Conquistar o “título de outono” (ou inverno) em qualquer liga europeia não possui outro valor além do simbolismo. Ser o melhor do primeiro turno só entra para a história quando a vantagem construída se mantém também no segundo turno. De qualquer forma, em um campeonato tão hegemônico como a Bundesliga, o feito garantido pelo Borussia Dortmund neste sábado possui a sua importância. Não exime os aurinegros da responsabilidade de seguirem o embalo, embora sublinhe que o Bayern de Munique terá concorrência desta vez, mesmo que se recupere no próximo semestre. O topo foi garantido pelo BVB após mais uma vitória no Signal Iduna Park, desta vez derrotando o Werder Bremen por 2 a 1. Jogo apertado, mas que não interrompeu a sequência invicta dos líderes.

Após garantir a primeira posição do Grupo A da Liga dos Campeões com um time misto, o Dortmund voltou a utilizar os titulares. E o primeiro tempo dominante foi a chave para que o triunfo acontecesse. Paco Alcácer poderia ter aberto o placar aos sete minutos. Saiu de frente para o gol e encobriu o goleiro, mas viu Davy Klaassen salvar em cima da linha. Os anfitriões seguiram pressionando, com direito à reclamação de um pênalti, até que o tento acontecesse aos 19 minutos. Em cobrança de falta pelo lado direito, Raphaël Guerreiro cruzou e Alcácer se antecipou à marcação para desviar de cabeça. A arbitragem assinalou inicialmente o impedimento, mas com o auxílio do VAR validou a jogada. Foi o 11° tento do espanhol em dez aparições na Bundesliga.

Não demoraria para o Dortmund ampliar. Oito minutos depois, os protagonistas nesta campanha na Bundesliga apareceram. Após uma roubada de bola no campo de ataque, Marco Reus abriu com Jadon Sancho e apareceu na área para concluir, mandando no canto de Jiri Pavlenka. Só que a tranquilidade do BVB seria desafiada aos 35 minutos, quando Max Kruse descontou ao Werder Bremen. Um golaço do atacante, que bateu de fora da área e mandou a bola no ângulo, sem qualquer chance para Roman Bürki. Antes do intervalo, Jiri Pavlenka e Sebastian Langkamp foram responsáveis por ações cruciais. Evitaram o terceiro dos anfitriões, que iam perdoando.

O segundo tempo foi mais aberto, especialmente nos primeiros minutos. Os dois times tiveram oportunidades para marcar. Enquanto o Dortmund acelerava seu jogo em contragolpes, parando em Pavlenka, também viu Roman Bürki se agigantar com duas importantes defesas. Todavia, o ritmo não se manteria e caberia aos aurinegros administrarem a diferença. Tentavam se fechar, faltando mais ímpeto para matar o jogo. Por sorte, o Bremen também não criou lances claros para sair com o empate, mesmo impondo sua pressão nos minutos finais. No último lance do jogo, por fim, o BVB ainda comemorou o terceiro gol com Mario Götze. O lance, contudo, acabou anulado por impedimento.

Restando duas rodadas para o fim do primeiro turno, o Borussia Dortmund chega aos 39 pontos. Já abre nove de vantagem sobre Borussia Mönchengladbach e Bayern de Munique, os times logo abaixo na tabela. A campanha invicta continua, com 12 vitórias, seis consecutivas. No recente hexacampeonato do Bayern, em apenas duas temporadas os bávaros atingiram um desempenho melhor que os aurinegros a esta altura da competição. Sinal claro do potencial do BVB.

Fato é que, pelo equilíbrio do time e pelas alternativas ofensivas, o Dortmund apresenta muita qualidade. Lucien Favre não demorou a estabilizar o seu trabalho e fazer suas ideias se refletirem em campo, com uma equipe bem estruturada e objetiva. Já entre os jogadores, Axel Witsel, Marco Reus, Manuel Akanji e Jadon Sancho fazem um campeonato enorme, para ficar apenas em quatro nomes. A caminhada errante dos rivais pode até ajudar. Ainda assim, há muitos méritos dos líderes neste sucesso momentâneo.