O torcedor do Arsenal se acostumou a diminuir as suas expectativas, especialmente na atual temporada. Mas mesmo para seus próprios padrões, a derrota de virada por 2 a 1 para o Brighton, que não havia vencido em 2020, pareceu um pouco demais, impressão reforçada sobretudo pelo bom primeiro tempo dos Gunners.

Pela intensidade que mostrava nos minutos iniciais do confronto, a vitória parecia certa ao time londrino. Logo aos cinco minutos, Davy Pröpper, na saída de bola, deu o passe no pé de Aubameyang. O gabonês avançou um pouco e, mesmo de longe, arriscou o chute forte, buscando o ângulo. Para sua infelicidade, a bola foi por cima do gol.

Depois de passar boa parte da temporada na lateral esquerda, o garoto Bukayo Saka, de 18 anos, atuou no meio de campo, podendo mostrar toda sua capacidade ofensiva. Aos oito minutos, da intermediária, finalizou colocado, de direita, e acertou o travessão de Mat Ryan.

O jovem alternava a posição mais central com a ocupação também da ponta esquerda. Em um dos lances pelo flanco, aos 31 minutos, acertou cruzamento para Lacazette. Perto do gol, o francês cabeceou e forçou Ryan a fazer excelente defesa, impedindo o 1 a 0.

O bom ritmo inicial do Arsenal foi caindo, mas a pior notícia daquela primeira etapa estava por vir. Aos 40 minutos, Leno teve que ser substituído, com a perna direita imobilizada. Em dividida com Neal Maupay, levou a pior e, embora não pareça ter havido má intenção do francês, o goleiro dos Gunners deixou o campo com o dedo em riste em direção ao atacante, enquanto era carregado de maca.

Emiliano Martínez entrou em seu lugar e logo foi testado. Aos 42 minutos, após escanteio, Aaron Mooy bateu forte, da entrada da área, mirando o canto inferior direito do gol do Arsenal com um belo sem pulo. Martínez reagiu bem para ficar com a bola.

Em um último lance de qualidade antes do intervalo, Aubameyang recebeu na ponta esquerda, avançou com dribles e tocou para Lacazette, dentro da área. O camisa 9 protegeu bem a bola e devolveu de calcanhar para Auba, que infiltrava. Entretanto, na hora da finalização do gabonês, Webster chegou providencialmente para afastar para escanteio.

Aubameyang voltou com apetite para o segundo tempo. Aos três minutos, recebeu passe de Ceballos, deixou um marcador no chão com um drible rápido e avançou até a área. Bateu cruzado, de esquerda, e parou em boa defesa de Ryan. Cinco minutos depois, lançado sozinho no ataque por Saka, balançou as redes, mas em posição de impedimento, e o gol não foi validado.

Ensaiando o crime, o Brighton levou perigo a Martínez com Maupay, que recebeu cruzamento e, com o ângulo fechado, bateu forte, em cima do goleiro dos Gunners, aos dez minutos da segunda etapa.

Aos 20 minutos, Aubameyang trabalhou bem novamente em sua parceria com Lacazette, tabelando com o francês e batendo para mais uma defesa de Ryan. Três minutos mais tarde, Nicolás Pépé, que estava bem quieto no jogo, apareceu da melhor maneira possível. Pela direita, recebeu passe de Saka e, com efeito, bateu para encobrir Ryan em um belo chute colocado, em diagonal, e colocar o Arsenal à frente.

O momento de alívio dos Gunners não durou muito. Sete minutos depois, em jogada ensaiada de escanteio, Solly March cruzou rasteiro para a pequena área, e, após um rápido bate-rebate, Lewis Dunk apareceu para completar para o gol.

Aubameyang, sempre ele, levou perigo novamente a Ryan, arriscando chute de longe e forçando o australiano a uma boa defesa, aos 35 minutos do segundo tempo. Dois minutos depois, após sobra de um cruzamento, fez um bom drible de corpo para finalizar, mas na hora da batida acabou travado por uma congestionada defesa do Brighton.

Nada melhor saiu dos ataques do Arsenal, e a equipe de Mikel Arteta se arrependeria disso de forma dramática. Já nos acréscimos da partida, aos 50 do segundo tempo, Alexis Mac Allister tocou em diagonal para Maupay. O francês então executou um preciso corta-luz, deixando a bola com Connolly. A devolução foi caprichada, pelo alto e de primeira, e Maupay, sem ângulo, encobriu Martínez para marcar um golaço e decretar a vitória de virada aos donos da casa.

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Mais uma vez, o Arsenal desperdiça a chance de se aproximar do pelotão da frente e ainda sonhar com a Champions League. O Chelsea, atual quarto colocado, tem dez pontos a mais que os Gunners e um jogo a menos.

Se a derrota para o Manchester City no meio da semana foi aceitável, esperada, a deste sábado é difícil de digerir aos londrinos. Não só pelas circunstâncias próprias da partida, que parecia se encaminhar a uma vitória e terminou em derrota trágica, com um grande problema potencial na lesão de Leno. O fato de que o revés tenha se desenrolado contra uma equipe tão fraca quanto a do Brighton, que briga contra o rebaixamento e não havia vencido em 2020, aumenta a sensação de que a temporada está perdida.

Aos donos da casa, o triunfo é um importante empurrão para a permanência na elite. Ela está longe de ser garantida, é verdade, com o Brighton podendo terminar a rodada com apenas dois pontos de distância para a zona de rebaixamento. De qualquer forma, vitórias como essa, sobretudo depois de um período longo sem triunfos, podem ser um fator importante para uma reviravolta.