Arsenal tem alguns motivos para ficar otimista, apesar de pior campanha em 25 anos

Graças ao seu apoio, as colunas das cinco grandes ligas da Europa estão de volta, começando pela Kick and Rush, com informações e análises sobre o futebol inglês. Faça parte do nosso financiamento coletivo no Apoia.se e nos ajude a bater mais metas.

Desde a temporada 1994/95, quando George Graham, vitorioso como jogador e técnico, foi demitido por receber propina de um agente, o Arsenal não tem uma campanha tão ruim quanto terá na atual Premier League. Foi 12º colocado, agora será no máximo oitavo. Primeira vez desde então que não fica entre os seis primeiros.

Arsène Wenger saiu na hora que tinha que sair – até um pouco tarde demais -, mas o clube ainda não está melhor sem ele. Ficará atrás do Tottenham pelo quarto ano seguido, não disputa a Champions League desde 2016/17 e, se não for campeão da Copa da Inglaterra, ficará sem competições europeus na próxima temporada.

A última vez que isso aconteceu foi em 1995/96, antes da sequência de 19 anos consecutivos disputando a Champions sob o comando de Wenger.

Normal. Era de se esperar um período tortuoso. Quase ninguém acertou de cara depois de longos reinados de treinadores. Apesar da campanha ruim, há alguns sinais positivos para deixar o torcedor otimista, desde que o projeto seja conduzido de maneira coerente.

Arteta parece ser bom  

Arteta, do Arsenal (Divulgação/Arsenal)

Arteta assumiu o time das mãos de Unai Emery no meio da temporada. A campanha não é inteiramente sua culpa. Estreou no Boxing Day e perdeu apenas cinco vezes, contado o 1 a 0 para o Aston Villa, na última terça-feira. Tem oito vitórias e seis empates. Somou 1,57 ponto por jogo, contra 1,27 de Unay Emery. Não é grande coisa, mas melhorou os resultados.

Alguns aspectos táticos também parecem mais promissores, como a velocidade para atacar com Aubameyang, Saka e Pépé, uma tentativa de pressionar, de acordo com o exigido para os melhores times do mundo, que ainda precisa ser muito mais bem trabalhada, e a busca por mecanismos para tomar a iniciativa da partida, como faz seu mestre Pep Guardiola.

Embora tenha dado certa sorte contra o atual campeão, é um pouco irônico que o Arsenal tenha determinada sua pior campanha em 25 anos logo depois de vencer, em sequência, os dois melhores times do país, Liverpool e Manchester City, mostrando uma qualidade que vinha faltando desde os tempos de Wenger: a capacidade de resistir à pressão.

Derrotas vexatórias em grandes clássicos ajudaram a deteriorar a confiança em seus dois predecessores e, embora tenha levado duas boas sapatadas do City na Premier League, é bom também ver que Arteta consegue fazer o Arsenal revidar de vez em quando.

O ponto mais negativo da passagem foi a eliminação precoce para o Olympiacos, na Liga Euroa, uma oportunidade dourada para ganhar um título e vaga na próxima Champions League. Ainda tem a Copa da Inglaterra, que pouco serviu para restaurar o prestígio de Wenger, mas que seria o primeiro troféu de Arteta como treinador.

Importante também que ele não tenha medo de jogar a real.

“Tem que doer e precisamos sofrer. Não é o suficiente para este clube. Precisamos melhorar em muitas áreas, coletiva e individualmente. Estamos montando um forte plano para fazer o máximo que pudermos em um curto período e a tabela não mente. Os principais times são melhores que nós em certas áreas. Sabemos qual é o desafio. É realmente grande e estamos empolgados pelo que vem pela frente”, disse.

Arteta não tem nem uma temporada inteira como treinador principal. Por enquanto, é apenas potencial, sem nenhuma certeza de que dará certo, mas tem dado bons sinais. E diante de uma histórica dificuldade de muitos clubes em substituir bandeiras pesadas como Wenger, vale a pena apostar nele um pouco mais e ver o que acontece.

Há potencial inexplorado 

Nicolas Pépé, apresentado pelo Arsenal (Foto: Getty Images)

O Arsenal deve, precisa e não pode deixar de ir ao mercado para reforçar o seu time, especialmente no meio-campo e na defesa, mas ainda tem de onde tirar muito mais de alguns jogadores que estão no seu elenco.

Foi uma temporada de afirmação para Bakayo Saka e a melhor notícia recente foi a renovação de seu contrato até 2024, em meio a especulações que o ligavam até a rivais como o Liverpool. A segunda melhor notícia é que ele tem apenas 18 anos e, se já é muito bom, pode ficar ainda melhor.

Entre os outros garotos, o que mais brilhou até agora, depois de Saka, foi o brasileiro Gabriel Martinelli, que infelizmente se machucou na reta final da temporada. O Arsenal viu boas coisas de Reiss Nelson, Joe Willock e Eddie Nketiah e receberá o jovem zagueiro William Saliba, contratado ano passado e emprestado ao Saint-Étienne, como um muito necessário reforço para a sua defesa.

Nicolás Pépé, contratação mais cara da história do clube, teve apenas alguns brilharecos até agora. Mostrou muito mais futebol pelo Lille para convencer o Arsenal a soltar € 80 milhões em sua contratação. O mesmo vale para Kieran Tierney, talentoso lateral esquerdo que veio do Celtic e teve uma primeira temporada na Inglaterra prejudicada por lesões. Marí havia feito bons jogos antes de se machucar.

E vai saber? Talvez até Özil resolva jogar a bola no último ano do seu contrato.

Auba talvez fique

Aubameyang, do Arsenal (Foto: Getty Images)

O Arsenal se viu vezes demais nesta situação. O contrato de um de seus principais jogadores está chegando ao fim e, sem conseguir oferecer perspectivas reais de grandes títulos, não consegue convencê-lo a renovar. Precisa decidir se o vende ou aceita perdê-lo de graça. A exceção foi Mesut Özil. Fica a lição: cuidado com o que você deseja.

O próximo capítulo desta série é com Pierre-Emerick Aubameyang. O artilheiro e melhor jogador do time tem apenas mais um ano de vínculo. Ainda deve esperar um pouco para tomar uma decisão definitiva, ver se o Arsenal se classifica à Liga Europa e quais movimentações fará no mercado, mas os últimos sinais foram positivos.

Auba deu entrevista dizendo que ficou satisfeito com a renovação de Bukayo Saka, sem se comprometer a ficar ou não. Arteta revelou que ele está disposto a continuar, feliz no Arsenal, conversando para renovar e espera que time e jogador possam seguir evoluindo juntos.

A decisão é delicada porque, aos 31 anos, Aubameyang sabe que o seu próximo contrato será provavelmente o último em que conseguirá ser um dos principais jogadores de um time campeão, e seu talento merece mais títulos. Tem apenas uma Copa da Liga pelo Saint-Étienne e uma Copa da Alemanha pelo Borussia Dortmund, além de um par de Supercopas.

Caso fique, enviará uma forte mensagem de confiança no que está acontecendo no Arsenal, tanto aos companheiros quanto a possíveis contratações. Qualquer caminho que o clube pretenda tomar será mais fácil com Aubameyang.

Arteta deixou claro que investimentos no elenco serão necessários, mas quanto ainda depende de alguns fatores, como a classificação para a Liga Europa. A distância para o topo ainda é muito grande. O Arsenal pode terminar a Premier League até 12 pontos da quarta colocação e até 46 do campeão Liverpool.

Em qualquer cenário, não percorrerá toda essa distância de uma vez só, mas tem alguns pilares sólidos para começar a correr.

.