Arsenal completa o exílio de Mesut Özil (e £ 18 milhões) ao não inscrevê-lo sequer na Premier League

A renovação de contrato de Mesut Özil foi tratada como uma vitória para o Arsenal, acostumado demais a perder seus principais talentos, muitas vezes sem nem gerar dinheiro ao clube. O meia alemão se tornou o jogador mais bem pago da história dos Gunners nos meses finais do reinado de Arsène Wenger. Difícil de prever naquele momento era que Özil cumpriria o último ano daquele vínculo sentado no sofá de casa vendo Netflix.

Porque depois de não ser inscrito na Liga Europa, Özil também não apareceu na lista de 25 jogadores que o Arsenal terá à disposição para a Premier League, o que significa que, pelo menos até 2021, pode atuar apenas pelo time sub-23 dos Gunners. Se o fará ou não é muito menos importante do que o fato de que o Arsenal não quer sequer se dar o direito de usar um jogador ao qual pagará £ 18 milhões nesta temporada.

Isso levanta algumas questões importantes. Entre elas, não que antes fosse muito compreensível, mas como o Arsenal agora pode justificar a demissão de funcionários que recebem muito menos de £ 18 milhões e de fato faziam os seus trabalhos? O que existe de tão irreversível no comportamento de Özil precisa vir a público para explicar a decisão de exilar completamente um jogador que não faz tanto tempo tinha status de craque do time e há menos tempo ainda era regularmente utilizado.

Özil não entra em campo desde março. Mas, antes disso, havia atuado em todas as rodadas menos uma entre a 11ª e a 29ª da Premier League. Questionado sobre as ausências do alemão e de Matteo Guendouzi, emprestado ao Hertha Berlim, Mikel Arteta disse, no começo de julho, que qualquer um podia “subir no barco” desde que respeitasse os valores que estavam sendo implementados e fosse 100% comprometido com a “nossa cultura”, o que indica que nenhum dos dois respeitava os valores ou estavam 100% comprometidos.

Depois, explicando a ausência de Özil da lista da Liga Europa, o diretor técnico Edu afirmou que foi simplesmente uma questão de cumprir as regras. “Precisávamos administrar o número de jogadores estrangeiros no time porque podemos ter apenas 17 na nossa lista. Eu falei com Mikel sobre os jogadores que provavelmente seriam deixados de lado e discutimos como lidar com essa situação desafiadora”, afirmou, como se fosse a coisa mais natural do mundo excluir um jogador tão caro dos planos.

Ao fazer isso também na Premier League, o Arsenal deixa bem claro que simplesmente não conta mais com o jogador. Pode ser uma maneira de pressioná-lo a aceitar um acordo para rescindir o contrato antes do fim ou aceitar uma transferência em janeiro, mas, enquanto isso, o clube está simplesmente queimando dinheiro e ainda não está muito claro por que Özil não pode sequer ser utilizado na rotação do elenco ou em momentos pontuais.

A culpa não pode ser colocada apenas no Arsenal. Özil também parece não ser flor que se cheire, como sugeriu o caso do Gunnerssaurus. Mas no momento em que a pandemia gera discussões sobre contenção de gastos, teto salarial e revoluções estruturais como o projeto Big Picture ou a nova invenção de Liverpool e Manchester United para criar uma Superliga Europeia, é pertinente questionar por que os clubes grandes querem mais dinheiro se um deles simplesmente toma a decisão de jogar £ 18 milhões na lata do lixo. Sob qual lógica, por exemplo, esse clube merece ter mais poder de decisão do que outros 14 da Premier League?

.