lançar uma universidade dentro do Arsenal.

Em entrevista ao jornal City A.M., o ex-treinador dos Gunners revelou o desejo na fase final de sua passagem de mais de duas décadas pelo time do norte de Londres. “Meu último sonho no Arsenal era criar uma universidade dentro do clube. Eu já estava negociando com algumas grandes empresas, como Sony, Siemens, porque elas tinham grandes departamentos de pesquisa. Meu sonho era criar uma universidade de pesquisa para os aspectos mentais, físicos e técnicos dos jogadores modernos. Estou convencido de que o próximo passo possa ser esse dentro dos clubes.”

Ciência e dados são partes significativas do futebol atualmente, e Arsène Wenger previu isso tudo muito tempo atrás. Ele conta ao City A.M. que no fim da década de 1980, quando ainda treinava o Monaco, já tinha um trabalho nesse sentido. “Eu trabalhei em avaliação de desempenho em 1987, 1988, em computadores com meus amigos. Trabalhávamos dia e noite para medir bem os desempenhos dos jogadores. Estávamos 20 anos à frente do tempo. Fizemos melhorias bem boas para julgar os jogadores. Descobrimos alguns jogadores que não eram exatamente estrelas, mas que se tornaram bons jogadores depois”, relembra o francês.

Wenger conta que certamente irá retornar ao futebol, embora não saiba em qual cargo. Aos 69 anos, não descarta que seja como treinador, mas seu leque de interesse no esporte é grande o bastante para que esteja aberto a outras posições.

O francês acaba de se tornar parceiro e investidor de uma empresa de tecnologia esportiva israelense, a PlayerMaker. A decisão de embarcar no projeto veio após uma visita do CEO da startup, Guy Aharon, à sua casa. Aharon apareceu com uma equipe de juvenis de um time da Championship para demonstrar sua tecnologia no jardim de Wenger – sensores acoplados às chuteiras que medem toques, movimentos, potência do chute, velocidade de arrancada e outros dados, tudo sendo transferido para um software que pode ser visualizado minutos depois.

“Fiquei convencido quando vi a primeira demonstração com os jogadores, fizemos uma em meu jardim. Ainda bem que não destruiu meu jardim”, brincou Wenger, em declaração publicada pela Forbes.

“Investi nessa empresa. Não sou patrocinado, eu coloquei meu dinheiro nela. Não porque eu ache que irá gerar uma enorme quantia de dinheiro, mas mais porque acho que é algo interessante e que pode ajudar o esporte e o futebol.”

Se suas temporadas derradeiras no Arsenal mostraram um treinador com dificuldades de levar seu time à disputa de grandes competições em um cenário novo no esporte, Wenger mostra que claramente tem a mente aberta para novidades que possam levar o futebol além. Seja lá qual cargo ele for assumir no futuro, deverá valer a pena ver o que ele decide colocar na prática, seja como dirigente ou treinador. Ele claramente não parou de pensar em futebol neste ano longe dos gramados.